terça-feira, 8 de dezembro de 2009

livre da cortisona

atendendo a pedidos: minha pequena Lina, em pose de garota.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

literatura do fim de semana

Don't Wait Too Long
(Madeleine Peyroux)

You can cry a million tears
You can wait a million years
If you think that time will change your ways
Don't wait too long

When your morning turns to night
Who'll be loving you by candlelight
If you think that time will change your ways
Don't wait too long

Maybe I got a lot to learn
Time can slip away
Sometimes you got to lose it all
Before you find your way

Take a chance, play your part
Make romance, it might brake your heart
But if you think that time will change your ways
Don't wait too long

It may rain, it may shine
Love will age like fine red wine
But if you think that time will change your ways
Don't wait too long

Maybe you and I got a lot to learn
Don't waste another day
Maybe you got to lose it all
Before you find your way

Take a chance, play your part
Make romance, it might brake your heart
But if you think that time will change your ways
Don't wait too long
Don't wait
Hmm... Don't wait Hmm...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

facilidades (im) possíveis

Pés esticados no meio-fio, buscou equilíbrio com os braços finos. Sandália de salto nas mãos, memória recente em giros velozes: “Amada”. Daquela vez, dispensara as árvores da praça sem flores. Embora o luto ainda enchesse a alma de furos, a madrugada oferecia algo além de taças, encantos, promessas e sorrisos. Felicidade é seguir adiante – sussurraram, tantos, horas antes. Em apenas dez minutos se convenceu da sugestão. Palavras fluidas, conversas esticadas, nada de falar dos outros, nem do passado. Alívio, oportunidade: silenciar sobre o principal era desejo antigo. Olhos pregados no presente, ignorando qualquer horizonte – primeira vez? De posse da borracha mágica, esqueceu, abandonou. Benditos os que têm a chance de reescrever os enredos mais doídos. Descobriu: a verdadeira rima ocorre entre dureza e liberdade. Encontrou flores ali, surpreendentes, enfeitando palavras e arredores. Olharam-se, estranhos à facilidade aconchegante. Seria assim a vida dos outros? Riram, a primeira de muitas. Havia cada vez mais sol no céu sem nuvens.

* Amém.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

viver é uma festa....

"A conduta pode basear-se em rocha sólida ou em pântano alagadiço, mas, depois de certo ponto, pouco me importa aquilo em que ela se baseie. Quando voltei ao Leste, no outono passado, senti que queria que o mundo todo estivesse metido em uniforme e colocado numa espécie de posição de sentido moral permanente; estava farto de excursões turbulentas, com privilegiados relanceares de olhos, ao coração humano. Somente Gatsby, o homem que empresta seu nome a este livro, se achava isento dessa minha reação - Gatsby, que representava tudo aquilo por que sinto natural desdém. Se a personalidade consiste numa série ininterrupta de gestos bem-sucedidos, então é certo que havia nele algo magnífico, uma apurada sensibilidade para as promessas da vida, como se ele tivesse alguma relação com esses intrincados maquinismos que registram terremotos ocorridos a dez mil milhas de distância. Essa sensibilidade nada tinha a ver com essa flácida impressionabilidade dignificada pelo nome de "temperamento criador": era um dom extraordinário de esperança, uma presteza romântica como jamais encontrei em qualquer outra pessoa e que, provavelmente, jamais tornarei a encontrar. Não... Gatsby saiu-se bem, no fim; o que perseguia Gatsby - a abominável poeira que pairava sobre a esteira de seus sonhos - é que fez com que eu perdesse temporariamente o interesse pelas tristezas abortivas e pelas ofegantes alegrias dos homens".

(O Grande Gatsby, Scott Fitzgerald)



PS: Se fosse vivo, Fitzgerald só dançaria Madonna!

PPS: Dezembro chegando, florido e calorento, com uma penca de (felizes) novidades: Let's celebrate!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

meditação


Quem acreditou / No amor, no sorriso, na flor / Então sonhou, sonhou... / E perdeu a paz / O amor, o sorriso e a flor / Se transformam depressa demais / Quem, no coração / Abrigou a tristeza de ver tudo isto se perder / E, na solidão / Procurou um caminho e seguiu, / Já descrente de um dia feliz / Quem chorou, chorou / E tanto que seu pranto já secou / Quem depois voltou / Ao amor, ao sorriso e à flor / Então tudo encontrou / E a própria dor / Revelou o caminho do amor / E a tristeza acabou.

* sábio mestre Tom!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

sem engano*

Acordou na companhia daquela velha e ambígua frase: "Não se pode amar e ser feliz ao mesmo tempo". Não estava de ressaca, nem recorrera aos milagrosos remedinhos para chamar o sono. Muito pelo contrário: embalada pelas promessas recentes, escondidas em caixas com chaves, adormecera enquanto desenhava o reveillon. Um esboço possível, ainda, apenas. Mesmo assim, já conseguira enfiar começo, meio e fim na cena que encerraria seu ano mais desmontado. Vestiria branco, e ofertaria flores aos santos, e pularia sete ondas, e prepararia lentilhas e sobremesas geladas, e brincaria de adivinhar canções e cálices. Estaria num lugar distante, rodeada de desconhecidos e palavras estrangeiras, sozinha entre sonhos desfeitos, feliz com as promessas recentes, já não mais encaixotadas. Grécia, incógnita total? Rio de Janeiro, entre gringos de Copacabana? Não sabia direito, mas haveria praia, e sal, e areia nos pés descalços. Assustou-se com o cruel talento para virar a mesa e sair pelos fundos. Como cogitava virar o ano de forma oposta aos desejos da primavera? Despertou triste com os (novos) buracos da alma. Não queria começar a priorizar a felicidade.

* "quando a gente conversa, contando casos, besteiras / tanta coisa em comum / deixando escapar segredos (...)"

** pro Diego, jornalista desde ontem, que ama essa música.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

baby cat

Lina: o (gracioso) motivo das minhas últimas injeções de cortisona.