<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304</id><updated>2011-12-01T07:20:10.227-08:00</updated><title type='text'>jadices</title><subtitle type='html'>oferendas.lamentos.letrinhas.experiências.sorrisos.pensamentos.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>101</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-8868909343831301154</id><published>2011-11-09T03:40:00.000-08:00</published><updated>2011-11-09T03:58:59.856-08:00</updated><title type='text'>O sonho acabou *</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-ChMrzRU_wTI/Trpn7tv8uYI/AAAAAAAAAOc/vKi8GunEHMQ/s1600/gatbsy.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5672960956217211266" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 247px; CURSOR: hand; HEIGHT: 312px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-ChMrzRU_wTI/Trpn7tv8uYI/AAAAAAAAAOc/vKi8GunEHMQ/s400/gatbsy.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;em&gt;Obra-prima do norte-americano F. Scott Fitzgerald, &lt;/em&gt;O Grande Gats&lt;em&gt;by chega ao mercado em nova tradução e reabre interesse na obra do autor&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Scott Fitzgerald saboreava o auge do seu próprio &lt;em&gt;american dream&lt;/em&gt; quando entregou ao mundo a história do ambíguo milionário Jay Gatsby. Contista renomado e já autor de dois romances que venderam mais de 60 mil exemplares, número espantoso para a época, desenvolveu uma poética ambivalente como a trajetória dos heróis da década perdida. Na contracorrente de seus contemporâneos, conseguiu estabelecer um projeto de ficção que mesclava, paradoxalmente, temática atenta ao &lt;em&gt;zeitgest &lt;/em&gt;borbulhante dos anos 1920 e desprezo pelas modas literárias de então, com investimento autêntico no romantismo do estilo e do olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relançado com nova tradução, &lt;em&gt;O Grande Gatsby&lt;/em&gt; (Companhia das Letras, trad. Vanessa Barbara, 256 páginas) pode ser considerado o ápice da carreira do escritor de Minnesota. O romance, de 1925, reconstrói uma experiência social típica do período, a busca desesperada e encantadora por um lugar ao sol na nação das promessas, ao mesmo tempo que se firma como o ponto alto da literatura do autor. O drama de Jay Gatsby condensa os principais traços da assinatura de Fitzgerald, esboçada desde sua atuação como contista em revistas como Esquire e Vanity Fair: a tematização do sonho americano, vivido sempre à revelia do bom senso; o estilo afetado, último suspiro da prosa romântica; a ética trágica, que dota as personagens de intenso poder de autoaniquilação, aprofundando ainda mais o enredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A existência cintilante de Jay Gatsby, um &lt;em&gt;self-made man&lt;/em&gt;, chega até o leitor através do seu vizinho, o narrador Nick Carraway, simplório corretor de títulos. Sua fortuna, supostamente originária do tráfico de bebidas durante a lei seca, é vítima de fofocas por todo o país. Gatsby, porém, não se importa. A escalada social ilícita permitiu-lhe usufruir de uma realidade que parecia vetada quando ainda se chamava (apenas) James Gatz. E é graças a ela que organiza suas festas na mansão, por onde desfilam os &lt;em&gt;hits&lt;/em&gt; do momento, como os cabelos &lt;em&gt;à la garçon&lt;/em&gt;, o jazz dançante e o sexo relativamente livre, protagonizados por heróis que enriqueceram tão subitamente quanto despencarão na miséria (com a crise da bolsa de valores, em 1929).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atento ao espírito do seu tempo, Scott Fitzgerald oferece ao leitor a sua própria versão de um mundo dilacerado entre esperança econômica e fracasso pessoal, construindo uma geração faminta, que consome (a vida) até a última gota. Assim era Amory Blane, o protagonista endinheirado de &lt;em&gt;Este Lado do Paraíso&lt;/em&gt;, de 1920, em busca da sua fatia da terra prometida. A mesma existência regada a álcool e investimentos ousados foi compartilhada pelo herdeiro Anthony Patch e sua bela Gloria, em &lt;em&gt;Belos e Malditos&lt;/em&gt;, de 1922. O projeto é consolidado em &lt;em&gt;O Grande Gatsby&lt;/em&gt;, onde o autor desnuda uma constelação de mulheres fúteis e executivos sem função, rasgando notas e brindando até o amanhecer na mansão de origem duvidosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto oferece uma versão adorável e consistente daquela geração, Fitzgerald afasta-se do presente ao apostar em um estilo afetado, marcado por frases longas, referências pop e adjetivos cheios de pompa. Rival de Ernest Hemingway, com quem dividia polêmicas literárias, desenvolveu, propositadamente, uma prosa bastante diversa da poética do premiado autor de &lt;em&gt;O Velho e o Mar&lt;/em&gt;, caracterizada pela economia de adjetivos e descrições. Desde seus primeiros contos, publicados quando ainda estava na casa dos vinte, Fitzgerald reivindicou o epíteto de último expoente romântico, apelando tanto para a escrita poética quanto para o relato de histórias de amor quase sempre impossíveis e insuperáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Submersos em uma combinação de desamparo e desatino, os casais de &lt;em&gt;Belos e Malditos&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Suave é a Noite&lt;/em&gt;, de 1934, esboçam as potências de engano e ilusão típicas deste amor fadado à desordem. Em &lt;em&gt;O Grande Gatsby&lt;/em&gt;, porém, Scott Fitzgerald oferece uma dimensão ainda mais profunda ao sentimento, construindo uma imagem poderosa para a solidão que assombra seus heróis. Em vez de se esbaldar com os convidados no quintal, como tantos outros apaixonados da obra do autor, Gatsby apenas acompanha o movimento da sacada do quarto, solitário com sua taça de champanhe, à espera da hesitante Dayse, namorada de adolescência que lhe trocou pelo milionário Tom Buchanan. A própria ascensão social de Jay Gatsby curva-se ao romantismo da poética do autor: os acúmulos servem (sobretudo) para atrair sua borboleta do passado aos jardins luxuosos da mansão à beira-mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, Scott Fitzgerald não teria sido um dos nomes fundamentais da literatura ocidental se restringisse sua poética aos (estreitos) limites da apoteose do sonho americano. Sua principal inovação está justamente no destaque de certa ética trágica que costura a existência desregrada e intensa dos protagonistas. Um dos pioneiros na reconstrução, ficcional, da curva trágica entre as aspirações do deslumbre e as derrocadas inevitáveis, transforma melodia em agressão, perspectiva em desalento, horizonte em desencanto, sugerindo um mundo que tende sempre à aniquilação (dos sonhos, das esperanças, do sujeito).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tema do conto &lt;em&gt;Babilônia Rev&lt;/em&gt;isitada, a derrocada dos heróis da era do jazz, que a tudo almeja e pouco alcança, é definitiva para a compreensão do projeto do escritor. Se o fracasso parece ser o único fim possível para o desperdício (de dinheiro, de afeto, de expectativa), a trajetória de Gatsby personifica como nenhuma outra a impossibilidade de permanência revelada pelo &lt;em&gt;american dream&lt;/em&gt;. Gatsby não acaba esquecido ou louco, como seus irmãos não tão prósperos de &lt;em&gt;Suave é a noite&lt;/em&gt;. Tampouco culmina em uma crise criativa, acumulando subfunções incompatíveis com o velho status, como o próprio Fitzgerald. Gatsby morre, assassinado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Scott Fitzgerald mantém-se como uma das assinaturas mais potentes da literatura ocidental justamente pela monumentalidade do seu projeto artístico, no qual &lt;em&gt;O Grande Gatsby&lt;/em&gt; ocupa lugar de destaque. A partir de uma linguagem poética e romântica, contrária aos padrões de então, sua obra reconstrói um frágil castelo de prosperidade, repleto de esperança, fortuna e promessas que se dissipam com os primeiros raios de sol, na ressaca da manhã seguinte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;*&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Jade Gandra Dutra Martins é pós-doutoranda em Teoria Literária&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(publicado originalmente em DC Cultura, 05 de novembro de 2011)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-8868909343831301154?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/8868909343831301154/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/11/o-sonho-acabou.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/8868909343831301154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/8868909343831301154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/11/o-sonho-acabou.html' title='O sonho acabou *'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-ChMrzRU_wTI/Trpn7tv8uYI/AAAAAAAAAOc/vKi8GunEHMQ/s72-c/gatbsy.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-4907641188662232184</id><published>2011-08-15T06:31:00.000-07:00</published><updated>2011-08-15T06:32:51.974-07:00</updated><title type='text'>feliz 2011 (parte 2)</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-32umOfiy3bs/Tkkf5VqXWLI/AAAAAAAAAOU/-opSZ1cvyAs/s1600/baloes-personalizados.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5641075078186096818" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 255px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-32umOfiy3bs/Tkkf5VqXWLI/AAAAAAAAAOU/-opSZ1cvyAs/s400/baloes-personalizados.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Porque sala cheia é melhor ainda.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-4907641188662232184?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/4907641188662232184/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/08/feliz-2011-parte-2.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/4907641188662232184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/4907641188662232184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/08/feliz-2011-parte-2.html' title='feliz 2011 (parte 2)'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-32umOfiy3bs/Tkkf5VqXWLI/AAAAAAAAAOU/-opSZ1cvyAs/s72-c/baloes-personalizados.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-5725911233144012274</id><published>2011-07-21T05:19:00.000-07:00</published><updated>2011-07-21T05:27:44.818-07:00</updated><title type='text'>Pena de Ouro **</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-tuYT6SaGyME/TigZ5xJu9mI/AAAAAAAAAOM/MrxU5UB2ZP8/s1600/nelson_agora.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5631779814264206946" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-tuYT6SaGyME/TigZ5xJu9mI/AAAAAAAAAOM/MrxU5UB2ZP8/s400/nelson_agora.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;O maior dramaturgo brasileiro encontrou nas redações de jornais o farto material humano que serviu de matéria-prima para sua obra&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;POR JADE GANDRA DUTRA MARTINS&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano de comemoração do centenário de nascimento de Nelson Rodrigues, uma série de exposições, homenagens, eventos e releituras amplia o debate sobre sua obra, atraindo fãs e especialistas. A vasta cobertura tenta contemplar os múltiplos papéis abarcados pelo autor na cultura brasileira do século XX: cronista, contista, romancista, crítico, dramaturgo. Constantemente associado às frases polêmicas e aos dramas rocambolescos sobre traição e desespero, seu legado mais popular, o escritor paira hoje como uma das personagens mais influentes do Brasil moderno. Uma faceta definidora da sua trajetória, porém, ainda segue menosprezada: o jornalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nelson Rodrigues ainda nem sonhava em inventar o teatro brasileiro moderno quando concluiu, com um ponto de exclamação, sua primeira matéria como repórter profissional. Na verdade, jamais assistira a uma peça. Com 13 anos recém-completados, vestia calças curtas, devorava com ansiedade todos os folhetins que lhe caíam em mãos e cismava com o tamanho da própria cabeça – para ele, um cabeção. Pernambucano no registro de identidade, e carioca em todas as outras instâncias, recebeu o primeiro contracheque já na cidade maravilhosa, trabalhando para o pai Mário Rodrigues no jornal da família, o famoso A Manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O matutino inaugurou a trajetória de superlativos que marcaria para sempre o clã dos Rodrigues: havia sido idealizado, concebido, montado e inaugurado em apenas 25 dias. Mário Rodrigues, um bom capitalista, intimou os filhos à labuta. À frente de todo o conteúdo político, local perfeito para alimentar debates intensos e controvérsias variadas, encaminhou Mário Filho à crítica de arte e dividiu a editoria de polícia entre Milton e Nelson. Roberto preferiu o nanquim, e se responsabilizou pelas ilustrações principais das edições. Confirmando a tendência hiperbólica daquela família de 14 filhos, em apenas um ano A Manhã já era o matutino mais vendido do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A política editorial era diversificada, atenta às preferências do público: além de publicar diariamente capítulos de romances famosos, como o clássico &lt;em&gt;Crime e Ca&lt;/em&gt;stigo, de Dostoievski, formando uma geração de leitores, A Manhã priorizava matérias policiais, notas sobre suicídio e relatos de dramas passionais que impressionavam os corações sensíveis. Em uma época em que o ofício de jornalista servia como atalho legítimo – e lícito – para se alcançar status social (sim, essa época existiu), os principais periódicos do país descartavam a seriedade das reportagens investigativas ou políticas para mergulhar sem medo na narração de crimes sangrentos e pactos obscuros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descrevendo os casos mais chocantes daquele Rio de Janeiro repleto de bondes e piteiras, Nelsinho compensava a pouca experiência abusando de adjetivos poderosos e frases enfeitadas de lirismo. Não havia qualquer preocupação com a verdade, afinal de contas, naqueles tempos, objetividade era quase sempre um recurso exclusivo dos medíocres. Quem dominava de fato a máquina de escrever executava o ofício com o requinte do ficcionista que seleciona a palavra exata para expressar os sentimentos mais subterrâneos. E nas matérias policiais do menino repórter, os fatos eram sempre subordinados à escrita, jamais o contrário – dogma máximo do jornalismo pretensamente idôneo e asséptico que começaria a vigorar no Brasil a partir da segunda metade do século XX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Era pobre e vivia uma vida miserável.&lt;br /&gt;O ordenado que o emprego lhe proporcionava era insuficiente e não bastava para dar à pobre jovem o mínimo conforto. Sofria as mais pungentes necessidades. Vivia atormentada por cruéis privações.&lt;br /&gt;Entretanto, como era forte e animosa, não se desesperava.&lt;br /&gt;Nos momentos culminantes da desventura, procurava alívio na esperança florida duma vida melhor. Seu espírito era sadio e novo. Não se abatia. Pelo contrário. Quando a desdita golpeava-o, enchia-se de novas forças e da mais robusta mocidade. E as dores de tão habituais e comuns acabaram por revigorá-lo e enrijecê-lo.* &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;(A Manhã, 19/05/1928)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As primeiras linhas do currículo de Nelson Rodrigues foram preenchidas por três tipos de texto. As grandes matérias, que ocupavam uma página inteira, como o exemplo anterior, eram quase resenhas fantasiosas sobre crimes. Inventava-se muito: detalhes, cenas, pensamentos. O objetivo era arrebatar o leitor, jamais apenas informá-lo sobre os acontecimentos. As do segundo tipo limitavam-se a abordar, com economia, o tema noticiado, sem tecer relações mais profundas do que as já organizadas pelo repórter no ato da escrita. Por último, filé da época, as notas sobre suicídio. Acredite, todos os importantes veículos impressos mantinham então um espaço privilegiado para a exposição dos mais recentes suicídios, contrariando completamente o modelo atual, que pede silêncio, quando não omissão, no tratamento dessas situações.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Maluquices de sucesso&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Mário Rodrigues abandonou a casa e a prole no Recife aos cuidados da mulher Maria Esther, sozinha e desempregada, para procurar a sorte no Rio de Janeiro, nada menos do que a capital do Brasil, todo mundo achou que ele estava ficando louco. Pois em 1928, quando decidiu entregar A Manhã para Agripino Nazareth, deixando órfãos milhares de fãs encantados com os famosos textos inflamados do editor, todo mundo teve certeza de que ele estava, sim, completamente maluco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reviravolta surpreendente acabou se revelando o caminho mais adequado. Apenas seis meses depois do adeus, Mário Rodrigues fundou um novo jornal, A Crítica, novamente no Rio de Janeiro. Com talento para polemizar debates quentes da política, e cada vez mais ácido com os inúmeros inimigos, o vespertino alcançou a marca de 130 mil exemplares vendidos. E Mário Rodrigues era, novamente, o dono do jornal mais vendido do país, agora com uma nova estrela no currículo: a criação de um modelo renovador que ajudou a construir os tempos de ouro da imprensa brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Crítica durou apenas dois anos, até ser empastelado no mesmo dia que Getúlio Vargas tomou a presidência do país, no golpe de estado de 1930. Em seu curto trajeto, porém, o vespertino acumulou feitos dignos de protagonista: solidificou o prestígio do dono, convincente no papel de maior jornalista do seu tempo; promoveu amplos debates sobre a política ditatorial do Brasil da época, expondo opiniões firmes que somente a mais imponente das teimosias seria capaz de produzir; amplificou o poder da crítica de arte, comentando as produções contemporâneas; engrandeceu a cobertura policial, apostando em um misto de literatura e humor, com histórias que encantavam até os leitores mais desconfiados. Como se não bastasse, A Crítica ainda inventou o jornalismo especializado em futebol, inaugurando a era das entrevistas com jogadores e compondo todo um vocabulário próprio, em voga até hoje (a expressão fla-flu, por exemplo, saiu de suas páginas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A depredação da sede, fruto de rixas explicitadas em editoriais incendiários, liquidou não apenas A Crítica, mas também a última geração romântica da imprensa. A imagem de jornalistas heróis driblando brancos criativos em busca da máxima inspiração foi sendo pouco a pouco substituída pelos profissionais e seus cadernos de fontes exclusivas, para quem valioso mesmo é oferecer notícia em primeira mão, não estilo refinado. No auge desta transformação, os Rodrigues partem para O Globo, dirigido por Roberto Marinho, amigo da família, em 1931. É o primeiro passo para o menino Nelsinho transformar-se, definitivamente, em Nelson Rodrigues.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nasce um autor&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nelson Rodrigues permaneceu no jornal O Globo durante uma década. É lá que dá seus primeiros passos na cobertura esportiva, elaborando perfis literários com os gigantes da bola, e aprimora a redação das já clássicas matérias policiais, agora um tantinho (só um tantinho) mais econômicas em devaneios e invenções. Já adulto, o jornalista começa a burilar seu estilo, compondo um arsenal de referências que seriam para sempre marcas registradas de sua poética – no teatro, nos contos, nas crônicas, nos folhetins e na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O amor não tem lógica. Escolhida a mulher que lhe faça vibrar o teclado dos nervos, o homem é um autômato e o mundo fica pequeno se lhe falta o convívio caricioso daquela de vago encanto que é a mulher escolhida pelo passional.&lt;br /&gt;Então, a morte é o último apelo.&lt;br /&gt;O amante, de uma união legalizada pelos códigos, ou simplesmente pelo pacto das almas, sempre indissolúveis, procura o último sono como recurso extremo do seu coração agitado, mas não deixa o objeto do seu deslumbramento para a delícia dos outros homens, que ele passa a odiar coletivamente, sem compreender, em seu delírio, a teoria dos filósofos simplistas, que afirmam existirem muitas mulheres, e que todas as mulheres são iguais.* &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;(O Globo, 12/08/1931)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reportagem “Eu não disse que havíamos de morrer juntos?” mais parece um ensaio, se comparada ao padrão seco do jornalismo atual. Mas o estilo que Nelson Rodrigues desenvolve nessas folhas policiais é exclusivo, intenso e cheio de particularidades, como as paixões que narrou em seu teatro (atraindo e repelindo o público, na mesma medida). Investe pesado nos adjetivos, característica já da sua escrita de menino; pontua com exclamações e reticências, rejeitando qualquer precaução; tematiza a dor do amor e o desespero da aflição, cantando às almas doentes, de excesso ou de falta; repete as mesmas metáforas de forma obsessiva e contumaz, afinal se assumia, ele próprio, “flor de obsessão”. Não demorou muito para que sua autoria, já identificada por milhares de leitores, atraísse uma nova peripécia, digna de folhetim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em O Globo, transformou-se no coringa da redação, escrevendo desde críticas de óperas até histórias infantis – às vezes ainda se passava por tradutor, para garantir um trocado extra. A alta exposição apresentou Nelson Rodrigues ao grupo de intelectuais e artistas da zona sul carioca, onde acumulou algumas polêmicas e muitos amigos famosos. Um deles reconheceu de imediato o seu potencial extraordinário como autor: era Samuel Weiner, jornalista de grande influência na época, getulista de carteirinha e coração. Sem perder tempo, convidou o repórter para compor a equipe daquele que viria a ser o jornal mais moderno até então, o lendário Última Hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nelson Rodrigues já era um dramaturgo controverso, acusado, ao mesmo tempo, de pai do teatro brasileiro moderno e insuperável tarado da dramaturgia nacional. A instável trajetória no tablado rendeu inúmeros textos censurados e, claro, nenhuma moeda no bolso. Sempre acossado pelo imperativo do dinheiro, já que sustentava parte da família Rodrigues após a morte do patriarca – e dinheiro não era o problema para Weiner, famoso por oferecer salários muito acima do mercado –, aceitou a proposta, com o aval do próprio Roberto Marinho, concorrente do novo jornal (em negócios e ideologia), e assinou contrato em 1951.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o convite era irrecusável, o projeto pensado por Weiner conseguia ser mais rodrigueano do que o próprio Nelson Rodrigues: uma coluna diária, misto de crônica e conto, baseada em alguma reportagem do jornal, de preferência da editoria policial. Iria se chamar “Atire a primeira pedra”, ideia do chefe, logo refutada pelo autor: por que não “A vida como ela é...”? Ninguém recusou. Como Nelson Rodrigues já era um ficcionista, afinal escrevia teatro e começara a publicar folhetins, a ordem de se inspirar em fatos reais só seria acatada da primeira vez. A partir do segundo texto, seria tudo criação. A mais legítima criação rodrigueana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A vida como ela é...”, com reticências mesmo, como convinha à tradição hiperbólica, encantou os leitores desde a primeira maiúscula. Em qualquer bonde em circulação no Rio de Janeiro era possível encontrar passageiros deliciados com as artimanhas da seção. Alguns em lágrimas, outros às gargalhadas. A coluna virou mania nacional, rendendo fama ao autor e suscitando debates em mesas de bar, estádios de futebol, almoços em família, passeios no parque e tardes na praia. Uma combinação rara de ingredientes revela o segredo do sucesso: enredos bombásticos, protagonizados por adúlteros em chamas, quase sempre mulheres; linguagem inovadora, que aposta em simplicidade e coloquialismo sem perder a sofisticação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As 2 mil colunas, publicadas ao longo de dez anos, são um caldeirão de estilo. Suas frases de efeito conquistaram o público de imediato, sempre pontuadas por exclamações e exageros típicos das paixões desenfreadas. Suas expressões, repetidas ao infinito, reproduziam com graça o linguajar das ruas, e suas personagens se debatiam entre um e outro “bye, bye”, “assim assim”, “batata” e tantos mais. Ainda havia aqueles nomes tão característicos: Gusmão, Glorinha, Palhares, Doutor Borborema – mais tipos do que personagens, até hoje associados à obra do autor. Para completar, vez ou outra o cronista acionava os genes do pai, bradando polêmicas morais (“Nem toda mulher gosta de apanhar, apenas as normais”), políticas (“O brasileiro é um Narciso às avessas, que cospe na própria imagem”) e culturais (“Os jovens têm todos os defeitos dos adultos e mais um, a imaturidade”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nelson Rodrigues está inteiramente ali: nas mulheres devassas que se entregam ao primeiro desconhecido da esquina; nas vizinhas moralistas sempre à espera do pecado alheio; nas tramas repletas de surpresas, reviravoltas e golpes do destino; na construção criativa e debochada do carioca way of life, uma invenção sua, afinal de contas; na magnitude oferecida ao trivial, movimento pioneiro da ficção brasileira. “A vida como ela é...”, inspirada nas matérias policiais que escreveu desde menino, mudou sua vida profissional, tornou-o um autor consagrado, invadiu seu teatro, ganhou as ruas. E ensinou a nós, brasileiros de carteirinha como ele, que espiar pelo buraco da fechadura é sempre mais gostoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* Trechos retirados do livro &lt;em&gt;O baú de Nelson Rodrigues: Os primeiros anos de crítica e reportagem (1928-35)&lt;/em&gt;, editora Companhia das Letras, 301 páginas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;** Artigo publicado na Revista Lounge deste mês (jul-ago 2011).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-5725911233144012274?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/5725911233144012274/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/07/pena-de-ouro_21.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/5725911233144012274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/5725911233144012274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/07/pena-de-ouro_21.html' title='Pena de Ouro **'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-tuYT6SaGyME/TigZ5xJu9mI/AAAAAAAAAOM/MrxU5UB2ZP8/s72-c/nelson_agora.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-8954293408238129630</id><published>2011-06-25T15:28:00.000-07:00</published><updated>2011-06-25T15:35:19.612-07:00</updated><title type='text'>Desconstruindo Woody Allen *</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-p28WwqDo4qM/TgZiD7Q4cgI/AAAAAAAAANs/-KxBrwl8PS8/s1600/Meia%2BNoite%2Bem%2BParis%2Bh.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-p28WwqDo4qM/TgZiD7Q4cgI/AAAAAAAAANs/-KxBrwl8PS8/s400/Meia%2BNoite%2Bem%2BParis%2Bh.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5622289004406272514" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;* versão do autor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Obra do diretor norte-americano sugere três leituras distintas sobre as aventuras e as&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;paranóias da civilização moderna&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Com mais de 40 filmes no currículo, Woody Allen firma-se como uma das mais potentes assinaturas do cinema contemporâneo. Disputado por artistas de renome e com uma coleção de medalhas cults e sucessos de alcance popular, ancora sua poética no debate de dores e aspirações típicas da modernidade. Observada a partir da sua mais recente obra, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Meia Noite em Paris&lt;/span&gt; (em cartaz nos cinemas do estado), a autoria do roteirista, diretor e ator norte-americano insinua a construção de três grandes palcos para a experiência humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro, presente ao longo de sua trajetória, enfatiza o caráter trágico de situações comuns à atualidade (ainda que desconfortáveis), impondo escolhas extremas e definitivas, que transformam a vida dos (anti-) heróis, expulsando-os da zona de conforto. É o caso de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Crimes e Pecados&lt;/span&gt; (1989), que conta o drama do médico Judah Rosenthal, disposto a assassinar a amante para livrar sua reputação de interferências negativas. O mal-estar retorna em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Match Point&lt;/span&gt; (2005), microcosmo do seu "cinema de dilema", no qual o protagonista Chris Wilton vive um pesadelo à Dostoiévski após se envolver com uma aspirante a atriz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se afasta do trágico, Allen ergue um outro universo, excêntrico agora, que remete à maneira libertária como o espanhol Pedro Almodóvar encara a realidade. Segue, então, o caminho inverso: abandona a tragificação do cotidiano, naturalizando as situações mais exóticas, simplificando descaminhos (aparentemente) chocantes, amplificando o mínimo detalhe que transforma desvio em imperativo. É este Woody Allen subversivo que aparece, por exemplo, em Vicky, Cristina, Barcelona (2008), palco de inusitadas escolhas sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em ambos os casos, desenvolve uma discussão ética: em última instância, o modo como adaptamos (ou não) nossas buscas e aspirações à sociedade. O que difere um universo do outro é a naturalidade com que suas personagens mais livres sobrevivem aos próprios dilemas e erros. E é justamente esse imperativo (trágico) da decisão que Woody Allen abandona em sua terceira abordagem, revivida em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Meia Noite em Paris&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Focado no cômico latente da experiência humana, seu terceiro palco reúne personagens  neuróticas e deslocadas, apaixonadas por remédios e fóbicas da vida, e conquistou a intimidade (e as gargalhadas) da plateia. É a maior fase da obra do autor, quantitativamente, rendendo comédias espirituosas que marcaram época, como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bananas &lt;/span&gt;(1971), &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Annie Hall&lt;/span&gt; (1977) e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Desconstruindo Harry&lt;/span&gt; (1997).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora tenha fundamentado a carreira do diretor ao longo dos anos, comediante desde os primeiros passos, a ênfase no cômico já não parece capaz de acrescentar grandes feitos à sua obra. Contando a história de um romancista inédito que sonha em viver na década de 20, cenário dos seus ídolos Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway e Cole Porter, Woody Allen retoma a abordagem superficial, os clichês previsíveis e as lições de moral (cada vez mais explícitas) de dois dos seus filmes mais insossos, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Scoop &lt;/span&gt;(2006) e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Escorpião de Jade&lt;/span&gt; (2001). Repleto de referências, rasas para os conhecedores e obscuras para os desavisados, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Meia Noite em Paris&lt;/span&gt; constrói uma década de 1920 caricata, com pinceladas apressadas que muitas vezes apenas ratificam certa mitologia, bastante desgastada, sobre os heróis da década perdida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Jade Gandra Dutra Martins é professora convidada do curso de cinema da UFSC&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(texto publicado originalmente no DC Cultura, 25/06/2011)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-8954293408238129630?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/8954293408238129630/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/06/desconstruindo-woody-allen.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/8954293408238129630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/8954293408238129630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/06/desconstruindo-woody-allen.html' title='Desconstruindo Woody Allen *'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-p28WwqDo4qM/TgZiD7Q4cgI/AAAAAAAAANs/-KxBrwl8PS8/s72-c/Meia%2BNoite%2Bem%2BParis%2Bh.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-1868476720486630677</id><published>2011-06-13T11:24:00.000-07:00</published><updated>2011-06-13T11:34:13.834-07:00</updated><title type='text'>(re) conexão *</title><content type='html'>porque viver de verdade é sempre ao vivo. aiai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;* Por Jonathan Franzen (trad. Augusto Calil, publicado no Caderno Link).&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Falando numa perspectiva mais geral, o objetivo definitivo da tecnologia, a teleologia da techné, é substituir um mundo natural indiferente a nossos desejos – um mundo de furacões e dificuldades e corações partíveis, um mundo de resistência – por outro mundo que responda tão bem a nossos desejos a ponto de ser, com efeito, uma mera extensão do ser. Permita-me sugerir, finalmente, que o mundo do tecnoconsumismo é, portanto, incomodado pelo amor verdadeiro, restando-lhe como única escolha responder perturbando o amor.&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;Um fenômeno relacionado a esse é a transformação do verbo “curtir” (“like”, em inglês) que, graças ao Facebook, deixa de ser um estado de espírito e passa a ser um ato que desempenhamos com o mouse – deixa de ser um sentimento para virar uma opção de consumo. E curtir é, no geral, o substituto que a cultura comercial oferece para o ato de amar. A característica mais notável de todos os produtos de consumo – e principalmente dos dispositivos eletrônicos e aplicativos – é o fato de terem sido projetados para serem imensamente curtíveis. Esta é, na verdade, a definição de um produto de consumo, em contraste com o produto que é apenas aquilo que é e cujos fabricantes não estão concentrados na possibilidade de o curtirmos ou não.&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;O simples fato é que a tentativa de ser perfeitamente curtível é incompatível com os relacionamentos amorosos. Mais cedo ou mais tarde, por exemplo, você se verá numa briga horrível, aos berros, e ouvirá saindo de sua boca palavras que você mesmo não curte nem um pouco, coisas que estilhaçam sua autoimagem de pessoa justa, gentil, bacana, atraente, controlada, divertida e curtível. Alguma coisa mais real do que a curtibilidade surgiu de você e de repente você se vê levando uma vida real.&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;Subitamente existe uma escolha de verdade a ser feita – não uma falsa escolha de consumidor entre BlackBerry e iPhone, e sim uma pergunta: Será que eu amo esta pessoa? E, para o outro, será que esta pessoa me ama?Não existe a possibilidade de curtir cada partícula da personalidade de uma pessoa real. É por isso que um mundo de curtição acaba se revelando uma mentira. Mas é possível pensar na ideia de amar cada partícula de uma determinada pessoa. E é por isso que o amor representa tamanha ameaça existencial à ordem tecnoconsumista: ele denuncia a mentira.&lt;br /&gt;Isso não equivale a dizer que o amor envolve apenas as brigas. O amor é questão de empatia ilimitada, nascida de uma revelação feita pelo coração mostrando que outra pessoa é tão real quanto você. E é por isso que o amor, ao menos no meu entendimento, é sempre específico. Tentar amar a toda a humanidade pode ser um empreendimento digno, mas, de um jeito engraçado, isso mantém o foco no eu, no bem estar moral ou espiritual do eu. Ao passo que, para amar uma pessoa específica e identificar-se com as lutas dela como se fossem as suas, é preciso abrir mão de parte de si.&lt;br /&gt;Neste caso, o grande risco envolvido é, sem dúvida, a rejeição. Todos nós podemos suportar momentos em que não somos curtidos, pois existe uma gama virtualmente infinita de curtidores em potencial. Mas expor a totalidade do seu eu, e não apenas a superfície curtível, e com isto ser rejeitado, é algo que pode se revelar insuportavelmente doloroso. A perspectiva geral da dor, a dor da perda, da separação, da morte, é o que torna tão tentadora a ideia de evitar o amor e permanecer em segurança no mundo do curtir.&lt;br /&gt;Ainda assim, a dor machuca, mas não mata. Quando levamos em consideração a alternativa – um sonho anestesiado de autossuficiência, incentivado e aprovado pela tecnologia – a dor emerge como produto natural e indicador natural de que estamos vivos num mundo resistente. Levar uma vida indolor equivale a não viver. Até dizer a si mesmo, “Ah, vou deixar para depois esta história de amor e de dor, talvez para depois dos 30 anos” é como resignar-se a passar 10 anos simplesmente ocupando espaço no planeta e consumindo seus recursos. Resignar-se a ser um consumidor (palavra que emprego no seu sentido mais pejorativo).&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Curtir é covardia", na íntegra, &lt;a href="http://blogs.estadao.com.br/link/curtir-e-covardia/"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-1868476720486630677?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/1868476720486630677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/06/re-conexao.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/1868476720486630677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/1868476720486630677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/06/re-conexao.html' title='(re) conexão *'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-6983680488888823647</id><published>2011-06-08T12:51:00.000-07:00</published><updated>2011-06-08T12:55:36.963-07:00</updated><title type='text'>despertando</title><content type='html'>"O rapaz continuou a narração: ele compreendeu de imediato a rasteira do destino; ela demorou, demora ainda. As pistas da exclusividade já haviam sido fornecidas, inclusive, em outras ocasiões, algumas nem tão agradáveis. Se um dia ele se casasse, lembrou a famosa frase, se um dia abraçasse aquele ato impraticável, e riu, seria apenas com ela, Nina – e ele sabia desde menino. Se alguém ainda pudesse arrancá-la daquela dor e daquele peso, só podia ser ele, Tom - e ela ainda custava a aceitar a oferta. Mesmo tendo dinamitado o futuro duvidando dos antigos acertos do amor, e acreditando naquela sucessão de erros fantasiados de poesia, ainda assim a vida esticara o pé e pimba. Mais maduros, jamais repetiriam o mesmo erro. Porque a vida sempre seria maior, superior a todas as falsas razões; porque o tempo trabalha a favor dos fortes, os raros que torcem e vibram e lutam de verdade, os únicos capazes de desprezar as miudezas, donos de almas que transbordam. Já pisavam a primeira primavera só de margaridas. E logo reduziriam, enfim, aquela penca de achismos, dela e dele, a minúsculos vermes rastejando diante do resto gigante. O resto gigante, maravilhoso, estapafúrdio; o supérfluo indispensável. Porque tentar minar aquele amor era uma luta de formigas e elefantes, e eles eram os elefantes. Porque, pela primeira vez, ele não tinha mais medo algum da esperança. Porque ninguém, absolutamente ninguém, atravessa sete anos, onze meses e 23 dias com uma dor no coração sem procurar a cura no lugar certo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;(velhas letrinhas em...)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-6983680488888823647?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/6983680488888823647/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/06/despertando.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/6983680488888823647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/6983680488888823647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/06/despertando.html' title='despertando'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-3526703029013035842</id><published>2011-06-07T12:38:00.000-07:00</published><updated>2011-06-07T12:41:59.537-07:00</updated><title type='text'>''A obra de arte tem de ser imperfeita'' *</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* Por Arnaldo Jabor&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia, o Nelson Rodrigues baixou em mim. De vez em quando, eu o psicografo. É impressionante como escrevo rápido quando o espírito de Nelson me toma. Escrevo com a liberdade de não ser "eu". Talvez seja por isso que F. Pessoa inventou heterônimos para se sentir livre da cangalha do "eu".&lt;br /&gt;Muitos jovens me perguntam: "Afinal, quem foi o Nelson?"&lt;br /&gt;Não sabem direito. Ficou apenas a vaga lenda de "pornográfico" ou até de "fascista" por ter puxado o saco do ditador Médici (lembram?) para tirar seu filho da prisão. Não conseguiu, mas ganhou a pecha "de direita" por ter criticado futuros mensaleiros e pelegos, os "marxistas de galinheiro", como ele os chamava, pois intuiu claramente, na época, que a ideologia que "absolve e justifica os canalhas" era apenas o ópio dos intelectuais.&lt;br /&gt;Eu mesmo sofri por causa dele. Em 1973, ousei filmar &lt;em&gt;Toda Nudez Será Castigada&lt;/em&gt; e dei uma entrevista na Veja em que dizia que "fascismo é amplo: existe fascista de direita e de esquerda também". Pra quê? Os patrulheiros ideológicos mandaram um manifesto ao Jornal do Brasil, onde me esculhambavam indiretamente, dizendo que o sucesso imenso que o filme fazia "não era a missão política do cinema novo". Foi das grandes dores que senti, pois até amigos assinaram o maldito texto, que só não foi publicado porque, um dia antes, os generais tiraram o filme de cartaz, com soldados de metralhadora, levando as cópias dos cinemas porque, dizia o chefe da Censura: "Ele faz apologia do homossexualismo..."&lt;br /&gt;Aí, meus "amigos" comunas desistiram do texto "para não dar razão ao inimigo principal", que era a ditadura. Eu e Nelson éramos "inimigos secundários", para usar a língua de Mao Tsé-tung. Isso é verdade e nunca contei aqui. Doeu, mas já passou.&lt;br /&gt;Aí, o filme voltou a cartaz porque ganhou o Urso de Prata no Festival de Berlim; os generais ficaram com medo da repercussão internacional (imensa) e liberaram meu filme, baseado numa peça do "fascista pornô". Mas a importância de Nelson continua subestimada.&lt;br /&gt;Hoje, a "pornopolítica" tomou conta de tudo e Nelson é que tem fama de "pornográfico" - logo quem: um moralista que corava diante de um palavrão. Nelson é muito mais. Filho do jornalismo policial, formado nas delegacias sórdidas, vendo cadáveres de negros plásticos, metido no cotidiano "marrom" do jornal do pai, Nelson flagrou verdades imortais que estavam ali, no meio da rua, na nossa cara, e que ninguém via.&lt;br /&gt;Consideram-no o maior dramaturgo do País, sem dúvida, mas não o colocam no pódio da literatura culta, ao lado de gente como Guimarães Rosa, por exemplo, que o irritava muito: "Jabor, diga-me pelo amor de Deus, qual a profundidade da frase "Viver é muito perigoso"?" Ou: "A gente morre para provar que viveu...?" Nelson implicava com a pose do Rosa.&lt;br /&gt;Uma vez, ele me disse ao telefone que o "problema da literatura nacional é que nenhum escritor sabe bater um escanteio". É luminoso.&lt;br /&gt;Outra vez, ele falou: "Se Deus me perguntar se eu fiz alguma coisa que preste na vida, eu responderei a Deus: "Sim, Senhor, eu inventei o óbvio!""&lt;br /&gt;Sua literatura nos ensina o óbvio e isto é muito profundo numa literatura eivada de engajamentos "corretos" ou de intenções formais rocambolescas. Gilberto Freyre sacou sua "superficialidade profunda", assim como André Maurois entendeu que a genialidade de Proust era justamente "a épica das irrelevâncias..." E isto é muito saudável, num país onde ninguém escreve um bilhete sem buscar a eternidade. Nelson é um escritor contemporâneo.&lt;br /&gt;Até hoje, muita gente não entendeu que sua grandeza está justamente na sincronia com os detritos do cotidiano. A faxina que Nelson fez na prosa é semelhante à que João Cabral fez na poesia.&lt;br /&gt;Nelson baniu as metáforas a pontapés "como ratazanas grávidas" e criou o que podemos chamar de antimetáforas feitas de banalidades condensadas. Suas comparações sempre nos remetem a um "mais concreto". Shakespeare tinha isso, Cervantes, também. E algumas crônicas de Nelson são superiores a muitas peças.&lt;br /&gt;Suas frases famosas jamais aspiravam ao "sublime": "o torcedor rubro-negro sangra como um César apunhalado", "a mulher dava gargalhadas de bruxa de disco infantil", "em seu ódio ele dava arrancos de cachorro atropelado", "seu peito se encheu de heroísmo como anúncio de fortificante", "a bola seguia Didi com a fidelidade de uma cadelinha ao seu dono", "a virtude é bonita, mas exala um tédio homicida; não acredito em honestidade sem acidez, sem dieta e sem úlcera", "o sujeito vive roendo a própria solidão como uma rapadura", "somos uns Narcisos às avessas que cuspimos na própria imagem".&lt;br /&gt;Ele me dava lições de arte e literatura: "Enquanto o Fluminense foi perfeito, não fez gol nenhum. A partir do momento em que o Fluminense deixou de ser tão elitista, tão Flaubert, os gols começaram a jorrar aos borbotões. E aí vem a grande verdade: "A obra-prima no futebol e na arte tem de ser imperfeita". Isso. Contemporâneo e minimalista, via, como Oswald, que a poesia está nos fatos, no vatapá no outro e na dança - "o que estraga a obra de arte é a unidade".&lt;br /&gt;A lição política de Nelson é: o Brasil não se salvará com planos messiânicos ou ideias gerais de "epopeias de Cecil B. de Mille", sejam elas epopeias operárias ou epopeias neoliberais.&lt;br /&gt;Nelson, sem cultura política nenhuma, profetizou que os atos "indutivos", as providências parciais eram muito mais importantes que generalidades utópicas e "dedutivas". O "óbvio ululante" é limpar a casa e cuidar do detalhe, do enxugamento do Estado, "chupando a carótida dos chefes das estatais como tangerinas" quando se mostrarem ladrões ou favorecendo correligionários, como vemos todo dia.&lt;br /&gt;Nossa opinião pública está muito mais informada hoje, mas ainda é precária e desinformada. Como ele dizia: "Consciência social de brasileiro é medo da polícia". Até hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Publicado em &lt;em&gt;O Estado de São Paulo&lt;/em&gt;, 07/06/2011) &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-3526703029013035842?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/3526703029013035842/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/06/obra-de-arte-tem-de-ser-imperfeita.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/3526703029013035842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/3526703029013035842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/06/obra-de-arte-tem-de-ser-imperfeita.html' title='&apos;&apos;A obra de arte tem de ser imperfeita&apos;&apos; *'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-7647309225383553952</id><published>2011-06-03T10:28:00.000-07:00</published><updated>2011-06-03T10:31:46.080-07:00</updated><title type='text'>a vitória do oxigênio</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;Tom compreendeu cada uma das palavras escorregadias, assim como aceitou com tranqüilidade as lágrimas presas em esconderijos pela casa. Alguns muitos tempos atrás, Nina o enxergara da profundidade à superfície e mesmo assim decidira permanecer; aquela era a hora, então, de retribuir a delicadeza com que ela tratara todos os dramas e ensaios até a súbita explosão da gota d'água, justamente onde as névoas se concentravam. Quando as lágrimas se tornaram maiores e mais volumosas, exibidas num excesso na cama, resistentes a soluços e fungadas, levantou a namorada com carinho e olhou-a com toda calma do mundo. Nunca a vira chorar, disse. Nunca a vira chorar embora tanto já tivesse visto na vida, e tantas coisas que motivariam o choro até mesmo dos mais nobres, mais capazes, mais corajosos, continuou. Os raros - sussurrou. Era verdade, ela pensou; diante do choque das lágrimas inéditas daquele jantar de quase noivado, ignorou sua própria incapacidade diante dele. Era saudade do pai, mentiu, lamentando em seguida: continuava se sentindo incapaz de dizer a verdade. Já começava a delimitar, no entanto, os contornos daquele fato imprevisto, desprezado por ambos em suas ansiedades: eles não eram mais os mesmos. E talvez algo ali já fosse irrecuperável.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;(velhas letrinhas blá blá blá...)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-7647309225383553952?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/7647309225383553952/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/06/vitoria-do-oxigenio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/7647309225383553952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/7647309225383553952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/06/vitoria-do-oxigenio.html' title='a vitória do oxigênio'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-3618017261407791430</id><published>2011-06-02T05:59:00.000-07:00</published><updated>2011-06-02T07:53:32.456-07:00</updated><title type='text'>Paraíso perdido *</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-748P3rZwonM/TeeJqc2MgCI/AAAAAAAAANg/70f-ZAaHbeg/s1600/f_scott_fitzgerald.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5613606822931628066" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 295px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-748P3rZwonM/TeeJqc2MgCI/AAAAAAAAANg/70f-ZAaHbeg/s400/f_scott_fitzgerald.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;Prestes a completar 90 anos, romance de estreia de Scott Fitzgerald reconstrói a esperança e o fracasso de uma geração desiludida&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;Amory Blane cresceu entre taças reluzentes e festas glamourosas. Seleciona amigos em confrarias restritas à alta roda, debate assuntos polêmicos com a arrogância incansável dos imaturos, esnoba escolas exclusivas e faculdades que formaram presidentes. Retrato de uma geração deslumbrada com as infinitas possibilidades de ascensão social, não perde a fé no sonho americano e, sobretudo, no próprio futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Este Lado do Paraíso&lt;/em&gt; (Cosac Naify, 335 pgs., R$ 69), porém, não se limita (apenas) à elaboração de personagens desesperadas por desfrutar a vida até a última gota – de álcool e prazer. Oscilando entre a euforia e o desespero, refaz a curva trágica de madrugadas plenas de dissipação, típicas da era do jazz, que culminam, sempre, em manhãs violadas por ressacas grandiosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repleto de expectativas borbulhantes, o jovem Amory acaba vítima dos próprios delírios de ascensão. O excesso de ofertas e autoconfiança torna-o incapaz de aprofundar e amadurecer qualquer experiência, minando o futuro glorioso. Seu fim é o destino de boa parte da geração que viveu aqueles tempos de fortuna e modernização: pobre e solitário, sem diploma, sem futuro e com o frigobar vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sucesso absoluto de crítica e público, &lt;em&gt;Este Lado do Par&lt;/em&gt;aíso vendeu inacreditáveis 50 mil exemplares, definiu uma época, disseminou gírias e ainda transformou seu autor em pop star. Com os bolsos cheios de dólares, Fitzgerald conseguiu casar-se com uma excêntrica dama da alta sociedade, Zelda, alcançou as colunas sociais e conquistou a tão desejada elite norte-americana. Era o passaporte que faltava para encarnar, ele mesmo, a falência do sonho americano tão bem retratada em sua ficção – morreu aos 44 anos pobre e solitário, alcoólatra e esquecido, como suas tristes personagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que contar a história do menino que prometia conseguir se tornar tudo aquilo que almejasse, analogia da prosperidade da nação americana antes da quebra da Bolsa de Valores de 1929, Fitzgerald evoca a decadência de uma geração que acorda miserável do sonho dourado – sem dinheiro e sem valores. A transformação das infinitas promessas da “nação mais poderosa do mundo” em uma espécie de desespero que tudo congela não apenas inaugura a ficção do autor como permanece como elemento central de sua poética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se prosseguiu abordando o tema durante toda a sua trajetória ficcional, como e&lt;em&gt;m Belos e Malditos&lt;/em&gt; (1922) e &lt;em&gt;Suave É a Noite&lt;/em&gt; (1934), desenvolvendo um estilo mais amadurecido, embora com o mesmo frescor, é em &lt;em&gt;O Grande Gatsby&lt;/em&gt; (1925) que explora os desdobramentos mais cruéis da escalada social. Seu herói, Jay Gatsby, mergulha tão fundo na ilusão do sonho americano que chega a morrer por ela. No fim das contas, este parece ser um chamado legítimo entre os protagonistas do autor, porta-voz da “geração perdida” da literatura americana. Afinal, como repete Amory Blane, “não quero repetir minha inocência. Quero ter o prazer de voltar a perdê-la”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;As linhas da decadência&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estreia de Scott Fitzgerald no universo dos romances, &lt;em&gt;Este lado do paraíso&lt;/em&gt; inaugura também um olhar exclusivo sobre a derrocada dos heróis da era do jazz, assinatura de sua poética. Os descaminhos da desilusão americana estão presentes em todos os romances do autor, retratados sempre com frescor e profundidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Belos e Malditos&lt;/strong&gt; (1922) – Segunda obra, conta a vida cintilante e irresponsável de Anthony Patch, herdeiro milionário formado em Harvard, e sua bela e fútil Gloria. A narrativa amadurece muitos temas da estreia: ascensão social súbita, desperdícios em noitadas intermináveis, paraísos artificiais, bebedeiras infindáveis, sonhos despedaçados e muitas, incontáveis extravagâncias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Grande Gatsby&lt;/strong&gt; (1925) – Considerado por muitos a obra-prima do autor, condensa na trajetória duvidosa de Jay Gatsby a grande curva trágica da geração perdida. De garoto pobre a contrabandeador da lei seca, o protagonista arma-se de dinheiro e mistério para reconquistar a hesitante Dayse, namorada de adolescência que lhe trocou pelo milionário Tom Buchanan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Suave é a noite&lt;/strong&gt; (1934) – Tristemente autobiográfico, narra a ascensão e derrocada do alcoólatra Dick Diver, espécie de prodígio maldito, que abandona a medicina por uma vida de dissipação ao lado da mulher Nicole Diver, louca e milionária – livremente inspirada em sua mulher Zelda Fitzgerald. O autor levou oito anos para conseguir concluir o romance, dividido entre a ficção e constantes rehabs para amenizar o alcoolismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Último Magnata&lt;/strong&gt; (1941) – Obra póstuma, alimentada pelas derradeiras experiências profissionais do autor, como roteirista de cinema. A história persegue a trajetória do produtor Monroe Stahr (baseado em Irving Thalberg, antigo chefe da MGM), focalizando a encantadora Hollywood da década de 30. Fitzgerald morreu subitamente, de ataque cardíaco, enquanto ainda trabalhava nos últimos capítulos. A obra foi finalizada pelo seu amigo e editor, Edmund Wilson.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(texto originalmente publicado no DC Cultura, 22/05/2011)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-3618017261407791430?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/3618017261407791430/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/06/paraiso-perdido.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/3618017261407791430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/3618017261407791430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/06/paraiso-perdido.html' title='Paraíso perdido *'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-748P3rZwonM/TeeJqc2MgCI/AAAAAAAAANg/70f-ZAaHbeg/s72-c/f_scott_fitzgerald.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-6313583956057038584</id><published>2011-05-12T12:25:00.000-07:00</published><updated>2011-06-03T11:56:32.032-07:00</updated><title type='text'>quase só medo</title><content type='html'>Olhou para a bela casa azulejada e não conteve o suspiro: alguns sentimentos jamais deveriam passar da esperança à realidade. Ainda havia uma dor miserável ali, impura e resistente, capaz de enferrujar as expectativas mais legítimas. O mesmo medo paralisante das outras duas tentativas, impróprias, rasgadas, inacabadas. Mas sempre lhes fora mais conveniente engrossar os escudos e bloquear as fechaduras. Evitar o futuro com corridas estapafúrdias, oferecer as mãos cheia de limo para escapar do coração. Assumir o palhaço trágico, transformando em blague experiências indizíveis, compartilhar a graça para não sufocar de nada, velhos senhores de trevas tão caprichosas. Olhou a bela casa azulejada e não conteve a coragem: tentaria de verdade aquela vez. E se estavam ali, remodelados como em sonhos distantes, é porque precisavam vestir aquelas plumas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-6313583956057038584?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/6313583956057038584/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/05/quase-so-medo.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/6313583956057038584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/6313583956057038584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/05/quase-so-medo.html' title='quase só medo'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-5281993037873753956</id><published>2011-05-11T12:28:00.000-07:00</published><updated>2011-05-11T12:29:50.551-07:00</updated><title type='text'>c'est interdit penser à autre chose</title><content type='html'>&lt;em&gt;Lado a lado, e com as taças já pela metade, tentaram retomar assuntos abandonados na noite anterior. Tom estava seguro, sem dúvida, mas em nenhum momento recorreu à violência enrustida com que conduzia com destreza as conversas de juventude. Mesmo mais suavizado, colorido agora nas tintas do sépia, constrangia com o oferecimento daquele vasto cardápio de confiança, exatamente como ela o violentara no último jantar, pela tranqüilidade com que atravessara cada dúvida no sofisticado restaurante. Nina, como ela própria já imaginava, não conseguia mais atordoá-lo com assertivas, muito menos extorquir as palavras certas com pulso firme e decidido; a noite passada fora demasiadamente promissora para que brincasse de exercitar valentias. Era como se tudo tivesse adquirido certa gravidade, mais uma carga de definitivo, e não gostaria de autorizar qualquer borrão às linhas daquela reescrita. Era difícil para ambos aceitar tamanha entrega, um diante do outro, driblando dores e humilhações, camuflando em palavras bem escolhidas tudo o que não conseguiam iluminar, brincando de voltar ao passado quando desejavam apenas revolver o futuro. Imaginavam-se, no entanto, cúmplices também naquilo, e isso tornava o sofrimento um pouco mais leve.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-5281993037873753956?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/5281993037873753956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/05/cest-interdit-penser-autre-chose.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/5281993037873753956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/5281993037873753956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/05/cest-interdit-penser-autre-chose.html' title='c&apos;est interdit penser à autre chose'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-7552817435943558048</id><published>2011-05-10T11:53:00.000-07:00</published><updated>2011-05-10T11:54:13.516-07:00</updated><title type='text'>permanências</title><content type='html'>Degustaram a sobremesa envolvidos num silêncio equilibrado entre a esperança e o sossego; como nos velhos tempos, bastavam-se, e compreendiam-se, e distraíam-se, apenas. Ao fim da refeição, sabiam ambos, a mais significativa das intimidades já fora resgatada, e nem todas as famílias, conversas e cidades, e nem todos os dias, luas e passados conseguiriam explicar a facilidade da restauração. Para Nina, Tom soava menos selvagem, menos seguro, muito mais delicado, e era bom encontrá-lo assim. Menos dramático; mais atencioso e verdadeiro. A Tom, Nina parecia mais madura, mais calma, muito menos convicta, novos contornos capazes de aproximá-los ainda mais, como testemunhas da vida um do outro, do que quiseram ser e não conseguiram, do que desejaram ter e não encontraram à venda, do que sonharam se transformar e enfim tiveram coragem para se tornar. Já não possuíam qualquer dúvida sobre o próximo encontro, seria o mais breve possível, como escancarou o convite: almoçariam juntos no dia seguinte? Claro, e Nina não conteve o sorriso largo, enquanto mastigava a última raspa de chocolate do doce. O excesso de “experiência concentrada” até a turma percebia, ele continuou, o que desejava saber, no entanto, talvez confirmasse a única sentença imune às tempestades do verão: alguém depois dele lhe jurara não morrer?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-7552817435943558048?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/7552817435943558048/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/05/permanencias.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/7552817435943558048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/7552817435943558048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/05/permanencias.html' title='permanências'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-8109446374299867045</id><published>2011-05-09T07:56:00.000-07:00</published><updated>2011-05-09T07:57:45.740-07:00</updated><title type='text'>canções de outono</title><content type='html'>&lt;p&gt;"Olhou bem para o pai, parado em sua frente, e reparou triste naquele perfil bonito que agora apenas insinuava o retrato de outrora. Viu-o cheio de falhas, na memória, na lógica, nos sentimentos, escondido por trás de um monte de títulos que afinal não serviram para muita coisa. Não podia mais obtê-los, já não podia sequer usufruir os já existentes. Tão inteligente e tão respeitado; tão incompreensível em sua doença inédita. Pensou pela primeira vez em desistir; a distância metafórica do pai lhe dizia que chegara longe demais com aquela visita forçada, e era realmente muito difícil caminhar por entre as curvas de uma loucura tão estranhamente lúcida como aquela. Sentia-se sem munição, a não ser aquelas que vêm do coração, e estas, geralmente, atingem sempre alvos interditados ou impróprios. Baixou a cabeça, deixando escorrer o lenço cor-de-rosa, e cobriu os olhos com a mão. Só conseguiu sair de si ao observá-lo devolvendo o lenço ao seu cabelo agora trançado, enquanto ouvia, baixinho em seu ouvido: então conseguira encontrar alguém à sua altura? Encarou-o, mais esperançosa do que nunca, e abraçou-se nele, deixando-se morrer ali, naquele instante. Teria dado um pedaço de seu talento, o mais especial, para escutar do pai qualquer resto de voz àquela tarde. Enlaçaram-se uma outra vez, e ela só aceitou deixar o quarto após ouvir numa segunda frase mal costurada que ele faria de tudo para melhorar o quanto antes. Ela precisava dele, afirmou, muito mais do que ele dela, pensou, sozinha. Antes de fechar a porta, devagarzinho, com cuidado, ainda observou o arrastar violento das cortinas, vedando novamente o quarto de qualquer contato externo". &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(velhas letrinhas em correção)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-8109446374299867045?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/8109446374299867045/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/05/cancoes-de-outuno.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/8109446374299867045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/8109446374299867045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/05/cancoes-de-outuno.html' title='canções de outono'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-7784328470358190372</id><published>2011-04-08T11:31:00.000-07:00</published><updated>2011-04-09T13:52:33.775-07:00</updated><title type='text'>dupla comemoração</title><content type='html'>Um dos meus romances de cabeceira completa 90 anos agora:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sabia que deus não existia em seu coração; suas ideias ainda eram tumultuadas; a dor estava sempre presente; a nostalgia da juventude perdida não o abandonava. Porém, as águas da desilusão haviam depositado um sedimento em sua alma, a responsabilidade e o amor pela vida, o ligeiro estímulo de antigas ambições e sonhos não realizados".&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(&lt;em&gt;Este lado do paraíso&lt;/em&gt;, de Scott Fitzgerald)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;E um dos meus mais novos &lt;a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&amp;amp;local=18&amp;amp;source=a3261229.xml&amp;amp;template=3898.dwt&amp;amp;edition=16809&amp;amp;section=846"&gt;livros de cabeceira&lt;/a&gt; acaba de despontar na &lt;a href="http://www.google.com.br/search?q=almanaque+do+futebol+catarinense&amp;amp;ie=utf-8&amp;amp;oe=utf-8&amp;amp;aq=t&amp;amp;rls=org.mozilla:pt-BR:official&amp;amp;client=firefox-a"&gt;aldeia&lt;/a&gt; global. :o)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-7784328470358190372?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/7784328470358190372/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/04/dupla-comemoracao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/7784328470358190372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/7784328470358190372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/04/dupla-comemoracao.html' title='dupla comemoração'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-8648226367484549601</id><published>2011-03-30T13:45:00.000-07:00</published><updated>2011-03-30T13:47:29.096-07:00</updated><title type='text'>saber, viver.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;"O saber sucumbir sem evadir-se do perigo de viver singulariza o morrer do homem que perece, mas não se perde nem se vai em vão". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ronaldes de Melo e Souza&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-8648226367484549601?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/8648226367484549601/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/03/saber-viver.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/8648226367484549601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/8648226367484549601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/03/saber-viver.html' title='saber, viver.'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-5162367395366669676</id><published>2011-03-25T06:46:00.000-07:00</published><updated>2011-03-25T06:52:49.961-07:00</updated><title type='text'>a esperança em retrospecto</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Fe-Vj0vjIas/TYydRlQhtuI/AAAAAAAAAMw/gmIFn0ftDwc/s1600/balao.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5588014163044710114" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 312px; CURSOR: hand; HEIGHT: 310px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-Fe-Vj0vjIas/TYydRlQhtuI/AAAAAAAAAMw/gmIFn0ftDwc/s400/balao.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; "Não quero repetir minha inocência. Quero ter o prazer de voltar a perdê-la".&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(&lt;em&gt;Este lado do paraíso&lt;/em&gt;, Scott Fitzgerald)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-5162367395366669676?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/5162367395366669676/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/03/fitzgerald-da-semana.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/5162367395366669676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/5162367395366669676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/03/fitzgerald-da-semana.html' title='a esperança em retrospecto'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-Fe-Vj0vjIas/TYydRlQhtuI/AAAAAAAAAMw/gmIFn0ftDwc/s72-c/balao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-8274618053752098912</id><published>2011-03-21T07:15:00.000-07:00</published><updated>2011-03-21T07:23:40.069-07:00</updated><title type='text'>meus mais - drops</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-XplKKJ7ya5k/TYdepUOAZvI/AAAAAAAAAMo/Wa7_gMoiBFw/s1600/orquideas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5586537926671492850" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-XplKKJ7ya5k/TYdepUOAZvI/AAAAAAAAAMo/Wa7_gMoiBFw/s400/orquideas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; "Como quando se tira um vestido velho do baú, um vestido que não é para usar, só para olhar. Só para ver como ele era. Depois a gente dobra de novo e guarda mas não se cogita em jogar fora ou dar. Acho que saudade é isso".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(&lt;em&gt;As meninas&lt;/em&gt;, Lygia Fagundes Telles)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-8274618053752098912?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/8274618053752098912/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/03/meus-mais-drops.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/8274618053752098912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/8274618053752098912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/03/meus-mais-drops.html' title='meus mais - drops'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-XplKKJ7ya5k/TYdepUOAZvI/AAAAAAAAAMo/Wa7_gMoiBFw/s72-c/orquideas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-1501594434225331240</id><published>2011-03-18T12:42:00.000-07:00</published><updated>2011-03-18T13:02:22.645-07:00</updated><title type='text'>inspirações, poema de fim de semana</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Nunca compreenderam o fracasso.&lt;/strong&gt; Ele estacionou apressado, confuso ainda, gravata preta desafiando o vento sul. Ela nunca mais seria a mesma: missão, cabelos, coração. Ele jamais soube, mas algo imenso ruíra três semanas antes daquele aperto de mão desengonçado. Ouviu as palavras decididas, sempre tão bem urdidas, e sentiu algo entre o interesse e a desconfiança. Fernando Pessoa? Mas ela não conhecia a Tabacaria do outro lado da rua e recusou três vezes. Aceitou as 300 seguintes. &lt;strong&gt;Jamais tanto sucesso.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;TABACARIA&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Álvaro de Campos/Fernando Pessoa)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Não sou nada.&lt;br /&gt;Nunca serei nada.&lt;br /&gt;Não posso querer ser nada.&lt;br /&gt;À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Janelas do meu quarto,&lt;br /&gt;Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é&lt;br /&gt;(E se soubessem quem é, o que saberiam?),&lt;br /&gt;Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,&lt;br /&gt;Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,&lt;br /&gt;Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,&lt;br /&gt;Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,&lt;br /&gt;Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,&lt;br /&gt;Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.&lt;br /&gt;Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,&lt;br /&gt;E não tivesse mais irmandade com as coisas&lt;br /&gt;Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua&lt;br /&gt;A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada&lt;br /&gt;De dentro da minha cabeça,&lt;br /&gt;E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.&lt;br /&gt;Estou hoje dividido entre a lealdade que devo&lt;br /&gt;À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,&lt;br /&gt;E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falhei em tudo.&lt;br /&gt;Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.&lt;br /&gt;A aprendizagem que me deram,&lt;br /&gt;Desci dela pela janela das traseiras da casa.&lt;br /&gt;Fui até ao campo com grandes propósitos.&lt;br /&gt;Mas lá encontrei só ervas e árvores,&lt;br /&gt;E quando havia gente era igual à outra.&lt;br /&gt;Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?&lt;br /&gt;Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!&lt;br /&gt;E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!&lt;br /&gt;Gênio? Neste momento&lt;br /&gt;Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,&lt;br /&gt;E a história não marcará, quem sabe?, nem um,&lt;br /&gt;Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.&lt;br /&gt;Não, não creio em mim.&lt;br /&gt;Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!&lt;br /&gt;Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?&lt;br /&gt;Não, nem em mim...&lt;br /&gt;Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo&lt;br /&gt;Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?&lt;br /&gt;Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas&lt;br /&gt;- Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,&lt;br /&gt;E quem sabe se realizáveis,&lt;br /&gt;Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?&lt;br /&gt;O mundo é para quem nasce para o conquistar&lt;br /&gt;E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.&lt;br /&gt;Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.&lt;br /&gt;Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,&lt;br /&gt;Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.&lt;br /&gt;Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,&lt;br /&gt;Ainda que não more nela;&lt;br /&gt;Serei sempre o que não nasceu para isso;&lt;br /&gt;Serei sempre só o que tinha qualidades;&lt;br /&gt;Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,&lt;br /&gt;E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,&lt;br /&gt;E ouviu a voz de Deus num poço tapado.&lt;br /&gt;Crer em mim? Não, nem em nada.&lt;br /&gt;Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente&lt;br /&gt;O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,&lt;br /&gt;E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.&lt;br /&gt;Escravos cardíacos das estrelas,&lt;br /&gt;Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;&lt;br /&gt;Mas acordamos e ele é opaco,&lt;br /&gt;Levantamo-nos e ele é alheio,&lt;br /&gt;Saímos de casa e ele é a terra inteira,&lt;br /&gt;Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Come chocolates, pequena;&lt;br /&gt;Come chocolates!&lt;br /&gt;Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.&lt;br /&gt;Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.&lt;br /&gt;Come, pequena suja, come!&lt;br /&gt;Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!&lt;br /&gt;Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,&lt;br /&gt;Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei&lt;br /&gt;A caligrafia rápida destes versos,&lt;br /&gt;Pórtico partido para o Impossível.&lt;br /&gt;Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,&lt;br /&gt;Nobre ao menos no gesto largo com que atiro&lt;br /&gt;A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,&lt;br /&gt;E fico em casa sem camisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,&lt;br /&gt;Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,&lt;br /&gt;Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,&lt;br /&gt;Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,&lt;br /&gt;Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,&lt;br /&gt;Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,&lt;br /&gt;Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê&lt;br /&gt;-Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!&lt;br /&gt;Meu coração é um balde despejado.&lt;br /&gt;Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco&lt;br /&gt;A mim mesmo e não encontro nada.&lt;br /&gt;Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.&lt;br /&gt;Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,&lt;br /&gt;Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,&lt;br /&gt;Vejo os cães que também existem,&lt;br /&gt;E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,&lt;br /&gt;E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivi, estudei, amei e até cri,&lt;br /&gt;E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.&lt;br /&gt;Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,&lt;br /&gt;E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses&lt;br /&gt;(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);&lt;br /&gt;Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo&lt;br /&gt;E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz de mim o que não soube&lt;br /&gt;E o que podia fazer de mim não o fiz.&lt;br /&gt;O dominó que vesti era errado.&lt;br /&gt;Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.&lt;br /&gt;Quando quis tirar a máscara,&lt;br /&gt;Estava pegada à cara.&lt;br /&gt;Quando a tirei e me vi ao espelho,&lt;br /&gt;Já tinha envelhecido.&lt;br /&gt;Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.&lt;br /&gt;Deitei fora a máscara e dormi no vestiário&lt;br /&gt;Como um cão tolerado pela gerência&lt;br /&gt;Por ser inofensivo&lt;br /&gt;E vou escrever esta história para provar que sou sublime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essência musical dos meus versos inúteis,&lt;br /&gt;Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,&lt;br /&gt;E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,&lt;br /&gt;Calcando aos pés a consciência de estar existindo,&lt;br /&gt;Como um tapete em que um bêbado tropeça&lt;br /&gt;Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.&lt;br /&gt;Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada&lt;br /&gt;E com o desconforto da alma mal-entendendo.&lt;br /&gt;Ele morrerá e eu morrerei.&lt;br /&gt;Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.&lt;br /&gt;A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.&lt;br /&gt;Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,&lt;br /&gt;E a língua em que foram escritos os versos.&lt;br /&gt;Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.&lt;br /&gt;Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente&lt;br /&gt;Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre uma coisa defronte da outra,&lt;br /&gt;Sempre uma coisa tão inútil como a outra,&lt;br /&gt;Sempre o impossível tão estúpido como o real,&lt;br /&gt;Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,&lt;br /&gt;Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)&lt;br /&gt;E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.&lt;br /&gt;Semiergo-me enérgico, convencido, humano,&lt;br /&gt;E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los&lt;br /&gt;E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.&lt;br /&gt;Sigo o fumo como uma rota própria,&lt;br /&gt;E gozo, num momento sensitivo e competente,&lt;br /&gt;A libertação de todas as especulações&lt;br /&gt;E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois deito-me para trás na cadeira&lt;br /&gt;E continuo fumando.&lt;br /&gt;Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Se eu casasse com a filha da minha lavadeiraTalvez fosse feliz.)&lt;br /&gt;Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.&lt;br /&gt;O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).&lt;br /&gt;Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.&lt;br /&gt;(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)&lt;br /&gt;Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.&lt;br /&gt;Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo&lt;br /&gt;Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-1501594434225331240?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/1501594434225331240/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/03/inspiracoes-poema-de-fim-de-semana.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/1501594434225331240'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/1501594434225331240'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/03/inspiracoes-poema-de-fim-de-semana.html' title='inspirações, poema de fim de semana'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-2010736016021488980</id><published>2011-03-17T05:47:00.000-07:00</published><updated>2011-03-17T05:51:13.689-07:00</updated><title type='text'>feliz 2011</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-WdkX3Jv6GOs/TYIDdAfD8lI/AAAAAAAAAMA/ZWAOzCCaFk4/s1600/balao.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5585030284774208082" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 350px; CURSOR: hand; HEIGHT: 233px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-WdkX3Jv6GOs/TYIDdAfD8lI/AAAAAAAAAMA/ZWAOzCCaFk4/s400/balao.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Porque alunos novos é sempre vida nova. Ainda mais na UFSC.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-2010736016021488980?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/2010736016021488980/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/03/feliz-2011.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/2010736016021488980'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/2010736016021488980'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/03/feliz-2011.html' title='feliz 2011'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-WdkX3Jv6GOs/TYIDdAfD8lI/AAAAAAAAAMA/ZWAOzCCaFk4/s72-c/balao.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-7881779199278839240</id><published>2011-03-14T05:43:00.000-07:00</published><updated>2011-03-18T13:25:50.051-07:00</updated><title type='text'>Às margens do tempo</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-7bCyc4gSnQI/TX4Q17X3ypI/AAAAAAAAAL4/Iul_LqPrVqA/s1600/williamfaulkner.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5583919106642922130" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-7bCyc4gSnQI/TX4Q17X3ypI/AAAAAAAAAL4/Iul_LqPrVqA/s400/williamfaulkner.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;Obra de Faulkner narra decadência de família presa entre a memória e a ausência&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Um passado opressivo que afasta qualquer possibilidade de horizonte. Uma família destruída pelo peso das lembranças, à espera da extinção redentora. Um presente pálido, sem ação e sem futuro, conduzido por heróis falíveis que jamais encontraram razões para suas lutas. Uma linhagem ameaçada pelo tempo, um tempo cruel e misterioso, que corrói a experiência humana como uma ferrugem faminta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terceiro romance do norte-americano William Faulkner, o recém-lançado &lt;em&gt;Sartoris&lt;/em&gt; (Cosac Naify, 416 pgs.), de 1929, desbrava os infortúnios do clã homônimo, imobilizado entre os grandes feitos do Coronel John Sartoris, morto na Guerra da Secessão, e a permanência em um mundo herdado, em constante decomposição. Estreia do condado fictício de Yoknapatawpha, no Mississipi, o livro esboça boa parte do estilo que marcaria a poética do autor, e que lhe renderia o Prêmio Nobel de Literatura, em 1949.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O protagonista Bayard Velho, nascido “tarde demais para uma guerra e cedo demais para a guerra seguinte”, compartilha com o filho de mesmo nome velhos traumas – ambos perderam irmãos em combate. Tia Jenny, a irmã mais nova do coronel, vela os tempos de outrora, valorizando o sentido do passado e mitificando a sucessiva marca trágica dos homens da família. Nesta existência voltada para o que já foi, ignora o propósito das novas gerações: “Eles não são os meus Sartoris”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como em toda a ficção do autor, os homens daqui adquirem identidade a partir da soma dos seus infortúnios - por isso a impossibilidade de libertação dos próprios fantasmas. Há sempre algo maior que assombra o indivíduo, impedindo a afirmação do presente e guiando a existência como uma ampulheta esburacada, resquício das incertezas alardeadas em anos de Guerra Civil, na construção do ethos sulista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O peso da experiência passada, com seus ferimentos e seu sentido indubitável e majestoso, verga a mansão de origem escravocrata da família, impondo ações raquíticas e intensa memória. Quase não há atividade: parte porque a monumentalidade da escrita do autor parece se bastar, parte porque a vida é escassa em existências orientadas pelo passado. Graças a esta cortina de fumaça, as circunstâncias preponderam sobre os fatos e os grandes atos das personagens são apenas sugeridos, abrindo o palco para suas consequências, sobretudo as internas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo aqui é desespero, culpa, prisão. Não à toa, Bayard busca dia após dia o acidente que irá redimi-lo de uma existência inoperante, seja pelo excesso de bebida ou de velocidade. Contando a sua primeira saga em Yoknapatawpha, &lt;em&gt;Sartoris&lt;/em&gt; percorre conceitos que atravessam a ficção de William Faulkner como um todo: heroísmo e resistência, habilidade e desistência, impossibilidade e permanência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;Ao mesmo tempo que articula uma série de procedimentos modernistas que viriam consagrar a obra do escritor, sobretudo após &lt;em&gt;O som e a fúria&lt;/em&gt;, também escrito em 1929, constrói um universo: levanta, pela primeira vez, a poeira incômoda e eterna das estradas do sul.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;Jade Gandra Dutra Martins é pós-doutoranda em Teoria Literária. &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;(Texto originalmente publicado no DC Cultura / Diário Catarinense, 12/03/2011)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-7881779199278839240?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/7881779199278839240/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/03/as-margens-do-tempo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/7881779199278839240'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/7881779199278839240'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/03/as-margens-do-tempo.html' title='Às margens do tempo'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-7bCyc4gSnQI/TX4Q17X3ypI/AAAAAAAAAL4/Iul_LqPrVqA/s72-c/williamfaulkner.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-8709757482146484202</id><published>2011-03-10T05:35:00.000-08:00</published><updated>2011-03-10T05:51:33.941-08:00</updated><title type='text'>tempestade líquida</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-WmR2ErEzUQA/TXjVYAboG3I/AAAAAAAAALw/HL2ncoWfl-4/s1600/hilda_hilst_-_olhar.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5582446346535181170" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 332px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-WmR2ErEzUQA/TXjVYAboG3I/AAAAAAAAALw/HL2ncoWfl-4/s400/hilda_hilst_-_olhar.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;É crua a vida. Alça de tripa e metal.&lt;br /&gt;Nela despenco: pedra mórula ferida.&lt;br /&gt;É crua e dura a vida. Como um naco de víbora.&lt;br /&gt;Como-a no livor da língua&lt;br /&gt;Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me&lt;br /&gt;No estreito-pouco&lt;br /&gt;Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida&lt;br /&gt;Tua unha plúmbea, meu casaco rosso.&lt;br /&gt;E perambulamos de coturno pela rua&lt;br /&gt;Rubras, góticas, altas de corpo e copos.&lt;br /&gt;A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos.&lt;br /&gt;E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima&lt;br /&gt;Olho d'água, bebida. A Vida é líquida.&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também são cruas e duras as palavras e as caras&lt;br /&gt;Antes de nos sentarmos à mesa, tu e eu, Vida&lt;br /&gt;Diante do coruscante ouro da bebida. Aos poucos&lt;br /&gt;Vão se fazendo remansos, lentilhas d'água, diamantes&lt;br /&gt;Sobre os insultos do passado e do agora. Aos poucos&lt;br /&gt;Somos duas senhoras, encharcadas de riso, rosadas&lt;br /&gt;De um amora, um que entrevi no teu hálito, amigo&lt;br /&gt;Quando me permitiste o paraíso. O sinistro das horas&lt;br /&gt;Vai se fazendo tempo de conquista. Langor e sofrimento&lt;br /&gt;Vão se fazendo olvido. Depois deitadas, a morte&lt;br /&gt;É um rei que nos visita e nos cobre de mirra.&lt;br /&gt;Sussurras: ah, a vida é líquida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E bebendo, Vida, recusamos o sólido&lt;br /&gt;O nodoso, a friez-armadilha&lt;br /&gt;De algum rosto sóbrio, certa voz&lt;br /&gt;Que se amplia, certo olhar que condena&lt;br /&gt;O nosso olhar gasoso: então, bebendo?&lt;br /&gt;E respondemos lassas lérias letícias&lt;br /&gt;O lusco das lagartixas, o lustrino&lt;br /&gt;Das quilhas, barcas, gaivotas, drenos&lt;br /&gt;E afasta-se de nós o sólido de fechado cenho.&lt;br /&gt;Rejubilam-se nossas coronárias. Rejubilo-me&lt;br /&gt;Na noite navegada, e rio, rio, e remendo&lt;br /&gt;Meu casaco rosso tecido de açucena.&lt;br /&gt;Se dedutiva e líquida, a Vida é plena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te amo, Vida, líquida esteira onde me deito&lt;br /&gt;Romã baba alcaçuz, teu trançado rosado&lt;br /&gt;Salpicado de negro, de doçuras e iras.&lt;br /&gt;Te amo, Líquida, descendo escorrida&lt;br /&gt;Pela víscera, e assim esquecendo&lt;br /&gt;Fomes&lt;br /&gt;País&lt;br /&gt;O riso solto&lt;br /&gt;A dentadura etérea&lt;br /&gt;Bola&lt;br /&gt;Miséria.&lt;br /&gt;Bebendo, Vida, invento casa, comida&lt;br /&gt;E um Mais que se agiganta, um Mais&lt;br /&gt;Conquistando um fulcro potente na garganta&lt;br /&gt;Um látego, uma chama, um canto. Amo-me.&lt;br /&gt;Embriagada. Interdita. Ama-me. Sou menos&lt;br /&gt;Quando não sou líquida.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(&lt;em&gt;Alcóolicas&lt;/em&gt;, Hilda Hilst)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-8709757482146484202?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/8709757482146484202/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/03/alcoolicas-hilda-hilst.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/8709757482146484202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/8709757482146484202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/03/alcoolicas-hilda-hilst.html' title='tempestade líquida'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-WmR2ErEzUQA/TXjVYAboG3I/AAAAAAAAALw/HL2ncoWfl-4/s72-c/hilda_hilst_-_olhar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-2443134087027986427</id><published>2011-03-03T10:02:00.000-08:00</published><updated>2011-03-03T10:07:23.069-08:00</updated><title type='text'>gemas</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-9KSLyEkU4Jw/TW_XwYPwvBI/AAAAAAAAAKo/QhVv8U214_k/s1600/nr_cigarro3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5579915689477585938" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 192px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-9KSLyEkU4Jw/TW_XwYPwvBI/AAAAAAAAAKo/QhVv8U214_k/s400/nr_cigarro3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;"Não acredito em honestidade sem acidez, sem dieta e sem úlcera".&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-2443134087027986427?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/2443134087027986427/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/03/gemas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/2443134087027986427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/2443134087027986427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/03/gemas.html' title='gemas'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-9KSLyEkU4Jw/TW_XwYPwvBI/AAAAAAAAAKo/QhVv8U214_k/s72-c/nr_cigarro3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-4189620018742409246</id><published>2011-03-02T12:02:00.000-08:00</published><updated>2011-03-02T12:22:28.439-08:00</updated><title type='text'>orações de mississipi</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-8x8Hlr9mMvo/TW6mm1F289I/AAAAAAAAAKg/Yk4_rj1ne4Q/s1600/mississippi-river.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5579580174375515090" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 294px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-8x8Hlr9mMvo/TW6mm1F289I/AAAAAAAAAKg/Yk4_rj1ne4Q/s400/mississippi-river.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;De tantos em tantos dias, após um pedido da srta. Jenny, ela vinha, sentava-se ao lado da cama e lia para ele. Ele não dava a menor importância aos livros; e era quase certo que jamais lera algo por iniciativa própria, mas ali ficava imóvel em seu gesso enquanto a grave voz de contralto dela erguia-se incessante no quarto silencioso. Às vezes ele tentava conversar, mas ela ignorava esses avanços e continuava a ler; se ele persistia, ela simplesmente se virava e o deixava. Por isso logo ele aprendeu a dissimular, em geral com os olhos fechados, percorrendo sozinho as regiões sombrias e estéreis de seu desespero, enquanto a voz dela deslizava sem parar acima dos ruídos mais distantes que chegavam até eles - a srta. Jenny repreendendo Isom ou Simon no térreo ou no jardim, o pipilar dos passarinhos na árvore perto da janela, o incessante gemido da bomba d'água além do estábulo. Por vezes ela parava de ler e o contemplava e descobria que ele estava dormindo tranquilamente.&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(&lt;em&gt;Sartoris&lt;/em&gt;, William Faulkner)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-4189620018742409246?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/4189620018742409246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/03/oracoes-de-mississipi.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/4189620018742409246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/4189620018742409246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/03/oracoes-de-mississipi.html' title='orações de mississipi'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-8x8Hlr9mMvo/TW6mm1F289I/AAAAAAAAAKg/Yk4_rj1ne4Q/s72-c/mississippi-river.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-3228838804051673557</id><published>2011-03-01T04:56:00.000-08:00</published><updated>2011-03-01T05:42:53.070-08:00</updated><title type='text'>a arte da vida</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-0b7uOMdfhHM/TWz1Bc6-xcI/AAAAAAAAAKQ/SkFEgolZeYQ/s1600/chagal5.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5579103443697452482" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 324px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-0b7uOMdfhHM/TWz1Bc6-xcI/AAAAAAAAAKQ/SkFEgolZeYQ/s400/chagal5.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;"Afinal, o que há de errado com a felicidade?"&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Lições do contemporâneo:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A característica quase universal da vida moderna: a tensão perpétua entre dois valores, segurança e liberdade, igualmente cobiçados e indispensáveis a uma vida feliz - mas, que pena, assustadoramente difíceis de conciliar e usufruir em conjunto". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="left"&gt;"Parece que hoje, embora ainda se possa sonhar em descrever antecipadamente um cenário para toda a vida, e mesmo trabalhar arduamente para transformar esse sonho em realidade, apegar-se a qualquer cenário, mesmo ao do seu próprio sonho, é assunto arriscado e pode mostrar-se suicida". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;"Há uma perturbadora carência de pontos de orientação &lt;em&gt;firmes&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;fidedignos&lt;/em&gt;, assim como de guias confiáveis. Essa carência coincide (de modo paradoxal, mas absolutamente não acidental) com uma proliferação inédita de sugestões tentadoras e ofertas de orientação atraentes, com uma onda sempre crescente de manuais e hordas cada vez mais amplas de consultores - tornando, contudo, ainda mais confusa a tarefa de atravessar a mata densa de proposições equivocadas ou simplesmente falsas para encontrar uma orientação capaz de realizar sua promessa".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;Sussurros tão modernos do passado:&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;"Eu ando entre essas pessoas e mantenho os olhos abertos... Elas me bicam porque lhes digo: 'Para as pessoas pequenas são necessárias pequenas virtudes - e porque é difícil para mim entender que as pessoas pequenas são necessárias!'&lt;br /&gt;Eu ando entre essas pessoas e mantenho os olhos abertos: elas ficam menores e estão ficando menores ainda: e a causa é sua doutrina da felicidade e da virtude...&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Fundamentalmente, desejam uma coisa acima de tudo: que ninguém venha a lhes fazer mal. Assim tiram vantagem de todos e fazem bem a todos. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Isso, porém, é &lt;em&gt;covardia&lt;/em&gt;: embora seja chamado de &lt;em&gt;'virtude'&lt;/em&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;São espertos, suas virtudes têm dedos espertos, mas não têm pulsos, seus dedos não sabem entrelaçar-se em pulsos...&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Isso, porém, é &lt;em&gt;mediocridade&lt;/em&gt;: embora seja chamado de &lt;em&gt;moderação&lt;/em&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Vocês ficarão cada vez menores, pessoas pequenas! Vocês vão esfarelar, pessoas seguras! Vocês ainda perecerão - por suas muitas pequenas virtudes, por suas muitas pequenas omissões, por suas muitas pequenas submissões". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ecos de Zaratustra, o super-herói de Nietzsche, ele próprio o super-herói da pós-modernidade. Ecos de Zygmunt Bauman, o filósofo polonês que questiona a legitimidade dos horizontes de felicidade no mundo líquido. Se a liberdade de autocriação permanece irrealizada, simulacro ainda, em meio às sugestões do excesso, o segredo parece simples: "Entre a aceitação resignada e a decisão corajosa de desafiar a força das circunstâncias coloca-se o caráter". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Honra, em última instância.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Tudo isso e muito mais está em &lt;strong&gt;A arte da vida&lt;/strong&gt;: consolo para os fortes, vitamina para os fracos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-3228838804051673557?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/3228838804051673557/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/03/arte-da-vida.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/3228838804051673557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/3228838804051673557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/03/arte-da-vida.html' title='a arte da vida'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-0b7uOMdfhHM/TWz1Bc6-xcI/AAAAAAAAAKQ/SkFEgolZeYQ/s72-c/chagal5.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-9052247383803763712</id><published>2011-02-28T11:55:00.000-08:00</published><updated>2011-02-28T12:04:59.124-08:00</updated><title type='text'>Mãos de pedreiro, pés de bailarina</title><content type='html'>Alice descobrira muito cedo a importância de conseguir correr sem tropeçar. Como toda arte legítima, caprichosa e comovente, o galope exigia técnicas próprias: seguir adiante sem pensar na paisagem abandonada, manter os olhos imunes ao brilho dos arredores, graduar a velocidade para evitar o esgotamento, fixar um ponto qualquer e persegui-lo com suor, ainda que jamais ultrapasse a leviandade dos esboços. A prática enchia seus pés de calos, sem dúvida. Mas era o único antídoto para o coração equilibrista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antônio descobrira tarde demais que não concluiria a vida sem sujar as mãos. Se a bondade não servia sequer para calar as vozes, os reparos pareciam impossíveis sem alguma dose de veneno. O susto trouxe uma coleção de dúvidas indigestas, vagas como promessas de verão. De posse da revelação, arranhou, descascou, desabou, cimentou. Não demorou a experimentar a mágica dos nascimentos: maturidade, bravura, coragem, ainda alguma bondade. Reconheceu a verdade. Em terra de cego, quem tem um olho é monstro, não rei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-9052247383803763712?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/9052247383803763712/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/02/maos-de-pedreiro-pes-de-bailarina.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/9052247383803763712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/9052247383803763712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/02/maos-de-pedreiro-pes-de-bailarina.html' title='Mãos de pedreiro, pés de bailarina'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-65865849922004232</id><published>2011-02-16T08:25:00.000-08:00</published><updated>2011-02-17T03:34:36.299-08:00</updated><title type='text'>as canções e os cálices</title><content type='html'>"Em silêncio, Tom serviu a escritora de uma nova taça de vinho tinto, amparando o infantil tremor na precisão de movimentos discretos e ensaiados. Nina sempre encontrara nos seus gestos algo incompreensível, certo sentimento contraditório, mestiço e persistente, capaz de ignorar os bloqueios do tempo. Às vezes ele abraçava a vida como se estivesse num parque de diversões, correndo por entre os brinquedos, olhos arregalados e deslumbramento sempre à mão, entretido com a ilusão das luzes e a euforia falsa dos brilhos; em outras, o mundo parecia um imenso peso, dobrando sinos com dificuldade, construindo músicas sem compasso ou lógica, impróprio, impossível, e então era custoso acompanhar qualquer leveza. Naquele reencontro, porém, ela começou a se aproximar daquela estranha imprecisão, sujeita agora à incompreensão alheia, ignorada em sua inteireza, sobretudo nos cantos, talvez até mesmo por Tom. Agoniada com a tensão em ritmo crescente, passou a comentários superficiais dos projetos cheios de limo, guardados nas gavetas do novo apartamento. Terminaria o curso de filosofia no ano seguinte, e se quisesse poderia voltar para o Brasil e cursar as últimas disciplinas em alguma universidade pública federal conveniada; havia várias no Rio, inclusive próximas ao seu bairro. Pretendia concluir com uma pesquisa sobre arte, e olhou para ele, constrangida; ele realmente tinha razão ao acusar, no último encontro, alguma influência na escolha pelas artes. Tom interrompeu o gole de vinho para despejar, alto e forte como nos velhos tempos: ela já se esquecera que aquele não havia sido o último encontro? E sorriu, e sorriram os dois."&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(velhas letras se encaminhando...)&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-65865849922004232?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/65865849922004232/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/02/em-silencio-tom-serviu-escritora-de-uma.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/65865849922004232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/65865849922004232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/02/em-silencio-tom-serviu-escritora-de-uma.html' title='as canções e os cálices'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-6326834892600429324</id><published>2011-02-10T10:55:00.000-08:00</published><updated>2011-02-10T10:58:24.967-08:00</updated><title type='text'>um trem pras estrelas</title><content type='html'>Quase noite. A bicicleta não para nunca. Paisagem de ecos, mentiras inocentes, retornos improvisados. Perdões insuficientes, impulsos para a derrocada, aquele velho desejo de congelar o tempo. Nenhum beijo, nenhuma infração, nenhuma promessa: tudo se transformava. Era uma menina antes do reencontro, e nem imaginava. Confissões heróicas e silêncios ensurdecedores, as taças proibidas de uma madrugada quase definitiva. Ainda chorariam muito pela desistência. “Te amo” – mas como? Intoxicados de adeus, jamais se desejariam um ao outro. Ainda é dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-6326834892600429324?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/6326834892600429324/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/02/um-trem-pras-estrelas.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/6326834892600429324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/6326834892600429324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/02/um-trem-pras-estrelas.html' title='um trem pras estrelas'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-6504640697925987496</id><published>2011-02-07T05:44:00.000-08:00</published><updated>2011-02-07T08:01:07.655-08:00</updated><title type='text'>Um novo olhar para Nelson Rodrigues*</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/TU_40bFD8DI/AAAAAAAAAKI/B4Iu3H2fmRk/s1600/simfoto2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5570944843586465842" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 350px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/TU_40bFD8DI/AAAAAAAAAKI/B4Iu3H2fmRk/s400/simfoto2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;* versão do autor&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atribuir novos sentidos a uma obra de arte admirada há mais de meio século é o desejo de todo artista às voltas com o desafio da releitura. Tal missão foi concluída com êxito indiscutível pelo grupo catarinense Teatro sim... por que não?!!! em &lt;em&gt;A vida como ela é...&lt;/em&gt;, baseada na coluna homônima do dramaturgo e ficcionista Nelson Rodrigues. Dirigida pelo pesquisador e professor Luís Arthur Nunes, especialmente convidado para a empreitada, a peça segue em cartaz até o dia 20 de fevereiro, no Teatro Álvaro de Carvalho (TAC), sextas, sábados e domingos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A vida como ela é...&lt;/em&gt; reúne cinco contos que aliam conflitos familiares escandalosos a um forte sotaque carioca, marcas da coluna do autor, publicada no jornal &lt;em&gt;Última Hora&lt;/em&gt;, entre 1951 e 1961. Se Nelson Rodrigues desenvolveu mais de duas mil histórias praticamente sobre o mesmo tema, traição, a companhia catarinense optou pela construção de uma miscelânea de referências, enriquecendo o universo ficcional com a exploração de elementos ausentes no original: máscaras, bonecos, dublagens, quadros vivos e, sobretudo, narração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A atualização da autoria rodrigueana torna-se bastante clara já no primeiro conto, &lt;em&gt;Uma senhora honesta&lt;/em&gt;, estruturado no palco a partir da simultaneidade entre a narração de dois atores e a encenação de outros, totalmente embasada na mímica. Manter a estrutura narrativa não apenas renova o texto original como ainda consegue reconstruir no palco um dos universos mais ricos do autor, seu texto impecável, repleto de frases de efeito que até hoje povoam o imaginário dos brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;em&gt;Duas irmãs&lt;/em&gt; a inovação reside no uso de máscaras, artefatos das personagens que compõem o triângulo amoroso. Aproveitando a experiência com teatro de bonecos, o grupo catarinense constrói uma cena de alto impacto, onde as personagens principais são manuseadas como títeres, enquanto atores-narradores as dublam. Há uma dobra bastante contemporânea nesta versão: o espetáculo descortina-se em suas entranhas, apresentando a cena própria do teatro, como um ensaio aberto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Doente&lt;/em&gt;, o quarto texto, laboratório da famosa peça &lt;em&gt;Perdoa-me por me traíres&lt;/em&gt;, repete o ritual das marionetes. Neste caso, porém, os bonecos mesclam-se à técnica da narração, favorecendo diversas camadas de leitura. Já &lt;em&gt;Noiva da m&lt;/em&gt;orte, o terceiro conto apresentado, teatraliza a figura das famosas tias, solteironas onipresentes em toda a obra do autor, graças à iluminação especial, ao tom histriônico da encenação e ao figurino assustador. Ponto forte desta releitura, a iluminação, dirigida por Luis Carlos Nem, exalta o limiar entre o melodramático e o trágico, típico da autoria rodrigueana, em uma cena de dramaticidade ímpar nos palcos locais: o suicídio de Alipinho, enforcado nu com um véu de noiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concluindo, &lt;em&gt;O grande dia de Otacílio e Odete&lt;/em&gt; valida a própria ferramenta da narrativa, ricamente explorada pelo grupo, promovendo uma “falação” coletiva, extremamente sincronizada. Neste último texto, atrizes e atores narram detalhes deliciosos de uma nova história escandalosa, ao mesmo tempo que, como legítimas fofoqueiras de janela, encaram o público em busca de cumplicidade para mais aquele pecado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com trilha sonora e iluminação primorosas, o Teatro sim... por que não?!!! consegue construir no palco uma versão de alto impacto para a obra rodrigueana. Escancaradamente cômica, mas sem perder de vista a dramaticidade, traduz os textos do autor em sua maior potência: a mistura de estilos, repleta de tristeza e histeria, patético e desespero, pecado e vergonha. E vai ainda mais longe: infere novos sentidos, enriquecendo uma autoria já tão sofisticada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Jade Gandra Dutra Martins é pós-doutoranda e autora do site &lt;a href="http://www.tudosobrenelsonrodrigues.com.br/"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;www.tudosobrenelsonrodrigues.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(Texto originalmente publicado no DC Cultura / Diário Catarinense, 05/02/2011)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-6504640697925987496?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/6504640697925987496/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/02/um-novo-olhar-para-nelson-rodrigues.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/6504640697925987496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/6504640697925987496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/02/um-novo-olhar-para-nelson-rodrigues.html' title='Um novo olhar para Nelson Rodrigues*'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/TU_40bFD8DI/AAAAAAAAAKI/B4Iu3H2fmRk/s72-c/simfoto2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-1674018171748666400</id><published>2011-01-17T07:45:00.000-08:00</published><updated>2011-01-17T11:07:45.809-08:00</updated><title type='text'>A unanimidade dos clássicos*</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/TTRl5swbhjI/AAAAAAAAAJ4/Qhp0OM_MZdI/s1600/nelsonrodrigues1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5563183481650644530" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 267px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/TTRl5swbhjI/AAAAAAAAAJ4/Qhp0OM_MZdI/s400/nelsonrodrigues1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;* &lt;span style="font-size:78%;"&gt;(versão do autor)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Trinta anos após sua morte, Nelson Rodrigues segue como o grande protagonista &lt;/em&gt;&lt;em&gt;do teatro nacional&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Presença marcante na produção artística e no debate cultural do século XX, Nelson Rodrigues consolida-se cada vez mais como um dos autores fundamentais do Brasil moderno. Repórter policial, redator de jornal, consultor sentimental, cronista do cotidiano, folhetinista de sucesso, tradutor fantasma, romancista esporádico, contista popular e autor de uma dramaturgia aplaudida em todo o mundo, construiu uma obra capaz de resistir às ferrugens do tempo, atual e contemporânea numa diversidade de níveis poucas vezes alcançada por seus pares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Historicamente, a atualidade rodrigueana ecoa a partir da fixação, agora irrevogável, do nobre epíteto de “pai do teatro brasileiro moderno”, pioneirismo reconhecido já em sua segunda e mais famosa peça, &lt;em&gt;Vestido de Noiva&lt;/em&gt;, de 1943. A visão em retrospectiva permite responsabilizá-lo ainda pela paternidade do próprio teatro brasileiro, antes da sua estréia um apanhado difuso de personagens influenciadas por contextos estrangeiros e textos despreocupados com especialização e/ou autoria, sem continuidade ou relações - na melhor das hipóteses, um teatro &lt;em&gt;feito no Brasil&lt;/em&gt;, geograficamente falando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a relevância histórica associa-se à modernidade poética implantada na dramaturgia brasileira, bem como à completude do nosso processo de formação, a potência estética do projeto rodrigueano reside na complexa utilização dos elementos literários, tensionando estilos e gêneros. Pioneiro na edificação de um teatro rico em referências, sintetizou influências diversas com exclusividade, atraindo a crítica (e repelindo também) pelo sincretismo estéticos das suas peças, hoje um recurso recorrente. Durante a trajetória iniciada em &lt;em&gt;A mulher sem p&lt;/em&gt;ecado, de 1941, até &lt;em&gt;A serpente&lt;/em&gt;, de1979, seu último texto, dialogou com correntes clássicas e marginais, alimentando-se de surrealismo, expressionismo, nonsense, noir, grotesco, melodrama, trágico e tantos mais. A marca estética de sua dramaturgia é justamente a ênfase nesta idéia bastante contemporânea de acúmulo, limite e ausência quase absoluta de contenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se é a mistura de gêneros que preserva sua inequívoca atualidade estética, politicamente cada uma das peças consegue construir um olhar exclusivo sobre o Brasil e os brasileiros, eixo principal de toda a sua dramaturgia. A recriação temática de um país atordoado diante das transformações daquela sociedade (Anos 1950 e 1960) ressignifica limites típicos da nossa própria pós-modernidade, abordando, simultaneamente, um tempo que luta para permanecer e outro que teima em se adiantar, contraste que persiste até os dias de hoje, comum às nações em desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É no embate entre o passado do luto fechado, do sexo limitado ao matrimônio, dos olhares de soslaio e do namoro de portão, e as demandas da pílula anticoncepcional, do sexo livre, do poder das mulheres, da apologia aos jovens, dos umbigos desnudos e dos biquínis que nasce a visão trágica e bipartida de uma dramaturgia que tenta recriar uma tensão típica da fronteira, contemporânea ao próprio autor e ainda nossa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;História, Estética, Política: três vezes pioneiro, inovador, renovador. Nelson Rodrigues pode ser lido hoje como o autor brasileiro que melhor se debruçou sobre as ambigüidades de uma nação dilacerada em tão diversas camadas. Instaurar essa tensão no processo interno de sua obra, priorizando sem medo as flutuações entre fronteiras, persistentes até nos nossos tempos líquidos, torna seu pensamento não apenas atual como definitivo. Transforma-o, ainda, ironicamente, numa daquelas unanimidades que ele tanto combateu. Uma unanimidade essencial.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;Jade Gandra Dutra Martins é pós-doutoranda e autora da tese &lt;em&gt;Nelson Rodrigues e sua cena: dramaturgia da tensão, cinema da síntese&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;(Texto originalmente publicado no DC Cultura / Diário Catarinense, 15/01/2011)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-1674018171748666400?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/1674018171748666400/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/01/unanimidade-dos-classicos.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/1674018171748666400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/1674018171748666400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2011/01/unanimidade-dos-classicos.html' title='A unanimidade dos clássicos*'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/TTRl5swbhjI/AAAAAAAAAJ4/Qhp0OM_MZdI/s72-c/nelsonrodrigues1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-3908716581423594326</id><published>2010-12-16T08:51:00.000-08:00</published><updated>2010-12-16T09:32:16.381-08:00</updated><title type='text'>Contardo Calligaris, gênio*</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/TQpIkxqxrHI/AAAAAAAAAJk/WiJTQnB8oog/s1600/pes.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5551329287332801650" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/TQpIkxqxrHI/AAAAAAAAAJk/WiJTQnB8oog/s400/pes.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A necessidade de mostrar ao mundo um semblante feliz é uma das grandes fontes de infelicidade&lt;/em&gt; &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;UMA AMIGA inventou um jeito de curtir sua fossa. Depois de um dia de trabalho, de volta em casa, ela se enfia na cama, abre seu laptop e entra no Facebook.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela não procura amigos e conhecidos para aliviar o clima solitário e deprê do fim do dia. Essa talvez tenha sido a intenção nas primeiras vezes, mas, hoje, experiência feita, ela entra no Facebook, à noite, como disse, para curtir sua fossa. De que forma?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Acontece que, visitando as páginas de amigos e conhecidos, ela descobre que todos estão muito bem: namorando (finalmente), prestes a se casar, renovando o apartamento que sempre desejaram remodelar, comprando a casa de praia que tanto queriam, conseguindo a bolsa para passar dois anos no exterior, sendo promovidos no emprego ou encontrando um novo "job" fantasticamente interessante. E todos vivem essas bem-aventuranças circundados de amigos maravilhosos, afetuosos, alegres, festeiros e sempre presentes, como aparece nas fotografias postadas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Minha amiga, em suma, sente-se excluída da felicidade geral da nação facebookiana: só ela não foi promovida, não encontrou um namorado fabuloso, não mudou de casa, não ganhou nesta rodada da loto. É mesmo um bom jeito de aprofundar e curtir a fossa: a sensação de um privilégio negativo, pelo qual nós seríamos os únicos a sofrer, enquanto o resto do mundo se diverte.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Numa dessas noites de fossa e curtição, minha amiga, ao voltar para sua própria página no Facebook, deu-se conta de que a página não era diferente das outras. Ou seja, quem a visitasse acharia que minha amiga estava numa época de grandes realizações e contentamentos. Ela comentou: "As fotos das minhas férias, por exemplo, esbanjam alegria; elas não passaram por nenhum photoshop, acontece que são três ou quatro fotos "felizes" entre as mais de 500 que eu tirei".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Logo nestes dias, acabei de ler "Perché Siamo Infelici" (porque somos infelizes, Einaudi 2010, organizado por P. Crepet). São seis textos de psiquiatras e psicanalistas (e um de um geneticista), tentando nos explicar "por que somos infelizes" e, em muitos casos, por que não deveríamos nos queixar disso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por exemplo, a infelicidade é uma das motivações essenciais; sem ela nos empurrando, provavelmente, ficaríamos parados no tempo, no espaço e na vida. Ou ainda, a infelicidade é indissociável da razão e da memória, pois a razão nos repete que a significação de nossa existência só pode ser ilusória e a memória não para de fazer comparações desvantajosas entre o que alcançamos e o que desejávamos inicialmente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não faltam no livro trivialidades moralistas sobre o caráter insaciável de nosso desejo ou evocações saudosistas do sossego de algum passado rural. Em matéria de infelicidade, é sempre fácil (e um pouco tolo) culpar a sociedade de consumo e sua propaganda, que viveriam às custas de nossa insatisfação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Anotei na margem: mas quem disse que a infelicidade é a mesma coisa que a insatisfação? E se a infelicidade fosse, ao contrário, o efeito de uma saciedade muito grande, capaz de estancar nosso desejo? Que tal se a infelicidade não tivesse nada a ver com a ansiedade das buscas frustradas, mas fosse uma espécie de preguiça do desejo, mais parecida com o tédio de viver do que com a falta de gratificação? Em suma, você é infeliz porque ainda não conseguiu tudo o que você queria, ou porque parou de querer, e isso torna a vida muito chata?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Seja como for, lendo o livro e me lembrando da fossa de minha amiga no Facebook, ocorreu-me que talvez uma das fontes da infelicidade seja a necessidade de parecermos felizes. Por que precisaríamos mostrar ao mundo uma cara (ou uma careta) de felicidade?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;1) A felicidade dá status, como a riqueza. Por isso, os sinais aparentes de felicidade podem ser mais relevantes do que a íntima sensação de bem-estar;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;2) além disso, somos cronicamente dependentes do olhar dos outros. Consequência: para ter certeza de que sou feliz, preciso constatar que os outros enxergam minha felicidade. Nada grave, mas isso leva a algo mais chato: a prova de minha felicidade é a inveja dos outros.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O resultado dessa necessidade de parecermos felizes é que a felicidade é este paradoxo: uma grande impostura da qual receamos não fazer parte e que, por isso mesmo, não conseguimos denunciar. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;* Pro amigo que me desejou, com muita delicadeza e atenção, um 2011 com menos msn e mais perfume, menos twitter e mais sabor, menos virtualidade e mais abraço. Benditos sejamos nós, que seguimos preferindo a vida do lado de cá. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;* Calligaris entrou na minha vida ainda no mestrado, graças às originais interpretações do pensamento de Nietzsche sobre o trágico. Acabei a tese de doutorado mas jamais tirei dos favoritos. O texto acima, e muitos outros, você encontra em &lt;a href="http://contardocalligaris.blogspot.com/"&gt;contardocalligaris.blogspot.com&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-3908716581423594326?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/3908716581423594326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/12/contardo-calligaris-genio.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/3908716581423594326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/3908716581423594326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/12/contardo-calligaris-genio.html' title='Contardo Calligaris, gênio*'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/TQpIkxqxrHI/AAAAAAAAAJk/WiJTQnB8oog/s72-c/pes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-2298937071634949912</id><published>2010-11-29T03:16:00.000-08:00</published><updated>2010-11-29T08:13:04.552-08:00</updated><title type='text'>O mal-estar (eterno) da civilização</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5544929185934220914" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 316px; CURSOR: hand; HEIGHT: 237px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/TPOLt2BOHnI/AAAAAAAAAIM/A2P2sUxXbbg/s400/critica_woody.jpg" border="0" /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;“Em nosso mundo de furiosa ‘individualização’, os relacionamentos são bênçãos ambíguas. Oscilam entre o sonho e o pesadelo, e não há como determinar quando um se transforma no outro. Na maior parte do tempo, esses dois avatares coabitam – embora em diferentes níveis de consciência”.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Zygmunt Bauman&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Helena luta para alinhar as esperanças diante do novo estado civil, divorciada aos 60 anos. Alfie, o ex-marido, tenta retomar o frescor da juventude mantendo casos esporádicos com ninfetas famintas por joias caras e coquetéis da moda. Sally, a filha única, retorna ao mercado de trabalho após um punhado de frustrações e logo se encanta com o &lt;em&gt;way of life&lt;/em&gt; do chefe charmoso. Roy, seu companheiro, desequilibra-se entre as contingências do desemprego e a espera pelo aceite do seu atrasado romance, um sim que promete redimi-lo de todas as escolhas até ali, ressignificando a sua própria vida.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;You Will Meet a Tall Dark Stranger&lt;/em&gt;, traduzido para Você &lt;em&gt;vai conhecer o homem dos seus sonhos&lt;/em&gt;, o mais novo filme do roteirista e diretor Woody Allen, inicia apresentando as possibilidades supostamente aconchegantes oferecidas pela roda da vida àqueles que estão sempre à espera de algo novo. Se o (re) começo vem infestado de aperto no estômago e frescas expectativas, o tempo, porém, acaba por revelar que transformações profundas são cada vez mais raras, e difíceis, e dolorosas, no volátil cenário contemporâneo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A insatisfação reina em todos os espaços e esferas, sejam tempos de glória ou de fracasso. Helena não consegue se acostumar ao divórcio, procurando apoio numa vidente charlatã que encontra nas cartas o futuro brilhante que ela não acha em vida. Entre uma dose e outra de uísque, luta para ficar de pé, feito heróico em meio a tantos incômodos. Alfie, desencantado com a impermanência também da nova rotina de “jovem solteiro aos 70 anos”, prefere casar com uma prostituta interesseira a encarar a solidão tão típica dos tempos líquidos. Não demora muito para flagrar o engano também ali: Charmaine sequer sabe quem é o pai do seu bebê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigada a ajudar no sustento da casa, Sally troca o sonho da gravidez, impossibilidade antes, dada à instabilidade do casamento, pela (também) ilusão de usufruir da vida aparentemente perfeita do chefe, almejando uma libertação que só consegue encontrar fora dela mesma. Roy aproveita a distração da mulher para espiar a musicista cor de jambo que se exibe na janela da frente, condensando numa metáfora todo o enredo do filme: &lt;em&gt;o gramado do vizinho parece sempre mais verde.&lt;/em&gt; Só parece, no entanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito rapidamente todos descobrem que retomada nem sempre rima com sucesso. Não correspondida pelo chefe, Sally percebe que a impossibilidade permanece. Enquanto isso, Roy sublima o sonoro não da editora entregando-se aos encantos da morena, que abandona o noivo em busca daquele “algo novo” que também ela desconhece. As novas experiências, porém, acabam se tornando tão falhas quanto as anteriores. O desfecho de Alfie, sozinho após tentar reatar o casamento com Helena, sugere que o “verde mais verde” do vizinho é apenas ilusão de ótica, a mais eficaz falácia moderna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Misturando drama e comédia, marca da poética do autor, &lt;em&gt;You Will Meet a Tall Dark Stranger&lt;/em&gt; insinua já no título original, uma óbvia alusão à morte, a insatisfação generalizada de uma sociedade repleta de sujeitos incapazes de manter a estabilidade e defender a verdade das próprias experiências. Neste território, a morte sempre chega antes do encontro ideal, da alma gêmea, da completude, da felicidade. Parte porque estamos sempre olhando para os lados, inquietos. Parte porque já somos incapazes de consertar, conciliar, adaptar, aceitar. Dificuldade típica da nossa era, como sugere Bauman: “O que dizer de uma balsa com um marinheiro inexperiente que, criado na era dos acessórios, nunca teve a oportunidade de aprender a arte dos reparos?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora se valha aqui de recursos cômicos quase simplórios, apelando para clichês do humor, como Viagra, videntes e sessões espíritas, Woody Allen ainda parece ser um dos poucos diretores contemporâneos que analisam de forma certeira as dores e as delícias de se viver no mundo de hoje. Se não traz respostas para os nossos males, ao menos coloca perguntas cruciais: “Afinal, por que estamos sempre insatisfeitos?”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;(Texto publicado no DC Cultura / Diário Catarinense, 27/11/2010)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-2298937071634949912?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/2298937071634949912/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/11/o-mal-estar-eterno-da-civilizacao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/2298937071634949912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/2298937071634949912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/11/o-mal-estar-eterno-da-civilizacao.html' title='O mal-estar (eterno) da civilização'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/TPOLt2BOHnI/AAAAAAAAAIM/A2P2sUxXbbg/s72-c/critica_woody.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-1971419450300751977</id><published>2010-11-23T10:54:00.000-08:00</published><updated>2010-11-26T09:53:40.822-08:00</updated><title type='text'>sobre os encontros definitivos.</title><content type='html'>&lt;p&gt;"De repente, a longa fila, já pela metade, virou-se inteira para observar o imenso buquê de quase cinqüenta rosas vermelhas que forçou o caminho até a escritora, paralisando o autógrafo no meio da frase, justamente a dedicatória do exemplar do avô. Somente quando estava quase colado à mesa, encontrou abrigo para descansar as flores todas, revelando não apenas a identidade já imaginada como também um indiscreto corte na sobrancelha esquerda, escondido por uma gaze. Era o mesmo Tom de sempre, ela pensou, depois de passar delicadamente os dedos no supercílio namorado. Ouviu em sussurros que não devia se preocupar, batera com o carro em Brasília, e aquilo era só a reação do vidro, brincou. Não duvidou da veracidade da informação, e beijou o namorado com demora, mesmo reconhecendo nos olhares dos outros o velho misto de curiosidade e preocupação. Já haviam lhe contado do prêmio, disse, arrepiando-a com as palavras ao pé do ouvido; e era muito bom reconhecer a validade daquele tabefe, afinal. Nina, sorrindo, garantiu que não pediria desculpas; ele não merecia. Tom revidou que aquela, sim, era a sua menina; se pedisse perdão, perderia pontos valiosos. Beijaram-se mais uma vez, e ela até gostou de desafiar aqueles olhares. Juntaram-se num abraço de quase cinco minutos, presos num aninhamento consolador; ela logo observou ali que sua felicidade mais legítima crescia sempre envolta numa necessidade de chorar até se perder. Diante daquele cenário de excessos, diferenciou, pela primeira vez, o que era de verdade e o que era contingência; o que era costume e o que era amor; o que era felicidade e o que era apenas alegria. Quase se assustou: já não sabia viver sem Tom."&lt;/p&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(romance de gaveta, na correção final)&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-1971419450300751977?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/1971419450300751977/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/11/quando-o-mundo-e-felicidade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/1971419450300751977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/1971419450300751977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/11/quando-o-mundo-e-felicidade.html' title='sobre os encontros definitivos.'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-3219894839618749707</id><published>2010-11-22T10:44:00.000-08:00</published><updated>2010-11-23T03:22:54.222-08:00</updated><title type='text'>Alegria, alegria.</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/TOq6xwZCJwI/AAAAAAAAAIE/Bb7W4mAos9U/s1600/smile.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5542447655399073538" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 286px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/TOq6xwZCJwI/AAAAAAAAAIE/Bb7W4mAos9U/s400/smile.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Desde os 10 aninhos repito que jamais ultrapassaria os 30 sem um pós-doutorado nível máximo no currículo. Pois é.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-3219894839618749707?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/3219894839618749707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/11/alegria-alegria.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/3219894839618749707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/3219894839618749707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/11/alegria-alegria.html' title='Alegria, alegria.'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/TOq6xwZCJwI/AAAAAAAAAIE/Bb7W4mAos9U/s72-c/smile.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-6035037108894970994</id><published>2010-10-26T09:26:00.000-07:00</published><updated>2010-10-26T09:58:52.803-07:00</updated><title type='text'>O Esconderijo do Homem Triste*</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/TMcDj-xHVLI/AAAAAAAAAH8/sMoEm5qTQDc/s1600/al_berto-1doc.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5532394583927248050" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 392px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/TMcDj-xHVLI/AAAAAAAAAH8/sMoEm5qTQDc/s400/al_berto-1doc.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Não sei o que me aconteceu para ficar tão triste.&lt;br /&gt;Lembro-me de ter percorrido meio mundo à procura de imagens. Tinham-me dito: é no movimento incessante de quem viaja que encontrarás a imobilidade que desejas.&lt;br /&gt;Mas eu não sabia para onde ir. Deambulei anos a fio, e nunca encontrei as imagens que queria. Gastei as parcas forças que tinha neste trabalho, até que um dia me perdi junto ao mar.&lt;br /&gt;Resolvi construir, ali mesmo, uma casa.&lt;br /&gt;Tencionava não sair mais daquele lugar onde me perdera. Imobilizar-me, viver e envelhecer dentro de quatro paredes nuas erguidas pelas minhas mãos. Morrer frente ao mar, sozinho, como num romance que lera havia anos. Esperar que a casa se esboroasse e me servisse, por fim, de túmulo.&lt;br /&gt;Assim não aconteceu. Algum tempo depois, a casa transformou-se subitamente em prisão. E talvez tenha sido isso que me pôs, assim, triste para sempre. Custava-me a crer que aquilo que eu próprio construíra acabasse de me atraiçoar.&lt;br /&gt;Assustei-me e fugi nessa mesma noite. Ignoro o que se passou com a casa.&lt;br /&gt;Não sei se ainda existe... o que sei é que a meio daquela fuga deseperada ocorreu-me o que me levaria, enfim, a encontrar o esconderijo para a minha imobilidade.&lt;br /&gt;É desse lugar iluminado que, hoje, vos falo.&lt;br /&gt;Fui ter com um fotógrafo meu amigo e pedi-lhe para me retratar. Ele acendeu um foco de luz. Sentei-me no centro dele. A máquina disparou sem cessar.&lt;br /&gt;Gesticulei, abri os braços, mexi-me muito - como se soubesse que nunca mais o voltaria a fazer.&lt;br /&gt;Quando o meu amigo mergulhou o papel fotográfico no revelador, eu também mergulhei. Mas devo ter desmaiado uns segundos, talvez minutos, porque ao retomar consciência senti as pernas e os braços dormentes - e todo o meu corpo estava mole.&lt;br /&gt;Um véu de luz toldou-me a visão. Ceguei por instantes, mas não foi uma sensação desagradável. Depois, o corpo começou a ondear, a impregnar-se no papel e a coincidir com o retrato que o meu amigo fizera de mim.&lt;br /&gt;Segundos mais tarde uma pinça metálica tirava-me do revelador. Senti, então, a frescura da água - e toda a superfície da folha de papel, o meu novo corpo, brilhou. Em seguida deixei-me enteorpecer na temperatura tépida, voluptuosa, do fixador.&lt;br /&gt;Tinha encontrado o esconderijo.&lt;br /&gt;E aqui estou, diante de quem me visita e olha. Apesar de não ter deixado de ser um homem triste, adquiri a vantagem de estar sentado, e de já não precisar fugir ou desejar seja o que for.&lt;br /&gt;Mas o pior momento do dia é aquele em que nos separamos. Não consigo dormir. Fico noite fora com a minha solidão - e quem esteve a ver-me parte com o susto de continuar a existir.&lt;br /&gt;Nenhum de nós é capaz de murmurar: fica comigo e toca-me. E a noite cai, de certeza, mais escura para quem parte.&lt;br /&gt;Eu sou apenas a imagem do que fui. Não sinto nada.&lt;br /&gt;Certa vez, um homem e uma mulher pararam diante de mim. Olharam-me muito tempo.&lt;br /&gt;Aproximaram-se, afastaram-se, voltaram a aproximar-se do vidro que me protege. O nariz da mulher quase me tocou nos joelhos.&lt;br /&gt;De repente, a mulher inclinou a cabeça, sobressaltou-se e disse:&lt;br /&gt;- Zé, perdi o vidro do relógio.&lt;br /&gt;O homem baixou-se e procurou-o. Quando o encontrou, deu-lho. Mas ela argumentou:&lt;br /&gt;- A culpa foi tua. Eu não queria vir aqui.&lt;br /&gt;O homem, muito sério, respondeu-lhe.&lt;br /&gt;- Francamente, Fátima, não te toquei no pulso. Não mexi no tempo. Nunca mexo no tempo...&lt;br /&gt;Outras vezes, quando não está ninguém a olhar para mim, ponho-me a cismar:&lt;br /&gt;A luz é o meu túmulo.&lt;br /&gt;Em tempos, os meus gestos tiveram o rigor da abelha que rouba o pólen à flor. Com esses gestos quis construir um espaço para o silêncio. Uma morada onde fosse possível ignorar o mundo, ou esquecê-lo.&lt;br /&gt;De vez em quando, aceito ainda o mistério das palavras que me cercam e não coincidem, em nada, com a realidade. Eu só quis celebrar a vida.&lt;br /&gt;Encontrar o esconderijo onde fosse possível um derradeiro acto de paixão. O esconderijo onde pudesse, de novo, tocar teu rosto e recusar a aridez da calúnia.&lt;br /&gt;Mas a luz é o meu túmulo.&lt;br /&gt;A pouco e pouco incendiaram-se os negros profundos, o círculo luminoso aprisionou-me, e as mãos gesticularam sem sentido. O interior das paisagens guardou a tua ausência. E numa última visão a madrugada irrompeu do mar adormecido.&lt;br /&gt;As mãos abriram-se novamente, quando o dia começou a devorar a nudez do corpo.&lt;br /&gt;Comovido, perdi a voz.&lt;br /&gt;Não podia chamar-te, lembro-me, por isso desatei a escrever o teu nome nas paredes da cidade. Tempo perdido. Já não podias ouvir-me nem ler-me.&lt;br /&gt;Foi quando desejei, com ardor, este esconderijo.&lt;br /&gt;Aqui, pelo menos, respiro ar condicionado, e um foco de luz simula a eternidade dos dias.&lt;br /&gt;Não há emoções, nem palavras ditas em voz alta. Não acontece nada, nem se ouve respiração alguma.&lt;br /&gt;Quem me visita diz coisas fantásticas a meu respeito. Nunca confirmo nem desminto. Limito-me a ouvir e calo-me. Porque há coisas que devem correr com o tempo e, mais tarde ou mais cedo, nele se apagam.&lt;br /&gt;É claro que também há coisas guardadas na minha memória de papel. Mas essas, já não tenho a certeza de que alguém as tenha dito ou eu as tenha, de facto, ouvido.&lt;br /&gt;Por vezes ponho-me a sorrir, mas ninguém consegue ver que sorrio, porque o retrato que me esconde - como eu - está morto e desfocado.&lt;br /&gt;E a luz é o nosso túmulo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;* Lindo demais esse texto do Al Berto. É como eu sempre falo: esperança há muito deixou de ser luxo; é sobrevivência.&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-6035037108894970994?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/6035037108894970994/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/10/o-esconderijo-do-homem-triste.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/6035037108894970994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/6035037108894970994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/10/o-esconderijo-do-homem-triste.html' title='O Esconderijo do Homem Triste*'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/TMcDj-xHVLI/AAAAAAAAAH8/sMoEm5qTQDc/s72-c/al_berto-1doc.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-1775338228406838240</id><published>2010-10-04T13:04:00.000-07:00</published><updated>2010-10-04T13:23:07.028-07:00</updated><title type='text'>sem poeira pelos cantos.</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;Usar cores fortes. Voltar a mim mesma. Escutar mais hip hop. Esquecer, perdoar, abandonar. Cortar o cabelo nos ombros. Comprar o primeiro batom. Aceitar a vida acadêmica. Retornar a Freud e Foucault. Reformar, cortinas e sonhos. Caminhar, mesmo sem saber para onde. Aceitar, recolher, transformar. Agradecê-los, mainha e painho. Voltar: à literatura, à vida. Renovar.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Nos minutos seguintes de silêncio, cúmplices da mentira maior, aproveitou para reviver a tristeza insuportável daqueles dias chuvosos anteriores à partida para as novas terras. O pai, seu melhor amigo, de fato, enfim morrera da doença misteriosa que não compunha o repertório dos médicos. O namorado, a quem sempre se referia no diminutivo, já não a satisfazia em nenhum aspecto, sequer servia para apagar as lembranças da fresca madrugada. Havia ainda Beto, e desde que batera os olhos naquele músico tão carioca, em espírito e sotaque, deduziu a oportunidade de encontrar ali, e talvez apenas ali, uma redenção possível. Ao mesmo tempo, pensava todos os dias no doutorado quase abandonado, oportunidade exclusiva daquele momento, dando-se conta, cotidianamente, da vida pouco satisfatória, entre uma e outra aula particular, desperdiçando as horas como revisora de uma pequena editora local. Havia ainda todos aqueles princípios, fantasmas diante do precipício, insistentes em provocações típicas de tempos heróicos: ainda havia escolha, ainda havia chance, ainda era possível reescrever tudo de novo desde a dedicatória". &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(velhas letrinhas caminhando para publicação)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-1775338228406838240?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/1775338228406838240/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/10/sem-poeira-pelos-cantos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/1775338228406838240'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/1775338228406838240'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/10/sem-poeira-pelos-cantos.html' title='sem poeira pelos cantos.'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-9203503483914292277</id><published>2010-10-01T12:33:00.000-07:00</published><updated>2010-12-02T12:00:01.978-08:00</updated><title type='text'>os perdões possíveis.</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/TKY5yGCPtsI/AAAAAAAAAHM/ZSjj3mwR_EU/s1600/buque_casamento.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5523165525792765634" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/TKY5yGCPtsI/AAAAAAAAAHM/ZSjj3mwR_EU/s400/buque_casamento.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Abri a porta com o coração cheio de susto. Bastou rever aqueles olhos azuis para tudo se aquietar novamente. Com a voz embargada pelos anos todos em vão, no escuro silencioso das despedidas, ela ainda conseguiu escolher as palavras mais difíceis:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;- Se tudo fracassar mais uma vez, quero que você jamais esqueça uma coisa. Isso aqui, nós, é a intensidade mais cheia de alma que já presenciei em toda a minha vida. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sorri, desejando completar: "o que separou a gente foi guerra, Lívia". Mas afirmar isso era quase o mesmo que sugerir uma guerra concluída, já inexistente. Estacionei no silêncio: aos quarenta anos todos sabem que algumas guerras liberam fantasmas permanentes. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-9203503483914292277?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/9203503483914292277/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/10/os-perdoes-possiveis.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/9203503483914292277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/9203503483914292277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/10/os-perdoes-possiveis.html' title='os perdões possíveis.'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/TKY5yGCPtsI/AAAAAAAAAHM/ZSjj3mwR_EU/s72-c/buque_casamento.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-3600740418707743066</id><published>2010-09-24T12:17:00.000-07:00</published><updated>2010-09-24T12:23:23.891-07:00</updated><title type='text'>perdões impossíveis.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;VIVER&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(Carlos Drummond de Andrade)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Mas era apenas isso,&lt;br /&gt;era isso, mais nada?&lt;br /&gt;Era só a batida&lt;br /&gt;numa porta fechada?&lt;br /&gt;E ninguém respondendo,&lt;br /&gt;nenhum gesto de abrir:&lt;br /&gt;era, sem fechadura,&lt;br /&gt;uma chave perdida?&lt;br /&gt;Isso, ou menos que isso,&lt;br /&gt;uma noção de porta,&lt;br /&gt;o projeto de abri-la&lt;br /&gt;sem haver outro lado?&lt;br /&gt;O projeto de escuta&lt;br /&gt;à procura de som?&lt;br /&gt;O responder que oferta&lt;br /&gt;o dom de uma recusa?&lt;br /&gt;Como viver o mundo&lt;br /&gt;em termos de esperança?&lt;br /&gt;E que palavra é essa&lt;br /&gt;que a vida não alcança?&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-3600740418707743066?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/3600740418707743066/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/09/perdoes-impossiveis.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/3600740418707743066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/3600740418707743066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/09/perdoes-impossiveis.html' title='perdões impossíveis.'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-7073979267807162551</id><published>2010-04-30T07:20:00.000-07:00</published><updated>2010-04-30T07:23:11.803-07:00</updated><title type='text'>Respirando no outono</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/S9rnr589qnI/AAAAAAAAAFE/gp-PCjP9Qpg/s1600/coracao_outline.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5465935839244429938" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 306px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/S9rnr589qnI/AAAAAAAAAFE/gp-PCjP9Qpg/s400/coracao_outline.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Always A Use&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(Madeleine Peyroux)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Maybe ain't no use in sayin' what I want it to be&lt;br /&gt;Maybe ain't no use in playin' a tune&lt;br /&gt;Maybe ain't no use in singin' my blues&lt;br /&gt;But there's always a use in you and me&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maybe ain't no use in watchin' through the window&lt;br /&gt;As the towns and our lives roll on by&lt;br /&gt;Maybe it ain't worth all the trouble in thinkin'&lt;br /&gt;But there's always use in you and I We can make it true&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;We can work on it too&lt;br /&gt;We can be what we want it to be&lt;br /&gt;We can be together&lt;br /&gt;As two or as three'cause there's always use in you and me&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maybe ain't no use in sayin' what I want it to be&lt;br /&gt;Maybe ain't no use in playin' a tune&lt;br /&gt;Maybe ain't no use in singin' my blues&lt;br /&gt;But there's always a use in you and me&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;We can make it true&lt;br /&gt;We can work on it too&lt;br /&gt;We can be what we want it to be&lt;br /&gt;We can be together&lt;br /&gt;As two or as three' Cause there's always use in you and me&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maybe ain't no use in watchin' through the window&lt;br /&gt;As the towns and our lives roll on by&lt;br /&gt;Maybe it ain't worth all the trouble in thinkin'&lt;br /&gt;But there's always use in you and I.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-7073979267807162551?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/7073979267807162551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/04/always-use-madeleine-peyroux-maybe-aint.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/7073979267807162551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/7073979267807162551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/04/always-use-madeleine-peyroux-maybe-aint.html' title='Respirando no outono'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/S9rnr589qnI/AAAAAAAAAFE/gp-PCjP9Qpg/s72-c/coracao_outline.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-4283290668429049353</id><published>2010-03-12T05:29:00.000-08:00</published><updated>2010-03-12T06:25:46.399-08:00</updated><title type='text'>I go back to…</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/S5pGHZCWIOI/AAAAAAAAAD0/jGPW1CDKQLc/s1600-h/flores_-5049.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5447743792051790050" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/S5pGHZCWIOI/AAAAAAAAAD0/jGPW1CDKQLc/s400/flores_-5049.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Ele traz o rosto engolido pelo susto, preso em dúvidas impossíveis de desfazer com um abraço apertado. Acaba de virar a curva. Ela sorri, silenciosa e inocente. Ainda não imagina a dimensão do sofrimento futuro. Eles nunca precisaram compreender a sintonia entre felicidade e fracasso. A chuva miúda da semana inteira constrói poças do lado de fora da janela. Uma semana inteira de previsões, respingos, apertos. Nenhum dos dois lembrou do banho àquela manhã. Ela abre a porta, transbordando em expectativas. Ele segura seu corpo com as mãos firmes e a cabeça atolada em abismos incompreensíveis. “Agora é daqui pra frente”. Eles se assustam com a freqüência dos passos. Ela repara o vidro embaçado da porta da sacada. Será que jamais arranjaria alguém para dar jeito naquilo? Ele fecha os olhos, órfão de abrigos temporários. Reconhecia o inesperado daquela dor. Sinto vontade de gritar: “Desistam”. Haverá noites mal dormidas, desejos insatisfeitos, tensões imunes à esperança. Não consigo. “Vocês farão muito mal um ao outro, como só se faz a quem se ama”. Não consigo. “Nenhuma oração vai trazer de volta o melhor da alma”. Não consigo. Tudo ali transcende.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;(&lt;strong&gt;... a tarde das estrelas no céu&lt;/strong&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;PS: Para ler na sequência da &lt;a href="http://jadices.blogspot.com/2010/02/sharon-olds-paixao-da-hora.html"&gt;Sharon Olds&lt;/a&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-4283290668429049353?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/4283290668429049353/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/03/i-go-back-to.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/4283290668429049353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/4283290668429049353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/03/i-go-back-to.html' title='I go back to…'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/S5pGHZCWIOI/AAAAAAAAAD0/jGPW1CDKQLc/s72-c/flores_-5049.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-7706550212979198369</id><published>2010-03-03T04:38:00.001-08:00</published><updated>2010-03-04T11:48:00.244-08:00</updated><title type='text'>enquanto isso, na sala da justiça...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/S45ebc5Yh6I/AAAAAAAAADs/-anllNPWEy8/s1600-h/viver-a-vida-tais-jose-globo-novela.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5444392825243862946" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 335px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/S45ebc5Yh6I/AAAAAAAAADs/-anllNPWEy8/s400/viver-a-vida-tais-jose-globo-novela.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;(para ler na sequência da dupla "choque de realidade", lá embaixo)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Manoel Carlos, o atual chefão das nove, parece remar na contramão dos &lt;a href="http://jadices.blogspot.com/2010/02/choque-de-realidade-ainda.html"&gt;indelicados costumes &lt;/a&gt;contemporâneos. Enquanto o mundo é assaltado por &lt;a href="http://jadices.blogspot.com/2010/02/choque-de-realidade.html"&gt;barulhentos moralistas &lt;/a&gt;(sobretudo falsos moralistas), o velhinho recorre a certa visão bastante particular dos relacionamentos para contrariar a nova (velha) ordem vigente. &lt;em&gt;Viver a vida&lt;/em&gt; já pode ser considerada a teleficção mais cool até hoje: não há mocinhos nem vilões, não há certo e errado, não há falatório sobre contingências, não há escolhas fáceis nem sentenças obrigatórias. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vive-se, "apenas". &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Helena, a protagonista, decide se casar após um mês de namoro com o galinhão da história. Vinte anos mais velho, recém separado e pai de três filhas, Marcos abraça a missão "horário integral", mas não abandona os freelas. Para complicar ainda mais o envolvimento instantâneo com um homem sequer divorciado no papel, Helena carrega o fardo de ter escolhido um aborto no passado, remédio para uma gravidez imprevista, a fim de se firmar na profissão. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Friso: Helena não fez um aborto por falta de condições para criar o filho, recurso comum aos enredos lacrimejantes, típicos do gênero melodramático, estilo ficcional da modernidade. A mocinha abortou, sim, mas por amor ao trabalho e à sua opção de mulher sem filhos. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para completar o rol das experiências inusitadas, logo após a lua de mel conhece Bruno, um fotógrafo da sua idade, por quem se sente irrestivelmente atraída. É correspondida. Com poucos meses de casada, beija o amigo num deslize nada calculado. Sente-se mal, jamais culpada. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;No núcleo "cômico", Betina está prestes a completar bodas de porcelana com um galanteador que não dispensa a faxineira da própria casa. Juntos, tiveram uma filha adolescente. Embora sempre envolvido em noitadas e bebedeiras, Gustavo, o marido, parece nunca tê-la traído efetivamente. A "correção", porém, embora exista de fato, é relativizada pelo motivo: falta de oportunidade. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um belo dia, sem qualquer aviso prévio, Betina apaixona-se por Carlos na esteira da academia. É correspondida. O susto toma conta, ela desabafa com a amiga. Ingrid divide choros e ranger de dentes, Betina não desiste. Atualmente sua vida se resume às peripécias para efetivar sua paixão sem ser descoberta. O casal extra-conjugal recebeu até música romântica na trilha. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Luciana, aspirante a top tetraplégica após acidente de ônibus, beija o irmão na boca bem no comecinho da trama. Eles não se sabem irmãos. Ela era noiva de Jorge na época. Detalhe: o descompasso ocorre com Bruno, futura paixão recolhida de sua madrasta Helena. O beijo deslocado jamais martirizou a modelo. E Manoel Carlos nunca voltou ao assunto, construindo um silêncio que naturaliza com ainda mais competência os tropeços do seu viver a vida.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Acontece"- sugere a trama. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Miguel era para ser o gêmeo "malvado": aprontão, debochado, um tantinho indisciplinado, há anos luta para concluir a faculdade. Jorge, o certinho, recusa o dinheiro do pai para vencer às próprias custas no escritório de arquitetura. Valoriza o esforço, o terno e os modos corretos da cartilha. Namora a modelo Luciana desde a adolescência. Miguel apaixona-se pela namorada do irmão. Luciana apaixona-se por Miguel. O constrangimento é geral. Ainda assim, a ausência de moralismo é enfatizada com tanta segurança que o Brasil inteiro torce pelo casal torto. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sem dúvida é a primeira vez que uma novela das nove aborda temas tão espinhosos sem moralismos e pré-julgamentos. As atitudes controvertidas das personagens, sobretudo das mulheres, não geram fofocas, salvo em raríssimas ocasiões, nem disse-me-disse, nem culpas abissais, nem castigos da providência. Os "erros" simplesmente não são assunto, nem fazem história - a não ser dentre os núcleos cruéis da novela, ávidos pelas fogueiras alheias. Ninguém padece de dor, ninguém torce por escândalos. A civilidade toma conta das confusões, impulsionada por certa maturidade que parece sussurrar o óbvio antes inédito na grade de programação: nem sempre a vida segue da maneira planejada, nem sempre os sonhos se concretizam, nem sempre se consegue completar o caminho sem virar a curva. Algumas situações exigem curvas. Dos mais absurdos desacertos entre irmãos às histórias de amor mais atropeladas, tudo aqui é tratado com uma naturalidade silenciosa e consoladora. A naturalidade de quem sabe que pouco se escolhe, no fim das contas. Algumas coisas simplesmente acontecem. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ainda há alguma luz no fim do túnel. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;E quem acende os faróis é um senhor de 76 anos. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;PS: Texto escrito há semanas, apenas à espera de ganchos.&lt;br /&gt;PPS: A capa do Hora de Santa Catarina, no último sábado, pergunta "Viver é trair?". Não, certamente que não. Mas "viver", esclarece Maneco, está longe de se limitar a bons mocismos.&lt;br /&gt;PPPS: O segundo gancho é um textaço bom demais, do editorialista Rafael Cariello, publicado na Folha de São Paulo do último domingo. O título é "Moralismo migra das novelas para telejornais". &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-7706550212979198369?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/7706550212979198369/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/03/enquanto-isso-na-sala-da-justica.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/7706550212979198369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/7706550212979198369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/03/enquanto-isso-na-sala-da-justica.html' title='enquanto isso, na sala da justiça...'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/S45ebc5Yh6I/AAAAAAAAADs/-anllNPWEy8/s72-c/viver-a-vida-tais-jose-globo-novela.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-607600802431003987</id><published>2010-02-24T05:36:00.000-08:00</published><updated>2010-02-24T05:43:54.017-08:00</updated><title type='text'>Sharon Olds, paixão da hora.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;I Go Back to May 1937*&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I see them standing at the formal gates of their colleges,&lt;br /&gt;I see my father strolling out&lt;br /&gt;under the ochre sandstone arch, the&lt;br /&gt;red tiles glinting like bent&lt;br /&gt;plates of blood behind his head,&lt;br /&gt;I see my mother with a few light books at her hipstanding at the pillar made of tiny bricks,&lt;br /&gt;the wrought-iron gate still open behind her, its&lt;br /&gt;sword-tips aglow in the May air,&lt;br /&gt;they are about to graduate, they are about to get married,&lt;br /&gt;they are kids, they are dumb, all they know is they are&lt;br /&gt;innocent, they would never hurt anybody.&lt;br /&gt;I want to go up to them and say Stop,&lt;br /&gt;don’t do it—she’s the wrong woman,&lt;br /&gt;he’s the wrong man, you are going to do things&lt;br /&gt;you cannot imagine you would ever do,&lt;br /&gt;you are going to do bad things to children,&lt;br /&gt;you are going to suffer in ways you have not heard of,&lt;br /&gt;you are going to want to die. I want to go&lt;br /&gt;up to them there in the late May sunlight and say it,&lt;br /&gt;her hungry pretty face turning to me,&lt;br /&gt;her pitiful beautiful untouched body,&lt;br /&gt;his arrogant handsome face turning to me,&lt;br /&gt;his pitiful beautiful untouched body,&lt;br /&gt;but I don’t do it. I want to live. I&lt;br /&gt;take them up like the male and female&lt;br /&gt;paper dolls and bang them together&lt;br /&gt;at the hips, like chips of flint, as if to&lt;br /&gt;strike sparks from them, I say&lt;br /&gt;Do what you are going to do, and I will tell about it.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;* I go back...&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-607600802431003987?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/607600802431003987/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/02/sharon-olds-paixao-da-hora.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/607600802431003987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/607600802431003987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/02/sharon-olds-paixao-da-hora.html' title='Sharon Olds, paixão da hora.'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-3043335509783910865</id><published>2010-02-12T03:08:00.000-08:00</published><updated>2010-02-12T03:16:42.559-08:00</updated><title type='text'>choque de realidade II*</title><content type='html'>&lt;p&gt;“As pessoas reagiam com um ódio que eu não conseguia entender de onde vinha. Fui xingada como se tivesse cometido um crime. De andar na calçada e as pessoas gritarem de dentro do carro: ‘Vagabunda!’. Em restaurantes, sempre aparecia gente zoando. E você lá, comendo com o seu namorado, conversando de coisas simples, como o gato que está com a pata machucada, tinha que levantar e ir comer em outro lugar.”&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mallu Magalhães, sobre as dificuldades do comecinho do namoro com o músico Marcelo Camelo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;* Dei a dica pro Marquinhos, da Contracapa, e agora publico aqui também. Assustador demais. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-3043335509783910865?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/3043335509783910865/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/02/choque-de-realidade-ainda.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/3043335509783910865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/3043335509783910865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/02/choque-de-realidade-ainda.html' title='choque de realidade II*'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-8280292210133946761</id><published>2010-02-05T11:56:00.000-08:00</published><updated>2010-02-05T12:46:52.180-08:00</updated><title type='text'>choque de realidade</title><content type='html'>Senhoras e senhoras, bem-vindos ao século XXI:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;:: O general Raymundo Nonato de Cerqueira Filho defendeu, esta semana, que as Forças Armadas só devem aceitar homossexuais que mantenham segredo de sua orientação sexual. Para o digníssimo senhor, constrangedoramente ignorante em relação à constituição brasileira, há incompatibilidade entre os gays e a atividade militar. &lt;span id="brtpTexto"&gt;Adepto de ferrenho positivismo, ainda tentou explicar: &lt;/span&gt;"A vida militar reveste-se de determinadas características, inclusive em combate, que pode não se ajustar ao comportamento desse indivíduo".&lt;span id="brtpTexto"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;:: Tessália, do BBB, deixa a casa sob ataques ferrenhos da COMUNIDADE por ter explorado o edredon ao lado do namoradinho, Michel, que omitiu detalhes do seu estado civil. Já "acusaram" a moça de lesbianismo, vagabundagem, sem-vergonhice, dentre outras ofertas. Enquanto isso, a oficial faz ensaio "sexy" no site Paparazzo, famoso reduto de sub-celebrities, e revela detalhes "estarrecedores e picantes" do relacionamento. A réplica da Twitess é a melhor parte do enredo: "Tô pouco me lixando". Salve, salve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho vergonha de viver nesse mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-8280292210133946761?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/8280292210133946761/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/02/choque-de-realidade.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/8280292210133946761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/8280292210133946761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/02/choque-de-realidade.html' title='choque de realidade'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-2469004358276172021</id><published>2010-02-02T04:29:00.000-08:00</published><updated>2010-02-04T08:13:04.143-08:00</updated><title type='text'>1ª pessoa, masculino</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;"&gt;Senti apenas tédio quando cheguei à Inglaterra. Amava Lívia, e já não era mais possível refutar a óbvia assertiva. Amava-a para além dos raros encontros nus, amava-a para além da perfeição dos traços e das evasivas, amava-a para além da ficção radiosa que carregava de um canto a outro como um tesouro ofertado a raros merecedores. A ficção era o seu produto mais bem acabado, denso e refinado, e desejá-la fora daquele espaço exigia uma intensidade que eu não imaginava dispor. Uma intensidade que começou a despontar no exato instante que observei suas pernas compridas e seus olhos puxados invadindo a sala de reuniões pela primeira vez. Era o ano de estréia da minha faculdade. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;"&gt;Para meu desespero, todos repararam a sua presença, e lutaram para adivinhar as disciplinas reivindicadas, e devoraram o olhar azul e oblíquo, e imaginaram suas costas ao sol e seus braços finos despidos de mangas e babados - "seria ainda mais bonita nua?" Alheia às especulações, ela atravessou o salão sem se intimidar com as expressões atabalhoadas ou os ruídos do próprio salto, sempre no mesmo passo decidido, suave mas compassado, num ritmo exclusivo dela. Olhava para a frente, presa num ponto fixo, absorvida por certo universo interno que, já ali, parecia envolvente como um bom livro. Apresentava uma segurança gratuita, em tom de desafio, como se já tivesse enfrentado um escândalo imprevisto e terrível.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;"&gt;Antes mesmo que ela se acomodasse, meus pensamentos já tinham arrancado o seu vestido cor-de-rosa, beijado com força seus lábios escurecidos pelo batom e possuído cada pedaço da sua alma com tranqüilidade e força. Quando acendi o primeiro cigarro, depois de fazê-la gozar três vezes, a versão vestida de Lívia escolhia um lugar ao meu lado, numa das tantas cadeiras vagas, ainda cheirando a tinta fresca. Sentou, bufou, espalhou os pertences sobre o apoio estreito. Na seqüência, virou-se para mim e abriu um sorriso brilhante, o único daquela tarde. Foi como receber um convite para a mais secreta fraternidade. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;"&gt;Retribui, forçando frieza, e protelando qualquer entrega ao deslumbramento. Cochichei em seu ouvido, disposto a recusar o atordôo pelo singelo sorriso de abertura: "Estão combinando o horário das reuniões mensais com a diretoria". Ela rebateu: "Como serão aos sábados, nem me interessa". E riu, sozinha. Se desconfiasse que eu era o diretor, a ironia seria bem maior, sem dúvida. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;"&gt;Hoje eu sei como Lívia funciona. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-2469004358276172021?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/2469004358276172021/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/02/1-pessoa-masculino.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/2469004358276172021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/2469004358276172021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/02/1-pessoa-masculino.html' title='1ª pessoa, masculino'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-9150585218926597147</id><published>2010-02-01T12:07:00.000-08:00</published><updated>2010-02-01T15:30:41.203-08:00</updated><title type='text'>Sempre ele.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;And in her eyes you see nothing,&lt;br /&gt;No sign of love behind the tears cried for no one,&lt;br /&gt;A love that should have lasted years.&lt;br /&gt;(The Beatles)&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Um ricaço de West Egg promove festas nababescas em sua mansão. Com uma taça de champanhe legítima na mão, desprezada sempre antes do fim, observa o combinado de grunhidos, perfumes e afetações do alto da varanda. Nunca conseguiu se divertir. Todas as notas de jazz tentam reparar uma perda inesquecível, a perda de Dayse, sua namorada de adolescência. Há anos espera a madrugada do reencontro, quando ela, finalmente, borboleteará toda a sua futilidade pelos jardins bem cuidados da residência. Ela nunca chega; talvez nunca tenha havido amor no seu olhar. Por Dayse, Jay Gatsby virou milionário, desafiou leis, comprou brigas infindáveis, chorou lágrimas secas, atraiu toda a maledicência da província. Ela nunca se importou; a aparência borbulhante do seu castelo de cartas sempre pareceu mais viçosa. Ele compreende a impossibilidade: "Às vezes a gente perde o principal, meu velho". Às vezes não, Gatsby.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baita história - forte, doce e triste, como a vida. Sem dúvida, o mais bem escrito romance de Scott Fitzgerald, embora não seja o meu xodó (&lt;a href="http://jadices.blogspot.com/2009/10/meus-mais.html"&gt;http://jadices.blogspot.com/2009/10/meus-mais.html&lt;/a&gt;). É a sexta vez que leio e sempre fico impressionada. Como disse o MESTRE Paulo Francis, "se você algum dia foi jovem e se apaixonou, Fitzgerald escreveu este livro... só para você".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso aí, meu velho. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-9150585218926597147?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/9150585218926597147/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/02/ele-sempre.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/9150585218926597147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/9150585218926597147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/02/ele-sempre.html' title='Sempre ele.'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-8984887608133110637</id><published>2010-01-28T03:38:00.000-08:00</published><updated>2010-01-28T04:25:30.371-08:00</updated><title type='text'>letrinhas</title><content type='html'>"Tomada pela iniciativa de concluir a despedida, Maria Carolina partiu, apressada, sem corresponder ao abraço apenas esboçado de Tom, sem sequer parabenizar a amiga pela nova conquista profissional. Entre passos em falso e corridas meio desengonçadas, caminhou até a esquina, lutando com as próprias pernas para se ver longe de Tom, ao menos naqueles minutos, confusa pelo único pensamento que persistia em sua mente como idéia fixa. &lt;em&gt;Seria melhor agora&lt;/em&gt;, explicava, de si para si, sem saber exatamente o quê; afinal deveria valer para alguma coisa não ter mais dúvida alguma sobre o que desejava próximo e o que preferia manter bem longe. Vencida pelo susto, porém, não teve tempo de atravessar a rua: apoiada num banco público de ferro branco, chorou compulsivamente durante a meia hora inteira que levou para perceber que tudo já se modificara mais uma vez. Eram as primeiras lágrimas desde que seu olhar alcançara Beto naquele caixão; era talvez a última chance deles, ela e Tom, Tom e ela".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(livro de gaveta, prometido para 2010)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;PS: De volta à carreira universitária, depois de um ano afastada por falta de alunos. Professora, mais uma vez, agora da Uniban. Já adianto: nada de vestidos cor-de-rosa.&lt;br /&gt;PPS: Bem-vindo, Antônio! Que seja doce a sua história. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-8984887608133110637?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/8984887608133110637/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/01/tomada-pela-iniciativa-de-concluir.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/8984887608133110637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/8984887608133110637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/01/tomada-pela-iniciativa-de-concluir.html' title='letrinhas'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-4283605630820476373</id><published>2010-01-26T11:13:00.000-08:00</published><updated>2010-01-26T12:28:26.749-08:00</updated><title type='text'>Um brinde (sem álcool)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/S19MYJkFQVI/AAAAAAAAADk/CIt6o4rdYWQ/s1600-h/charlie_lola.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5431143653399937362" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/S19MYJkFQVI/AAAAAAAAADk/CIt6o4rdYWQ/s400/charlie_lola.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;Bastaria um telefonema à meia-noite, seguido da frase engasgada: "obrigada por tudo, por ser, por existir". Mas Lola não conseguiu. Sabia que iria muito além. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"Me ensina os passos lentos. Me ajuda a respirar. Como você alcança essa frequência? De onde sai tanto silêncio?"&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Deitou, pensou, escreveu o sms de feliz aniversário. "Amo" - apenas as três letras mágicas, reunidas na ordem ideal. Charlie era seu irmão, uma fatia dela, ácida, e aquilo era tão grandioso que impedia o milagre da frase correta. E logo com ela, tão cheia de letrinhas. Buscou coragem para escrever:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Não sei como seria sem você. Não sei quem eu seria". &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não escreveu nada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Amo" - apenas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Desde sempre, pensou.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-4283605630820476373?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/4283605630820476373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/01/um-brinde-sem-alcool.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/4283605630820476373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/4283605630820476373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/01/um-brinde-sem-alcool.html' title='Um brinde (sem álcool)'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/S19MYJkFQVI/AAAAAAAAADk/CIt6o4rdYWQ/s72-c/charlie_lola.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-2608387481145426575</id><published>2010-01-19T10:02:00.000-08:00</published><updated>2010-01-19T10:34:45.528-08:00</updated><title type='text'>drops</title><content type='html'>:: A única imagem assimilada por Valentina naquela manhã de abril foi o desbotado do céu: não havia contornos, nem sustos, nem margens. Apenas uma tristeza mansa que encobria seu olhar com um véu de saudade e melancolia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;:: As pessoas suportam cotas diferentes de felicidade e dor. Existe uma zona de conforto, e ela é diferente para cada um. Acreditar que excesso de felicidade constrói &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mais &lt;/span&gt;felicidade é uma falácia. Ingenuidade, na melhor das hipóteses. Se excesso de tristeza é depressão, felicidade em demasia é desespero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;:: Até conhecer Lívia eu era um homem de beiradas. Jamais ultrapassava a fronteira, jamais permiti que qualquer coisa ou pessoa se tornasse fundamental. Eis o ponto: até ser apresentado ao seu andar felino, insuportável de tão perfeito, eu não conhecia a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;necessidade&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;:: - O que você faz aqui? - Valentina perguntou, sem esconder o estranhamento.&lt;br /&gt;- Eu espero.&lt;br /&gt;Algo se adensa no silêncio.&lt;br /&gt;- Espera o quê?&lt;br /&gt;Depois do suspiro, uma confissão:&lt;br /&gt;- Me espero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(livro de gaveta)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-2608387481145426575?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/2608387481145426575/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/01/drops.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/2608387481145426575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/2608387481145426575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/01/drops.html' title='drops'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-3092821606813042518</id><published>2010-01-15T05:39:00.001-08:00</published><updated>2010-01-15T10:08:39.474-08:00</updated><title type='text'>velhas letrinhas</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/S1CkxzbBY3I/AAAAAAAAADc/KsYk-ug1_ks/s1600-h/lua_nova.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5427018726505538418" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 268px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/S1CkxzbBY3I/AAAAAAAAADc/KsYk-ug1_ks/s400/lua_nova.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Na entrada do jardim, entre flores desbotadas e folhagens grandiosas, uma placa impedia devaneios maiores: &lt;em&gt;acesso proibido à noite&lt;/em&gt;. Encararam a ordem, em roupas de banho. Olharam-se, trocando sorrisos imediatos. De mãos dadas naquele novo risco, inocente agora, desafiaram o imperativo, mais uma vez, mergulhando na piscina sob as estrelas caducas do céu bahiano. A temperatura da água competia em frieza com os buracos fundos do estômago. Talvez tudo estivesse sendo decidido naquele instante: a dimensão do futuro, as páginas cheias de rasuras, o sentido do passado, a longa estrada de feridas. Poderiam ter sido melhores um para o outro, sem dúvida. Se tivessem previsto tamanho sofrimento, talvez conseguissem engrossar os escudos. Impossível aquilo também, impossíveis as felicidades distantes. Talvez tudo já tivesse se decidido há tempos, à revelia das vontades mais legítimas. Sustentaram o silêncio por longos minutos. Ela mergulhou de novo, aproximando-se dele, encostado na borda. Renovada pelo conjunto de braçadas, Lívia encontrou coragem para começar pelo pior dali: &lt;p&gt;- Eu te quis demais àquela noite. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Frederico apenas sorriu, os olhos quase fechados. Há meses aguardava qualquer confissão sobre a sua madrugada mais frustrada. Se nunca acreditou tanto no futuro quanto naquelas quatro horas espremidas entre vícios da rotina, jamais alcançara o mal da manhã seguinte. "Nossas glórias serão sempre ingratas" - ela ainda sugeriu, na despedida, taça de vinho tinto na mão. A inviabilidade do enredo, as promessas fajutas trocadas em mesas de bar, o olhar trêmulo de pavor, a mistura da maior dor à grande benção, tudo aquilo partiu-o. Partiu-o em tantos que se escondia no hotel desde então: encontrara fantasmas demais perambulando nas ruas. A solução, supostamente temporária, já devorara alguns anos de sua vida. Do momento que escondeu as alianças no bolso até aquela nova infração, jamais ultrapassara os portões de entrada para o lado de lá, o lado do mundo, o lado da vida, o lado de Lívia. Fazia 2 anos, 3 meses e 23 dias, e ele jamais se perdeu nas contas. Desnorteado desde o inesperado telefonema, após alguns ensaios infrutíferos em frente ao espelho, conseguiu responder, ainda rouco de surpresa: &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Eu também te quis demais àquela noite. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Olharam-se num silêncio quente e úmido. Ele espiou os arredores, resignado com os esqueletos do armário. Por mais sujas que estivessem suas mãos, sempre soube que reencontraria aquela voz. Ela voltou à dor, à perda, às negativas. Gostaria de reescrever os princípios todos, mas talvez não houvesse mais tempo. Parecia sempre tarde para os imprescindíveis. Quis chorar pela fraqueza, pela recusa, pelo medo. Encarou Frederico, que sorria um sorriso de compreensão. Ele entendia, de fato. Não sabia exatamente o quê, nem como, mas entendia. Compreendia o fracasso e a dúvida, os passos apressados e a imaturidade irresponsável, a fuga melodramática pela porta dos fundos e os olhos sempre borrados de rímel. Afastando qualquer desespero, recorreu à lembrança salvadora: jamais outra oferta alcançara aquela dimensão. Espanou os pós todos, do coração aos saltos, da cabeça fervilhando, da vida equilibrista. Encerrou a questão: &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- E ainda não amanheceu para mim. &lt;/p&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(livro de gaveta)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-3092821606813042518?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/3092821606813042518/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/01/livro-de-gaveta.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/3092821606813042518'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/3092821606813042518'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/01/livro-de-gaveta.html' title='velhas letrinhas'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/S1CkxzbBY3I/AAAAAAAAADc/KsYk-ug1_ks/s72-c/lua_nova.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-7363228065578967686</id><published>2010-01-13T07:57:00.000-08:00</published><updated>2010-01-14T04:41:02.968-08:00</updated><title type='text'>Diretoria *</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/S04eIQ2SSsI/AAAAAAAAADU/crgdYmT-KmA/s1600-h/amizade1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5426307728338471618" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 262px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/S04eIQ2SSsI/AAAAAAAAADU/crgdYmT-KmA/s400/amizade1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Um deles é intenso como um ponto de exclamação! Fala alto, ri gostoso, explode em palavrões e superlativos mesmo diante das histórias mais ordinárias. Menino ainda, já foi estudante, garçom, recepcionista, produtor, professor, recreador, gerente e cozinheiro, dentre outras atuações impublicáveis. Só faltou a enfermagem. Encaminhado na direção, agora é linguarudo de carteirinha, além de jornalista convicto. Descobriu novinho as surpresas da vida, nem sempre agradáveis, mas dispensou o susto com bom humor. Levou a lição adiante e hoje compensa o tom ardidinho recusando quaisquer julgamentos. Sobretudo os próprios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O segundo integrante chegou de mansinho, arrastado por uma circunstância nada simpática: começara a namorar uma delas. Quando perceberam, o intruso alastrara-se com tal competência que já coordenava a turma toda. Sempre gostou de carro, futebol e cervejinha, temas antes pouco explorados nas assembléias da diretoria. Aprendeu a conviver com avaianos, sacrifício maior, e enredos dignos de seriado. Especialista em conselhos racionais, desconfia de tudo, bastante, o tempo inteiro. Quando cisma com algo ou alguém, vira piada interna, tamanha implicância. Quando precisa voltar atrás, não recua. Mas mantém o famoso bico armado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terceiro sempre alimentou uma perigosa mistura de autocomplacência e irrestrito desprezo pela humanidade. Após anos fora da província, voltou ainda mais, digamos, peculiar. Sábio como uma entidade budista, dotado de certa mediunidade ingrata, antecipa desfechos, prevê situações, anuncia desastres catastróficos - sempre com o mesmo tom de voz. Quase nunca é ouvido. Protesta esbravejando contra o repertório alheio, do alto de sua montanha indie. "É porque eu sou de aquário, babe". Dado a surtos esporádicos, desaparece de vez em quando, sem rastros. Quase sempre incomoda mais do que conforta. Por tudo isso, e tantos mais, nasceu para rei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da ala feminina, ela é a mais doce. Transforma os problemas de todos, dos banais aos grandiosos, em enxaqueca ou pesadelos repetitivos, geralmente envolvendo janelas. Ouve calada as histórias mais cabulosas; palpita pouco e compreende tudo. Parceira em games enjoativos, mania antiga das moças, está sempre presente, mesmo quando duplica a carga horária no consultório. Gosta de bichos e conversas esticadas, descobre canções fofinhas que escuta até cansar, lê Fitzgerald na esteira da academia, cria apelidos constrangedores dos quais não consegue se desvencilhar depois. Adepta do macrovita até debaixo d'água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra integrante atravessa profunda transformação, dadas as preferências líquidas da diretoria: trocou as taças de vinho pelo suco de limão, ao descobrir que esperava o primeiro bebezinho. Para compensar o radicalismo necessário, aplicou negrito em várias qualidades. Extremada defensora dos amigos, mesmo quando os encontra nas situações mais desconfortáveis, luta com unhas e dentes contra todos que agridem seus eleitos. É tão parceira que perdoa sem titubear, defende sem pedir explicações, ri e sofre sem saber por quê. Já foi loira, ruiva, morena e cantora. Hoje coleciona histórias bizarras e pede fraldas tamanho M ou G.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terceira integrante alcançou a façanha suprema: COCHILAR em meio às seletas reuniões festivas. A naturalidade com que os olhos se fecharam em pleno sofá foi tão assustadora que constrangeu até mesmo os defensores do afastamento. Acabaram por concordar, em uníssono: tal desfaçatez merecia respeito, jamais reprimendas. A dona da improvável dormidinha é toda assim: desligada, trapalhona, péssima para números. Em compensação, é autora dos conselhos mais malucos, das histórias (de amor) mais compridas e das madrugadas mais divertidas. Quando alcança o milagre de ultrapassar a meia-noite, é claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última, criadora do conceito "diretoria", mentora da idéia de reunir a turma sob o peso da responsabilidade do título, atrapalha-se um bocado. Tudo é meio over ali: caminha, atropela, ama, arranha. Tem um irmão de fé e outra de infância. Já precisou pedir perdão, e chorou ao receber um abraço apertado de volta. Já precisou partir algumas vezes, mas conseguiu seguir adiante sem olhar pra trás. Graças, sempre, às mãos que encontrou estendidas. Assim como o Nelsão, reconhece que o amigo é um momento de eternidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Erram aos borbotões, quase todos os dias, como todo mundo. Acertam também, compartilhando vitórias e felicidades. São velhos amigos de infância, embora dois ou três tenham se encontrado depois dos vinte. Mesmo com motivos de sobra para preocupação - pais, filhos, casa, emprego, dinheiro - confortam-se com a presença inequívoca. Brigam entre si, também quase todos os dias. Mas abandonam qualquer rusga ou arrufo para zelar pela potência da instituição. Alguns adivinham madrugadas escuras, oferecendo telefonemas salvadores. Outros só sorriem, em silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* A você, irmão, irmão, irmão, meu xodó, meu mais. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-7363228065578967686?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/7363228065578967686/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/01/diretoria.html#comment-form' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/7363228065578967686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/7363228065578967686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/01/diretoria.html' title='Diretoria *'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/S04eIQ2SSsI/AAAAAAAAADU/crgdYmT-KmA/s72-c/amizade1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-3803735095361348554</id><published>2010-01-11T03:55:00.000-08:00</published><updated>2010-01-11T07:57:48.410-08:00</updated><title type='text'>Vicky, Cristina, Barcelona.</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/S0srOCZBllI/AAAAAAAAADM/t-l6qD5hfHM/s1600-h/cris_melena.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5425477696257889874" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 267px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/S0srOCZBllI/AAAAAAAAADM/t-l6qD5hfHM/s400/cris_melena.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;A autoria do norte-americano Woody Allen sugere duas interpretações da experiência humana. A primeira, com aparições esporádicas na indústria do cinema, tragifica experiências comuns à modernidade (ainda que desconfortáveis), condenando as personagens a escolhas extremas, motivadas por erros possíveis de driblar com um tantinho de sorte ou temperança. Assim ocorre em &lt;em&gt;Crimes e Pecados&lt;/em&gt;, que conta o drama do médico Judah Rosenthal , disposto a assassinar a amante para livrar sua reputação de interferências negativas. Assim também ocorre no recente &lt;em&gt;Match Point&lt;/em&gt;, microcosmo do seu "cinema de dilema", no qual o protagonista Chris Wilton vive um pesadelo particular, repleto de mentiras e baixezas, após se envolver com uma aspirante a atriz. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quando potencializa o desvio das fronteiras, Woody Allen coloca no centro da cena os erros e enganos espontâneos, geralmente infidelidades, que transformam/transtornam a vida dos (anti-) heróis, expulsando-os para sempre da zona de conforto. Geralmente tais ultrapassagens do "esperado" corroem os arredores da experiência dos protagonistas até atingirem o ponto mais íntimo, ápice da trajetória descendente desses mocinhos tão cheios de potência (para o bem e para o mal). Ironicamente, nos dois casos citados as personagens principais escapam das consequências legais (merecidas, até segunda ordem). Na primeira história, por inteligência. Na segunda, por um golpe de sorte. Não escapam, porém, deles mesmos: seguem com a culpa. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas há um outro Woody Allen, não tão afeito ao trágico, que flerta periodicamente com a maneira libertária com que o espanhol Pedro Almodovar espia o mundo do lado de cá. Quando elabora tal visada, abandona a tragificação do cotidiano para seguir o caminho oposto: naturalizar as situações mais exóticas, simplificar descaminhos (aparentemente) chocantes, amplificar o mínimo detalhe que transforma desvio em imperativo. E é este Woody Allen subversivo que comanda roteiro e direção de &lt;em&gt;Vicky, Cristina, Barcelona&lt;/em&gt;. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Num ensolorado verão em Barcelona, a correta Vicky se apaixona pelo "quente" Juan Antonio, artista plástico de renome, às vésperas do casamento dos seus sonhos. Envolve-se com ele, dorme com ele, não consegue tirá-lo da cabeça. O noivado continua, até virar casamento. A paixão permanece. Cristina, oposta em tudo da melhor amiga, defende o amor livre. Acaba nos braços do latino que confundiu Vicky, com quem vai morar na mesma semana. O quadrilátero se confirma quando a perturbada Maria Elena, ex-mulher de Juan, volta para casa após uma tentativa de suicídio. Cristina envolve-se com os dois, e tudo termina num triângulo insólito, desfeito justamente quando adquire o "peso" do ordinário/comum/pacífico. Nenhum deles sabe exatamente o que quer, e tal incompletude parece ser resultado de corações cheios de dúvida, sempre prontos para bater em horas impróprias. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Todos erram aqui. Não são maus, mas erram &lt;em&gt;por querer&lt;/em&gt;, sobretudo a mocinha clássica, Vicky, que precisa receber um tiro na mão para reconhecer a inadequação da roda-viva Maria Elena &amp;amp; Juan às suas expectativas de futuro. Pior: ela erra e ninguém sabe, sequer o noivo. Cristina, ao mesmo tempo, destrói um triângulo (ironicamente) perfeito por pura insatisfação (incurável), desestabilizando a vida de duas pessoas para seguir adiante com a sua. Juan Antonio e Maria Elena optam pela frequência de sempre, entre agressões físicas e encontros fulminantes. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Todos erram aqui, de fato. Envolvem pessoas, subvertem as regras, escondem dados importantes. Mas são todos honestos com o mais importante, eles mesmos. Honestos com suas verdades voláteis, com suas promessas fajutas, com suas permanências insondáveis, com seus mistérios e, sobretudo, com suas confusões. Nas mãos generosas do diretor, tornam-se humanos, jamais imaturos. Woody Allen conhece nossas falhas, nossas faltas, nossas ganas, e nos abençoa (também) por isso. Conviver com os erros é lição de sabedoria, parece dizer, jamais de destruição. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;* Scarllet Johansson (a Cristina) foi um dos meus vícios de novembro. Achei completamente vintage a sua voz agudinha e viciei no álbum dela com Pete Yorn. Hoje não aguento mais ouvir...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-3803735095361348554?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/3803735095361348554/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/01/vicky-cristina-barcelona.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/3803735095361348554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/3803735095361348554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/01/vicky-cristina-barcelona.html' title='Vicky, Cristina, Barcelona.'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/S0srOCZBllI/AAAAAAAAADM/t-l6qD5hfHM/s72-c/cris_melena.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-3757084539082202452</id><published>2010-01-06T05:12:00.000-08:00</published><updated>2010-01-06T05:17:33.399-08:00</updated><title type='text'>de volta.</title><content type='html'>votos de coragem e felicidade para todos em 2010.&lt;br /&gt;votos de amor e sossego.&lt;br /&gt;votos de perdão, saúde e prosperidade.&lt;br /&gt;que a vida seja doce conosco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/7Oh7WdD1Dpk&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/7Oh7WdD1Dpk&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-3757084539082202452?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/3757084539082202452/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/01/de-volta.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/3757084539082202452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/3757084539082202452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2010/01/de-volta.html' title='de volta.'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-1956403007613070218</id><published>2009-12-18T03:42:00.000-08:00</published><updated>2009-12-18T05:27:55.808-08:00</updated><title type='text'>hit de dezembro</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/SuXLElEDEKI&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;rel=0"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/SuXLElEDEKI&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;rel=0" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;** Em versão violãozinho, a canção do momento - (sor) risos. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-1956403007613070218?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/1956403007613070218/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/12/blog-post.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/1956403007613070218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/1956403007613070218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/12/blog-post.html' title='hit de dezembro'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-1967257996189146960</id><published>2009-12-18T03:16:00.000-08:00</published><updated>2009-12-18T04:40:46.161-08:00</updated><title type='text'>desejo de natal: generosidade</title><content type='html'>"Sorriu compreensivamente - muito mais do que compreensivamente. Era um desses sorrisos raros que têm em si algo de segurança eterna, um desses sorrisos com que a gente talvez depare quatro ou cinco vezes na vida. Um sorriso que, por um momento, encarava - ou parecia encarar - todo o mundo eterno, e que depois se concentrava na gente com irresistível expressão de parcialidade a nosso favor. Um sorriso que compreendia a gente até o ponto em que a gente queria ser compreendido, que acreditava na gente como a gente gostaria de acreditar, assegurando-nos que tinha da gente exatamente a impressão que a gente, na melhor das hipóteses, esperava causar." *&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Francis Scott Fitzgerald, &lt;em&gt;O Grande Gatsby&lt;/em&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;*à mainha, que me sorri assim todos os dias.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-1967257996189146960?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/1967257996189146960/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/12/desejo-de-natal-generosidade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/1967257996189146960'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/1967257996189146960'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/12/desejo-de-natal-generosidade.html' title='desejo de natal: generosidade'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-3764235938201704339</id><published>2009-12-17T04:40:00.000-08:00</published><updated>2009-12-18T12:23:12.810-08:00</updated><title type='text'>metal sem ferrugem</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/Syo5S0GqVRI/AAAAAAAAAC0/KG9pWf8cwhY/s1600-h/braboletas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5416204497253455122" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/Syo5S0GqVRI/AAAAAAAAAC0/KG9pWf8cwhY/s400/braboletas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Foi acordada às oito e vinte com o telefonema mais imprevisto daquele quente mês de outubro. "Pequena?". Reconheceu imediatamente a voz rouca, resquício de doses de uísque e cigarros amarfanhados, embora o número na tela não remetesse aos verdes anos. "Você?!?!". Riram, a mesma gargalhada de antes.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Queria alguém para dividir uma história de fracasso retumbante, um fracasso pelo qual torceram e sonharam juntos. Queria alguém, não; queria ela. Carolina não só estava a par do assunto como ainda ofereceu detalhes sórdidos. Sentiu muita vontade de contar para ele assim que ouviu a primeira suspeita, boato ainda, mas estava à espera de qualquer sinal para avançar. Felizmente, o telefonema atropelou seu (raro) cartesianismo. "Estaremos sempre juntos nessa campanha" - conseguiu dizer, feliz com a surpresa. Ele concordou, rindo. Como sempre, só alegria. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Somente os dois sabiam o tanto que precisaram lutar para impedir aquela tragédia. E lutaram, de fato, juntos, como o tanto mais que realizaram, juntos sempre, naqueles tempos já perdidos. Conversaram sobre o ano: doenças e mortes, shows e escândalos de conhecidos, projetos e mudanças, faculdades e viagens, fins e zeros esticados. Usaram os mesmos apelidos. Ela teve vontade de cantar algum verso da época, mas as canções escaparam. Ele quis agradecer, de novo, o empenho em meio à (quase) derrocada. Ela não aceitou: recebera leveza daquelas mãos, um presente definitivo para se transformar na borboleta de agora. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Paulo entregara o pacote sem se dar conta do tamanho da oferenda, espontâneo como todos os legítimos, sem sequer imaginar o tamanho do buraco da namorada. Carolina teve vontade de dizer a verdade, verdade jamais sugerida, mas preferiu desviar do assunto. Se estavam ali, dividindo aquele fracasso tão sonhado, era porque algo muito grandioso permanecia vacinado contra a ferrugem, a despeito do espanto da turma, tão presa em picuinhas, à revelia deles mesmos, às vezes tão prontos para o mal. Jamais se esqueceriam, e tal sentença não cabia em palavras. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Despediram-se sorrindo, a mesma gargalhada de antes.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-3764235938201704339?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/3764235938201704339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/12/metal-sem-ferrugem.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/3764235938201704339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/3764235938201704339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/12/metal-sem-ferrugem.html' title='metal sem ferrugem'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/Syo5S0GqVRI/AAAAAAAAAC0/KG9pWf8cwhY/s72-c/braboletas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-501450673923836009</id><published>2009-12-16T04:35:00.001-08:00</published><updated>2009-12-16T05:12:27.857-08:00</updated><title type='text'>A dor que ninguém mais sente*</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;Respirou fundo, contemplando a feiúra desajeitada dos arredores de Paris. Avistou o céu, límpido como naquela manhã tão distante, dentro do táxi lento, e lembrou que dali a poucos dias estaria olhando para cima sob outro ângulo, o temido ângulo das terras do sul. Desceu os olhos até o chão, ainda com alguma esperança, mas logo relacionou também aquela morte à velha vitória do cotidiano caprichoso: os dedos dos pés continuavam rígidos e tesos. E talvez continuassem assim para sempre, tensos como ela própria, perdidos em dramas exclusivos, ao mesmo tempo vítimas e algozes daquela dor inacessível e única. Relaxou-os um a um, triste, em busca de novas crenças para disfarçar o sofrimento; encontrou de volta aquela fé insistente, sempre plena de palavras doces e promessas infalíveis. Afinal, partira do próprio Tom a redentora sugestão: só a grande dor traz liberdade, e quase ninguém recebe esta chance. &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(livro de gaveta)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;* Publicação é meta 2010.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-501450673923836009?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/501450673923836009/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/12/dor-que-ninguem-mais-sente.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/501450673923836009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/501450673923836009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/12/dor-que-ninguem-mais-sente.html' title='A dor que ninguém mais sente*'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-8977925039672637567</id><published>2009-12-15T05:09:00.001-08:00</published><updated>2009-12-15T12:39:20.262-08:00</updated><title type='text'>Presentes 2009</title><content type='html'>A gente nunca tinha se cruzado, fato raro na cidade-ervilha. Depois da indicação de uma amiga jornalista, fui contratada para escrever o seu perfil literário, texto principal do recém-criado &lt;a href="http://www.laurapereira.com.br/"&gt;site &lt;/a&gt;de divulgação do trabalho delicado da designer. Virou o freela mais especial do ano, graças à simpatia imediata. Sentimento compartilhado, Laurinha já não é mais (apenas) uma coleção de letrinhas.&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;Ela agora faz parte do show. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O triunfo do plano B&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Encontros com o papel&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Laura tomou um susto quando reconheceu o objeto camuflado pelos laçarotes do pacote: uma máquina de costura cor-de-rosa, especialmente pensada para o público infantil, capaz de dar pontos de verdade. Tinha seis anos e se acostumara a acompanhar a rotina da avó costureira, para quem enfiava algumas linhas na agulha e cortava uns tantos retalhos. Fascinada pelo presente, atravessava as tardes entretida com as próprias invenções. Em vez de roupinhas de boneca, porém, perverteu a genética apresentando uma surpreendente coleção de bloquinhos de papel acabados com esmero. Já ali, menina ainda, insinuava-se o embate pela escolha do protagonista da sua rotina: papel ou tecido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dez anos depois a batalha parecia concluída: a ligação inexorável com o papel simplificou os dilemas de juventude ao acelerar a escolha pela faculdade de Design Gráfico. Já dentro do curso, aproveitou ao máximo cada lição: colecionou papéis, matriculou-se em cursos extraordinários, estagiou numa editora e oficina tipográfica, alcançou as notas máximas. O trabalho de conclusão de curso não deixou dúvida da dedicação: na área da semântica dos produtos, pensou uma produção gráfica com potencial para acompanhar a significação do conteúdo do livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Laura nunca conseguiu se encontrar de fato no design. Influenciada pelo vazio daquela realização pela metade, começou a agrupar planos alternativos, caso tudo desse errado. Antes mesmo de se formar era importante enumerar saídas, válvulas de escape, projetos alheios àquela realidade que já lhe parecia um tanto gasta. Na época do trabalho de conclusão de curso, angustiada com a proximidade da formatura, e as angústias trazidas com o fim da faculdade, decidiu que lhe faltava um trabalho manual. Andava cerebral demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O chamado das agulhas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma amiga reavivou sua antiga inclinação à costura, comentando sobre um curso simples e prático, daqueles repletos de donas de casa ávidas pela técnica perfeita para pregar botões e fazer bainhas. Criou então uma nova rotina: todas as quartas-feiras desembarcava na classe, onde passava aproximadamente cinco horas costurando tudo o que tinha vontade. Na primeira aula, já tentou levar para casa seu primeiro produto, um porta-moeda. O resultado não foi dos melhores, mas já começava a tomar gosto pelo processo. Logo em seguida, fez uma bolsa de mão, pequenina e modesta. Fechou o curso com uma boina, tornada pop pela professora, que passou o molde para todos os alunos que apareceram depois de Laura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tirou o pó da máquina de costura da mãe e seguiu com as lições. Já encontrara até um rascunho de estilo: entendia-se melhor na costura de acessórios, e não de roupas; apresentava facilidade para moldes, conseqüência da dedicação às aulas de geometria descritiva; e criava com a mão no material, sem qualquer tipo de desenho. Construiu, então, sua primeira echarpe, enriquecendo o produto com a aplicação de dois tecidos, um sobre o outro – uma inovação no universo das echarpes. Sem nenhuma pretensão, começou a vender entre amigos e familiares, anotando os pedidos com gosto e lutando para fixar os preços – até hoje vender é um verbo que prefere não conjugar. Tudo parecia caminhar; ela só não se lembrava ainda da máquina cor-de-rosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Uma vitória imprevista&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a formatura chegou, as coisas já pareciam bastante distintas do marco zero, cinco anos antes, quando optara pelo mundo do desenho. A vitória do papel sobre o tecido já não lhe parecia legítima. As horas sobre a máquina de costura desconstruíram o conceito de hobby para remexer de modo irremediável em sua rotina – logo com ela, que adora a possibilidade de tomar café da manhã sempre no mesmo horário e acredita que uma das rimas mais preciosas é “felicidade” com “tranqüilidade”. Cada vez mais certa da invalidade do futuro sacramentado na academia, abandonou a cidade mais uma vez e partiu em busca da sua verdade, aquela que não cabe em diplomas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na capital paulista, passou quase um ano estudando moda. O plano B, título antes oferecido aos retalhos e as horas sobre a máquina, já se transformara em projeto de vida, com toda a importância do principal. A mudança ocorreu de forma tão espontânea que hoje é difícil definir o ponto da virada. Simplesmente não havia outro caminho. E se queria se tornar profissional, pensava, teria de aprender sobre moda, um território bastante distante da sua experiência até ali. Graças às disciplinas cursadas, entrosou-se com os estilistas mais criativos do país, além de receber noções fundamentais de lógica de mercado, estruturação de coleções, calendários próprios do circuito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta a Florianópolis, procurou um apartamento onde pudesse dar partida e começar de fato. Ajeitou os retalhos numa sala iluminada, agrupou botões e zíperes por cor, construindo um cenário delicado como sua própria criação. Na pequena sala-ateliê, passa boa parte do dia, recusando o imperativo do cartão-ponto, trabalhando quando tudo flui, e buscando referências quando algo inexplicável parece empacar o processo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O estilo consolidado &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;A nova rotina, de design de acessórios agora, também já guarda alguns segredos. Como buscou a costura como um trabalho manual, continua abolindo os croquis. Cria com as mãos, sem qualquer interferência, e tendo em vista o material que encontra. Para facilitar, mantém toda a matéria-prima numa arrumação milimétrica: botões, tecidos brilhosos, algodão, zíper, joaninhas, passamanaria, fitas, miçangas, cetins. Quando começa a trabalhar, olha para os lados, bate o olho em tal ou qual coisa, decide-se. Senta e começa a construir, como se ainda estivesse lidando com geometria espacial na faculdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra peculiaridade do seu estilo é o aproveitamento total de qualquer tecido sobrado do corte. Laura odeia obras, e se empenha em dar vida aos retalhos. Nas suas mãos, qualquer pedacinho de tecido constrói um novo produto, e assim muitas peças derivam dos produtos maiores, construindo uma lógica bastante especial. Com naturalidade, fluindo, como deve ser tudo na vida, uma de suas verdades mais repetidas. Sempre de acordo com o material e o desejo, num processo intransferível e legítimo. Intransferível porque é apenas de Laura, com sua mania de só decidir depois de muito observar, processando com calma antes de interferir, seja na vida ou na arte. Legítimo porque nasce lá dentro, brotando com espontaneidade, sem qualquer intervenção de vagas disciplinas de planejamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É com esta naturalidade que ela cozinha, um dos hobbies favoritos: abre o armário, seleciona os ingredientes e cria os pratos, de improviso. E é assim que organiza seu espaço também, seja as roupas do armário, seja a gaveta destinada à coleção de papéis, firme e forte na rotina da designer. A diferença é que a tipografia agora é mais um dos seus hobbies, junto às canções de rock contemporâneo, às organizações de gavetas, às coleções de fotos, às viagens realizadas. Se a tipografia é mais um hobby, costurar já é a profissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basta olhar a pequenina máquina de costura cor-de-rosa numa estante logo acima da sua mesa de trabalho. Ela agora está em todos os lugares, presente, perene, permanente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-8977925039672637567?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/8977925039672637567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/12/presentes-2009.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/8977925039672637567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/8977925039672637567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/12/presentes-2009.html' title='Presentes 2009'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-639066315512395153</id><published>2009-12-14T05:16:00.001-08:00</published><updated>2009-12-14T11:12:56.431-08:00</updated><title type='text'>tim tim*</title><content type='html'>&lt;p&gt;afirma um princípio zen que a gente encontra o caminho correto quando desaparecem os obstáculos. embora longe, mas muito longe mesmo, de direcionar minha experiência a partir de referências budistas, confesso certa simpatia pela idéia do espontâneo, do natural, do livre. da mesma forma, abomino algumas pérolas do pensa/sofri/mento judaico-cristão, sobretudo a clássica: &lt;em&gt;só tem valor quando é bem difícil&lt;/em&gt;. mesmo marcado por agressões e imprevistos, e surpresas sempre me pareceram muito mais assustadoras do que socos e pontapés, 2009 curiosamente me ensinou o sentido da palavra fluidez:&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;:: nada como, após seis anos de distância geográfica, encontrar a mesma cumplicidade para as bobices deliciosas, as rabugices necessárias, a irmandade irrestrita. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;:: nada como perceber que algumas pessoas e cenas e experiências, ainda que raras, permanecem com o mesmo viço, à revelia da ferrugem do tempo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;:: nada como mudar radicalmente de profissão e ver que ali tudo caminha sem amarras, para frente, com comprometimento e prazer. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;:: nada como duas ou três aproximações instantâneas e inadiáveis - "como isso não existia antes?" &lt;/p&gt;&lt;p&gt;:: nada como reencontrar alguéns do passado, que ressurgem com o frescor do presente, sobretudo quando ainda somos capazes de compartilhar nortes e sensações. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;:: nada como conhecer pessoas novas e perceber que elas sempre estiveram ali, amigas, irmãs, amigas-irmãs, ainda que não fisicamente. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;:: nada como adotar um bichinho para reconhecer que alegria é fácil e contamina. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;:: nada como perceber, sapatilhas de ponta nos pés, que certas coisas a gente não esquece, mesmo que se valha das borrachas mais potentes. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;:: nada como joelhos sem dor. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;:: a vida nunca deixa de oferecer presentes. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;* às novidades do verão (movimento é felicidade).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;** um dezembro de flores pra todo o mundo. que seja doce, que seja doce, que seja doce, que seja doce, que seja doce, que seja doce, que seja doce. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;*** Mano, Diego, Bebel, Maninha, Wolff, Laura, Claudia, Marco, Camila, Dudu, Eve, Fernanda, Raquel, Cristiane, mainha, painho, meus avós: vocês fizeram muito por mim até aqui. obrigada sempre. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-639066315512395153?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/639066315512395153/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/12/afirma-um-principio-zen-que-gente_14.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/639066315512395153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/639066315512395153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/12/afirma-um-principio-zen-que-gente_14.html' title='tim tim*'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-465270445627379181</id><published>2009-12-10T05:02:00.000-08:00</published><updated>2009-12-10T05:21:32.993-08:00</updated><title type='text'>a lição de pandora</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/SyDxjo7m-yI/AAAAAAAAACs/THM1Bo-YG_8/s1600-h/pandora1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5413592346684488482" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 262px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/SyDxjo7m-yI/AAAAAAAAACs/THM1Bo-YG_8/s400/pandora1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;tentou listar a coleção de males na madrugada anterior: desastres permanentes, delírios imperdoáveis, pressões impraticáveis, miseráveis opções. a dor da (possível) negativa seria sempre mais forte. caminhava sobre espinhos, com as mãos cheias de pedras. desfiava o novelo do destino, morto de medo dos abismos. fins sem finalidade, escudos sem flechas: o infortúnio citado pelo médico do romance americano. "o que diria, depois dos erros todos?". como reagem os exagerados diante dos freios necessários? inacreditável o tamanho do mundo após aquele imprevisto: resto, caco, quase nada. vivia algo impossível no seco, exigente de segredos e promessas, imperativo em falhas e dores, quase insuportável de tão demolidor. já não conseguia cantar. nem escrever. mal podia encarar os outros todos. era impossível sair de si. o engasgo, porém, ainda permitia uma sentença: "acredito, acreditamos". mesmo que tudo pareça maculado, manchado, desbotado. à revelia do rosário de tristezas. ou, na versão dela, rezada entre sussurros e lágrimas já secas: "continuamos, seguimos, vivemos". com a benção da coragem. se intensidade é combustível de gigantes, esperança é a virtude de quem ama com vontade. aprenderam.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-465270445627379181?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/465270445627379181/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/12/licao-de-pandora_10.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/465270445627379181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/465270445627379181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/12/licao-de-pandora_10.html' title='a lição de pandora'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/SyDxjo7m-yI/AAAAAAAAACs/THM1Bo-YG_8/s72-c/pandora1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-5330689144452016741</id><published>2009-12-09T09:37:00.000-08:00</published><updated>2009-12-09T09:47:16.736-08:00</updated><title type='text'>uma manhã despenteada</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Lição para pentear pensamentos matinais&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Caio Fernando Abreu)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensamentos, como cabelos, também acordam despenteados. Naquela faixa-zumbi que vai em &lt;em&gt;slow motion&lt;/em&gt;, desde sair da cama, abrir as janelas, avaliar o tempo e calçar os chinelos até o primeiro jato da torneira – feito fios fora de lugar emaranhando-se, encrespam-se, tomam direções inesperadas.Com água, mão, pente, você disciplina cabelos. E pensamentos? Que nem são exatamente pensamentos, mas memórias, farrapos de sonho, um rosto, premonições, fantasias, um nome. E às vezes também não há água, mão, pente, gel ou xampu capazes de domá-los. Acumulando-se cotidianas, as brutalidades nossas de cada dia fazem pouco a pouco alguns recuar – acuados, rejeitados – para as remotas regiões de onde chegaram. Outros como cabelos rebeldes, renegam-se a voltar ao lugar que (com que direito?) determinamos para eles. Feito certas crianças, não se deixam engabelar assim por doce nem figurinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensamentos matinais, desgrenhados, são frágeis como cabelos finos demais que começam a cair. Você passa a mão, e ele já não está mais ali – o fio. No travesseiro sempre restam alguns, melhor não olhar para trás: vira-se estátua de cinza. Compacta, mas cinza. Basta um sopro. Pensamentos matinais, cuidado, são alterados feito um organismo mudando de fuso horário. Não deveria estar ali naquela hora, mas está. Não deveria sentir fome às três da tarde, mas sente. Não deveria sentir sono ao meio-dia, mas. Pensamentos matinais são um abrupto mas com ponto final a seguir. Perigosíssimos. A tal ponto que há risco de não continuar depois do que deveria ser uma curva amena, mas tornou-se abismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E só vamos em frente porque começam a acontecer urgências. Enquanto a manhã dispara e o telefone toca e a campainha soa e as crianças vão precisam sair para a escola e o relógio de ponto ou qualquer coisa assim – incluindo os outros, sobretudo os outros – não esperam. Nada espera, ninguém. Você lava o rosto, finge não ter visto coisa alguma. É possível também ligar o rádio. Um banho frio, o café feito uma bofetada. Há pensamentos-matinais-despenteados que põe o rabo entre as pernas e dão o fora, mas outros – mulheres de Nelson Rodrigues – adoram apanhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto mais você bate, mais ele arreganha os dentes e intica para apanhar mais. Isso magnetiza e atrai outros pensamentos, ainda mais descabelados e até então escondidos. Se era um nome, vem um sobrenome. Se era um rosto, vem a textura da pele, um cheiro um jeito de olhar. Se fantasia, ganha cor, e assim por diante. Pensamentos desse tipo são quase sempre proustianos: loucos pelo velho e bom tempo perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soluções mais grosseiras, há. Como papel higiênico, amarrotá-los, jogá-los na privada, dar descarga. Acontece que descargas, não quero parecer alarmista, às vezes entopem. E devolvem justamente aquilo que deveriam levar embora, num comportamento que é o avesso daquele para qual foram programadas. Ah, o avesso, esse é o problema. Pensamentos assim são um sintoma do avesso. E o avesso é a superfície correspondente, igual em tamanho e forma, a tudo aquilo que você considera o direito. Conhecer de cor-e-salteado o direito absolutamente não dá direito a conhecer também o outro lado. Sinto muito, mas ele sempre está lá. Incógnito, invisível, inviável. In, enfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por ser assim, desordena-se. Pelas manhãs, mesmo que o de-manhã de alguns aconteça às seis da tarde. Mesmo nos calvos, a cabeleira abstrata pode amanhecer tão eriçada quanto a da Medusa. E se em vez de veneno as cobras tiverem mel? Tudo depende não me pergunte de quê. Só sei que deve-se olhar direito nos olhos deles, tocar sem nojo nem medo suas mãos cobertas de musgo, teias de aranha. Passar num susto a mão pelos cabelos, reais ou não. Deve-se sempre com a doçura e paciência possíveis nessas situações, mudar rápido de assunto. Ou cair no poço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-5330689144452016741?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/5330689144452016741/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/12/uma-manha-despenteada.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/5330689144452016741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/5330689144452016741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/12/uma-manha-despenteada.html' title='uma manhã despenteada'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-199212975989992702</id><published>2009-12-08T08:15:00.000-08:00</published><updated>2009-12-08T08:18:49.434-08:00</updated><title type='text'>livre da cortisona</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/Sx57vQ2I2eI/AAAAAAAAACc/DuoTS4bqxjs/s1600-h/lina_olhando.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5412899854052022754" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/Sx57vQ2I2eI/AAAAAAAAACc/DuoTS4bqxjs/s400/lina_olhando.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;atendendo a pedidos: minha pequena Lina, em pose de garota.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-199212975989992702?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/199212975989992702/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/12/atendendo-pedidos-pequena-lina-em-pose.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/199212975989992702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/199212975989992702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/12/atendendo-pedidos-pequena-lina-em-pose.html' title='livre da cortisona'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/Sx57vQ2I2eI/AAAAAAAAACc/DuoTS4bqxjs/s72-c/lina_olhando.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-6768936722002489258</id><published>2009-12-07T05:22:00.000-08:00</published><updated>2009-12-07T05:43:01.268-08:00</updated><title type='text'>literatura do fim de semana</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Don't Wait Too Long &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Madeleine Peyroux)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;You can cry a million tears&lt;br /&gt;You can wait a million years&lt;br /&gt;If you think that time will change your ways&lt;br /&gt;Don't wait too long&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;When your morning turns to night&lt;br /&gt;Who'll be loving you by candlelight&lt;br /&gt;If you think that time will change your ways&lt;br /&gt;Don't wait too long&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maybe I got a lot to learn&lt;br /&gt;Time can slip away&lt;br /&gt;Sometimes you got to lose it all&lt;br /&gt;Before you find your way&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Take a chance, play your part&lt;br /&gt;Make romance, it might brake your heart&lt;br /&gt;But if you think that time will change your ways&lt;br /&gt;Don't wait too long&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;It may rain, it may shine&lt;br /&gt;Love will age like fine red wine&lt;br /&gt;But if you think that time will change your ways&lt;br /&gt;Don't wait too long&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maybe you and I got a lot to learn&lt;br /&gt;Don't waste another day&lt;br /&gt;Maybe you got to lose it all&lt;br /&gt;Before you find your way&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Take a chance, play your part&lt;br /&gt;Make romance, it might brake your heart&lt;br /&gt;But if you think that time will change your ways&lt;br /&gt;Don't wait too long&lt;br /&gt;Don't wait&lt;br /&gt;Hmm... Don't wait Hmm...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-6768936722002489258?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/6768936722002489258/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/12/literatura-do-fim-de-semana.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/6768936722002489258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/6768936722002489258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/12/literatura-do-fim-de-semana.html' title='literatura do fim de semana'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-1209081953868180378</id><published>2009-12-02T10:31:00.000-08:00</published><updated>2009-12-02T10:49:15.969-08:00</updated><title type='text'>facilidades (im) possíveis</title><content type='html'>Pés esticados no meio-fio, buscou equilíbrio com os braços finos. Sandália de salto nas mãos, memória recente em giros velozes: “Amada”. Daquela vez, dispensara as árvores da praça sem flores. Embora o luto ainda enchesse a alma de furos, a madrugada oferecia algo além de taças, encantos, promessas e sorrisos. Felicidade é seguir adiante – sussurraram, tantos, horas antes. Em apenas dez minutos se convenceu da sugestão. Palavras fluidas, conversas esticadas, nada de falar dos outros, nem do passado. Alívio, oportunidade: silenciar sobre o principal era desejo antigo. Olhos pregados no presente, ignorando qualquer horizonte – primeira vez? De posse da borracha mágica, esqueceu, abandonou. Benditos os que têm a chance de reescrever os enredos mais doídos. Descobriu: a verdadeira rima ocorre entre dureza e liberdade. Encontrou flores ali, surpreendentes, enfeitando palavras e arredores. Olharam-se, estranhos à facilidade aconchegante. Seria assim a vida dos outros? Riram, a primeira de muitas. Havia cada vez mais sol no céu sem nuvens. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Amém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-1209081953868180378?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/1209081953868180378/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/12/facilidades-im-possiveis.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/1209081953868180378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/1209081953868180378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/12/facilidades-im-possiveis.html' title='facilidades (im) possíveis'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-733457543330094730</id><published>2009-11-30T08:36:00.000-08:00</published><updated>2009-11-30T09:32:43.787-08:00</updated><title type='text'>viver é uma festa....</title><content type='html'>"A conduta pode basear-se em rocha sólida ou em pântano alagadiço, mas, depois de certo ponto, pouco me importa aquilo em que ela se baseie. Quando voltei ao Leste, no outono passado, senti que queria que o mundo todo estivesse metido em uniforme e colocado numa espécie de posição de sentido moral permanente; estava farto de excursões turbulentas, com privilegiados relanceares de olhos, ao coração humano. Somente Gatsby, o homem que empresta seu nome a este livro, se achava isento dessa minha reação - Gatsby, que representava tudo aquilo por que sinto natural desdém. Se a personalidade consiste numa série ininterrupta de gestos bem-sucedidos, então é certo que havia nele algo magnífico, uma apurada sensibilidade para as promessas da vida, como se ele tivesse alguma relação com esses intrincados maquinismos que registram terremotos ocorridos a dez mil milhas de distância. Essa sensibilidade nada tinha a ver com essa flácida impressionabilidade dignificada pelo nome de "temperamento criador": era um dom extraordinário de esperança, uma presteza romântica como jamais encontrei em qualquer outra pessoa e que, provavelmente, jamais tornarei a encontrar. Não... Gatsby saiu-se bem, no fim; o que perseguia Gatsby - a abominável poeira que pairava sobre a esteira de seus sonhos - é que fez com que eu perdesse temporariamente o interesse pelas tristezas abortivas e pelas ofegantes alegrias dos homens".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(O Grande Gatsby, Scott Fitzgerald)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="340" width="560"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/tixderxZm_s&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/tixderxZm_s&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="560" height="340"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Se fosse vivo, Fitzgerald só dançaria Madonna!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PPS: Dezembro chegando, florido e calorento, com uma penca de (felizes) novidades: Let's celebrate!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-733457543330094730?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/733457543330094730/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/11/viver-e-uma-festa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/733457543330094730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/733457543330094730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/11/viver-e-uma-festa.html' title='viver é uma festa....'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-7787317591299858333</id><published>2009-11-27T08:46:00.000-08:00</published><updated>2009-11-27T08:59:25.208-08:00</updated><title type='text'>meditação</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/SxACoI0GTXI/AAAAAAAAACU/Tw-HGBPNdUs/s1600/buque.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5408826041055989106" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 299px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/SxACoI0GTXI/AAAAAAAAACU/Tw-HGBPNdUs/s400/buque.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quem acreditou / No amor, no sorriso, na flor / Então sonhou, sonhou... / E perdeu a paz / O amor, o sorriso e a flor / Se transformam depressa demais / Quem, no coração / Abrigou a tristeza de ver tudo isto se perder / E, na solidão / Procurou um caminho e seguiu, / Já descrente de um dia feliz / Quem chorou, chorou / E tanto que seu pranto já secou / Quem depois voltou / Ao amor, ao sorriso e à flor / Então tudo encontrou / E a própria dor / Revelou o caminho do amor / E a tristeza acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* sábio mestre Tom!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-7787317591299858333?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/7787317591299858333/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/11/meditacao.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/7787317591299858333'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/7787317591299858333'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/11/meditacao.html' title='meditação'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/SxACoI0GTXI/AAAAAAAAACU/Tw-HGBPNdUs/s72-c/buque.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-1242478928383332025</id><published>2009-11-26T04:01:00.000-08:00</published><updated>2009-11-27T09:02:01.674-08:00</updated><title type='text'>sem engano*</title><content type='html'>Acordou na companhia daquela velha e ambígua frase: "Não se pode amar e ser feliz ao mesmo tempo". Não estava de ressaca, nem recorrera aos milagrosos remedinhos para chamar o sono. Muito pelo contrário: embalada pelas promessas recentes, escondidas em caixas com chaves, adormecera enquanto desenhava o reveillon. Um esboço possível, ainda, apenas. Mesmo assim, já conseguira enfiar começo, meio e fim na cena que encerraria seu ano mais desmontado. Vestiria branco, e ofertaria flores aos santos, e pularia sete ondas, e prepararia lentilhas e sobremesas geladas, e brincaria de adivinhar canções e cálices. Estaria num lugar distante, rodeada de desconhecidos e palavras estrangeiras, sozinha entre sonhos desfeitos, feliz com as promessas recentes, já não mais encaixotadas. Grécia, incógnita total? Rio de Janeiro, entre gringos de Copacabana? Não sabia direito, mas haveria praia, e sal, e areia nos pés descalços. Assustou-se com o cruel talento para virar a mesa e sair pelos fundos. Como cogitava virar o ano de forma oposta aos desejos da primavera? Despertou triste com os (novos) buracos da alma. Não queria começar a priorizar a felicidade. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/o6SRkS-tTvU&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/o6SRkS-tTvU&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;* "quando a gente conversa, contando casos, besteiras / tanta coisa em comum / deixando escapar segredos (...)"&lt;/p&gt;&lt;p&gt;** pro Diego, jornalista desde ontem, que ama essa música. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-1242478928383332025?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/1242478928383332025/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/11/sem-engano.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/1242478928383332025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/1242478928383332025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/11/sem-engano.html' title='sem engano*'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-4645333184658906936</id><published>2009-11-24T04:01:00.000-08:00</published><updated>2009-11-24T04:18:07.463-08:00</updated><title type='text'>baby cat</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/SwvMSHPOJXI/AAAAAAAAACM/xWGAqle_9mU/s1600/gatinha.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407640389141013874" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/SwvMSHPOJXI/AAAAAAAAACM/xWGAqle_9mU/s400/gatinha.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Lina: o (gracioso) motivo das minhas últimas injeções de cortisona.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-4645333184658906936?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/4645333184658906936/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/11/baby-cat.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/4645333184658906936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/4645333184658906936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/11/baby-cat.html' title='baby cat'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/SwvMSHPOJXI/AAAAAAAAACM/xWGAqle_9mU/s72-c/gatinha.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-5120772172836934991</id><published>2009-11-23T10:17:00.000-08:00</published><updated>2009-11-23T12:31:23.782-08:00</updated><title type='text'>muito lindíssima</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/SwrTpXsT_UI/AAAAAAAAACE/kKAyGO549sw/s1600/estrelas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407367010299673922" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 308px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/SwrTpXsT_UI/AAAAAAAAACE/kKAyGO549sw/s400/estrelas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Eu traço tantos planos / Brilhantes, antes / De te ganhar num salto / Mortal, de iniciante / Na pirraça de te ter / Por enquanto, por enquanto / Eu miro o índio que eu sou / No teu ser / E alcanço / Viagens tão óbvias / Loucuras tão sóbrias / De um iniciante / De um iniciante / Aprendiz das piscinas / Tão tingidas de escuro / Aonde, peixe safo / Eu nado até você / Até o teu mundo / Que eu também procuro / Nesse quarto sem luz / Nessa ausência de tudo / Se prepare, eu tô "locky" / Só precisas de um toque / De um toque de iniciante / De um toque de iniciante&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Blues do Iniciante, Cazuza)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;PS: Adoro Cazuza, desde sempre. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;PPS: Um viva aos planos, desbotados ou novos, gastos ou imprevistos, refeitos ou levados adiante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PPPS: Eve, linda, toda felicidade do mundo pra você. Um beijo de feliz aniversário, e um cheirinho no nosso pequeno Zig. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-5120772172836934991?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/5120772172836934991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/11/muita-lindissima.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/5120772172836934991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/5120772172836934991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/11/muita-lindissima.html' title='muito lindíssima'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/SwrTpXsT_UI/AAAAAAAAACE/kKAyGO549sw/s72-c/estrelas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-6384860231483064022</id><published>2009-11-19T04:49:00.000-08:00</published><updated>2009-11-19T08:21:33.074-08:00</updated><title type='text'>alfabeto de urgências</title><content type='html'>(suspiros de) alívio :: beiradas :: coragem :: dureza :: entrega :: futuro :: grandeza :: horizonte :: intensidade :: juventude :: leveza :: misturas :: nuanças :: ordem :: pai (xão) :: quereres :: risada :: sossego :: tesouro :: união :: verdade :: virtude :: vida :: zeros (de recomeço)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* pra mim, pros meus, pros seus. sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-6384860231483064022?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/6384860231483064022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/11/alfabeto-de-urgencias.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/6384860231483064022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/6384860231483064022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/11/alfabeto-de-urgencias.html' title='alfabeto de urgências'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-5505104232294961399</id><published>2009-11-18T03:11:00.001-08:00</published><updated>2009-11-18T04:09:02.489-08:00</updated><title type='text'>as dores que não curam em botecos</title><content type='html'>Desde garotinha coleciono livros de psicologia e psiquiatria, sobretudo relacionados a comportamento, tipos de personalidade e distúrbios de humor. Sempre fiz questão de manter os conceitos na ponta da língua, bem como a anamnese necessária para diagnosticar cada caso. Por uma infinidade CONSTRANGEDORA de motivos, e para (tentar) compreender os inexplicáveis da experiência humana, reli uma penca deles em 2009. Abaixo, uma palhinha da introdução de um dos melhores da estante. Se não o mais acessível aos leigos, já que pressupõe algum conhecimento prévio da teoria de Freud, epicentro das escolhas da autora, ao menos o mais tocante, pelas difíceis questões trabalhadas. Chama-se &lt;em&gt;Perdas Necessárias&lt;/em&gt;, e é da psicanalista Judith Viorst. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Um tanto enrugada, altamente vulnerável e definitivamente mortal, examinei essas perdas. Essas perdas de uma vida inteira. Essas perdas necessárias. As perdas que enfrentamos quando nos vemos face a face com o fato do qual não podemos fugir...&lt;br /&gt;que nossa mãe vai nos deixar, e que nós vamos deixá-la;&lt;br /&gt;que o amor da nossa mãe jamais será só nosso;&lt;br /&gt;que as dores que nos machucam nem sempre desaparecem com um beijo;&lt;br /&gt;que estamos no mundo essencialmente por nossa conta;&lt;br /&gt;que teremos de aceitar - nos outros e em nós mesmos - um misto de amor e ódio, de bem e de mal;&lt;br /&gt;que, por mais sábia, bela e encantadora que seja, nenhuma garota pode se casar com o pai quandro crescer;&lt;br /&gt;que nossas opções são limitadas pela anatomia e pela culpa;&lt;br /&gt;que nosso status neste planeta é implacavelmente efêmero;&lt;br /&gt;e que somos completamente incapazes de oferecer a nós mesmos ou aos que amamos qualquer forma de proteção - proteção contra o perigo e a dor, contra as marcas do tempo, contra a velhice, contra a morte, proteção contra nossas perdas necessárias." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Um brinde aos heróis que concluem o trecho sem engasgar em nenhum tópico! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;** Quando leio teoria, sempre volto à ficção, e vice-versa. Um dos melhores TRATADOS sobre a perda está no conto &lt;em&gt;Babilônia Revisitada&lt;/em&gt;, de Scott Fitzgerald. Escrita em 1931, a história narra uma sucessão de perdas devastadoras porque irremediáveis, inadiáveis porque inexoráveis, definitivas porque contingenciais. "Tudo acabou, inclusive eu" - diz o protagonista Charles Wales, alcóolatra regenerado, abrindo a narrativa. Para conferir, &lt;em&gt;25 Contos Escolhidos&lt;/em&gt;, da Companhia das Letras, com (excelente) tradução de Ruy Castro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*** Drops do melhor de Fitzgerald: &lt;br /&gt;"Já se fartara do afã e da inventividade de Montmartre. Constatou que, ali, a oferta de vício e extravagância se dava numa escala tremendamente ingênua, e só então se deu conta do significado da palavra 'dissipar' ― dissipar no ar; transformar qualquer coisa em nada. Às altas horas da madrugada, cada deslocamento de um lugar para outro era um gigantesco salto humano, e pagava-se um preço cada vez mais alto pelo privilégio de movimentos mais e mais lentos.&lt;br /&gt;Ele se lembrou das notas de mil francos dadas a orquestras para tocarem uma única canção, das notas de quinhentos francos atiradas a porteiros por terem chamado um simples táxi. Mas esse dinheiro não tinha sido em vão. Mesmo as quantias mais loucamente desperdiçadas haviam sido dadas como oferenda ao destino…"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-5505104232294961399?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/5505104232294961399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/11/as-dores-que-nao-curam-em-botecos.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/5505104232294961399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/5505104232294961399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/11/as-dores-que-nao-curam-em-botecos.html' title='as dores que não curam em botecos'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-6928749618821772696</id><published>2009-11-17T09:27:00.000-08:00</published><updated>2009-11-17T13:03:28.408-08:00</updated><title type='text'>outra dele*</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/SwMLBYF5JwI/AAAAAAAAAB4/q4GzPuK3StM/s1600/flores2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5405176096049669890" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 250px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/SwMLBYF5JwI/AAAAAAAAAB4/q4GzPuK3StM/s400/flores2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder.&lt;br /&gt;Tudo é tão vago como se não fosse nada."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Caio Fernando Abreu, em &lt;em&gt;Os dragões não conhecem o paraíso&lt;/em&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;* à mainha, que me apresentou caio f. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-6928749618821772696?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/6928749618821772696/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/11/outra-dele.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/6928749618821772696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/6928749618821772696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/11/outra-dele.html' title='outra dele*'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/SwMLBYF5JwI/AAAAAAAAAB4/q4GzPuK3StM/s72-c/flores2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-276286240175615667</id><published>2009-11-16T12:30:00.000-08:00</published><updated>2009-11-16T12:33:23.739-08:00</updated><title type='text'>alívio literário</title><content type='html'>"Viver é muito perigoso..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(&lt;em&gt;Grande Sertão: Veredas&lt;/em&gt;, Guimarães Rosa)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-276286240175615667?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/276286240175615667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/11/alivio-literario.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/276286240175615667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/276286240175615667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/11/alivio-literario.html' title='alívio literário'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-7005549797731264860</id><published>2009-11-13T04:23:00.000-08:00</published><updated>2009-11-13T11:08:57.926-08:00</updated><title type='text'>a (im) potência dos círculos</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/Sv1Udr86ZlI/AAAAAAAAABw/J0apsBkLaF8/s1600-h/sapatilhas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5403567996905612882" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 282px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/Sv1Udr86ZlI/AAAAAAAAABw/J0apsBkLaF8/s400/sapatilhas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Quando encarou a imagem do espelho, precisou recorrer à velha dureza para seguir adiante. O coque esticado com grampos mais escuros do que o cabelo, o collant apertado em tons de cinza, a meia calça cor-de-rosa sem rasgos ou riscos e as sapatilhas de pontas desafiadoras denunciavam uma nova rachadura, talvez a maior de todas. Algum desespero inquietante já afastara o horizonte com tanta crueldade que apenas um resgate das grades do passado parecia capaz de colorir a vida de possibilidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dez anos não vestia as sapatilhas, há dez anos evitava aquele retorno antes tão incerto, há dez anos o mundo prometia aventuras dignas da alta literatura. Se estava ali agora, dividindo a barra com uma turma de crianças espantadas com os respingos de tristeza, é porque tudo se desmanchara mais uma vez. Antevia, porém, e sem dificuldade, a falência do mergulho – jamais teria dezoito anos novamente. Já desejava pouco demais para realizar tamanho avanço. Desejava cada vez menos: gestos vagos, inocências perdidas, perdões pelo excesso, construções atrasadas, mais tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou-se de perfil e contabilizou as destruições dos últimos meses; provavelmente jamais se manteria de pé sobre as sapatilhas novamente. O furacão arrancara todas as árvores: profissão, canções, parentes, amizades, rotina, projetos, parte da casa. Bastava um tantinho de equilíbrio para agilizar a retomada – mas onde? Quem lhe estenderia as mãos se continuava precisando estender aos outros? Sentiu medo dos abrigos hipotéticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensou nas novidades que povoavam o mundo descascado de então, tantas, diversas, cheias de promessas e alívios. Cuidaria bem da gata ainda sem nome? Ainda não sabia, como não sabia um sem fim de dados importantes, e urgentes, e inadiáveis. Conseguiria de fato? Sim, conseguiria, conseguiriam todos – assim era sempre. Limpou as lágrimas da alma, apertou o estômago dolorido em queimaduras de gastrite; encarou uma a uma as manchas roxas das pernas. Contara dezoito na semana anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Equilibrou-se apenas na perna esquerda, recebeu um sorriso suave de criança. Retribuiu, rodopiou, abandonou o pior. Ainda havia amor, e ainda havia esperança, e ainda havia expectativa. Além do mais, não pode existir receio no coração das bailarinas. Agradeceu às sapatilhas, à vida, a ele. Não faltavam motivos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-7005549797731264860?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/7005549797731264860/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/11/im-potencia-dos-circulos.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/7005549797731264860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/7005549797731264860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/11/im-potencia-dos-circulos.html' title='a (im) potência dos círculos'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_3hoWYmlQcoU/Sv1Udr86ZlI/AAAAAAAAABw/J0apsBkLaF8/s72-c/sapatilhas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-7549347265348970894</id><published>2009-11-12T09:32:00.000-08:00</published><updated>2009-11-12T09:41:06.867-08:00</updated><title type='text'>coração + agir = coragem*</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Meio Silêncio&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Caio Fernando Abreu)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Águas de vidro à luz doentia da madrugada. Um vidro verde e fino refletindo longe o tremor das luzes da cidade. Aproxima lento o próprio dedo da ponta acesa do cigarro até senti-lo retrair-se num afastamento involuntário. O rosto do outro também parece feito de vidro. Um vidro ainda mais frágil que o da madrugada. Tem a impressão que se sair caminhando o ar irá quebrar-se em ruídos e estilhaços. A lua está tão bonita que dói por dentro, fala. Depois retrai-se como o dedo não queimado. Sempre o medo de chegar perto demais, de não poder voltar atrás, pensa, e solta devagar a fumaça pelas narinas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Quer ouvir música? meus dedos avançam até o rádio. Um gesto e três palavras para encher o silêncio. Que de tão repleto não cabe em si mesmo. Mas ele diz não. Sua resposta me enche de uma brusca vergonha. Como se tivesse descido mais fundo do que eu, dispensando as facilidades que também são fuga. A luz da lua bate nas pedras, elas brilham feito mil luas brancas, mil luas ásperas, mil luas à beira de um céu-rio sem estrelas. Está tudo quieto - há quanto tempo? - e meus ouvidos já não descosturam do silêncio o rumor dos carros passando distantes na estrada."&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Olham-se, mas não se vêem. A escuridão não é uma parede, mas o silêncio os imobiliza na busca da palavra maior. Os dois fumam. As pontas acesas desvendam o escuro, e por instantes colocam um brilho avermelhado nas pupilas de ambos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Perguntou se eu queria ouvir música. Não, eu disse sem pensar. Então ele calou como se tivesse ficado ofendido por eu recusar alguma coisa sua. Desconhecidos: como isso é, a um só tempo, terrivelmente bom e terrivelmente assustador. Pensar que eu estava só, no bar, esperando nem sei que, nem sei sequer se esperando: de repente os olhos me buscando no balcão em frente. Verdes. No primeiro momento foi a única coisa que percebi. Verdes, os olhos, atrás da fumaça, no meio das gentes, na frente do espelho. E o espelho refletindo o meu espanto. Depois vi os cabelos, a boca, os ombros. Mas era nos olhos, só nos olhos, que se fixava aquele mudo apelo, aquele grito. Nem sei. Aquela clara maldição. Saí, saiu. Não dissemos nada. Eu só tenho esperas. Ele traz a tranqüilidade de mais nada esperar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Um menino. Aquele ar espantado. Um pouco trêmulo. Cigarro atrás de cigarro. Tenho medo de tocá-lo. De quebrá-lo."&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu disse: a lua está tão bonita que dói por dentro. Ele não entendeu. É tudo tão bonito que me dói e me pesa. Fico pensando que nunca mais vai se repetir, é só uma vez, a única, e vai me magoar sempre. Não sei, não quero pensar. Neste espaço branco de madrugada e lua cheia, preciso falar, e mais do que falar, preciso dizer. Mas as palavras não dizem tudo, não dizem nada. O momento me esmaga por dentro. O espanto esbarra em paredes pedindo exteriorização.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Você vê? as pedras parecem luas também. Ou estrelas, ele diz. Chão de estrelas. Vamos pisar nos astros distraídos? Ele ri. Nesse segundo cheio de riso alguma coisa se adensa. Nossos pés pisam em pedras. Mas por cima dos sapatos, sinto que são frias e duras, e sei que seu significado está em nós, não nelas. Uma vontade que a manhã não venha nunca. Vai voltar a grande busca. As noites vazias. Amargura de estar esperando. Repetir mil vezes: não quero esperar. E a certeza de que esse não querer já traz implícitas as longas caminhadas, o olhar devassando os bares, a náusea, os olhares alheios, a procura, a procura: seus ombros largos, um jeito de quem pisa mesmo em luas, não em pedras.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As sombras se projetam alongadas na praia deserta. Rumor de carros e faróis que devassam a noite sem achar. Pára de súbito, o corpo ferido por um sentimento indefinível. Precisa falar, precisa dizer.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Afinal, não foi para enfiar pérolas que você me trouxe aqui: eu digo. Ele está a meu lado. Então me olha sério, por um instante abalado, depois ri e diz: desista. Positivamente o cinismo não fica bem em você. E se com essa citação só quer mostrar que já leu Sartre, eu também já li. Por que feri? Por que feriu? Por que estamos dizendo coisas que não sentimos nem queremos?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Um menino assustado querendo mascarar o medo com a agressividade. Um menino. Curvo-me para ele. Tão esguio que meus braços o rodeariam por completo. Por um instante ele ficaria inteiro preso dentro dos meus limites."&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O rosto dele próximo do meu. Mais adivinho do que vejo o verde dos olhos deslizando pelas órbitas. A sua mão toca no meu ombro, sobe pelo pescoço, me alcança a face, brinca com a orelha, alcança os cabelos. O seu corpo cola-se ao meu. A sua boca vem baixando devagar, vencendo barreiras, colando-se à minha, de leve, tão de leve que receio um movimento, um suspiro, um gesto, mesmo um pensamento. Estou em branco como a noite. Ele me abraça. Ele está perto.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ergue o braço lentamente, afunda as mãos nos cabelos de outro. E de súbito um vento mais frio os faz encolherem-se juntos, unidos no mesmo abraço, na mesma espera desfeita, no mesmo medo. Na mesma margem.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;* post dedicado às felizes proximidades.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-7549347265348970894?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/7549347265348970894/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/11/coracao-agir-coragem.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/7549347265348970894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/7549347265348970894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/11/coracao-agir-coragem.html' title='coração + agir = coragem*'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-2659319791187755110</id><published>2009-10-28T11:01:00.000-07:00</published><updated>2009-10-28T11:03:52.662-07:00</updated><title type='text'>urgente &amp; loucamente</title><content type='html'>- Ainda dá tempo - Frederico sugeriu, com os olhos molhados.&lt;br /&gt;- Tempo há.&lt;br /&gt;Lívia fez uma pausa, para continuar:&lt;br /&gt;- A esperança é que sempre termina antes do tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-2659319791187755110?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/2659319791187755110/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/10/urgente-loucamente.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/2659319791187755110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/2659319791187755110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/10/urgente-loucamente.html' title='urgente &amp; loucamente'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-3146289541280720219</id><published>2009-10-27T04:35:00.001-07:00</published><updated>2009-10-27T11:25:00.227-07:00</updated><title type='text'>surpresa das boas</title><content type='html'>Nunca fui tarantinomaníaca, longe disso. Do diretor nerd &amp;amp; over &amp;amp; pop, gosto de &lt;em&gt;Cães de Aluguel&lt;/em&gt;, cujo roteiro considero genial, e &lt;em&gt;Pulp Fiction&lt;/em&gt;, bacaníssimo (principalmente pelo retorno do carismático John Travolta). Adoro também, e muito, &lt;em&gt;Natural Born Killers&lt;/em&gt;, mas como Tarantino garante que Oliver Stone destruiu o roteiro dele, não posso reinvindicar o posto de fã (ainda que Juliette Lewis permaneça até hoje como minha musa suprema). No mais, nunca consegui terminar &lt;em&gt;Jackie Brown&lt;/em&gt;, muito menos &lt;em&gt;Kill Bill, &lt;/em&gt;chatíssimos - na minha modesta opinião de poucas referências.&lt;em&gt; &lt;/em&gt;Despida, então, de QUALQUER expectativa, fui assistir &lt;em&gt;Bastardos Inglórios&lt;/em&gt;, crente de que a apropriação do tema 2ª Guerra Mundial pelo amante dos miolos estourados resultaria em algo, no mínimo, kitsch e mal intencionado.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Adorei me enganar redondamente.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Bastardos Inglórios&lt;/em&gt; reúne as melhores armas do diretor (sem trocadilhos): diálogos afiados, roteiro bem amarrado, estruturação circular, referência pop, trilha surpreendente, violência gratuita, releitura dos seus clássicos (jamais os clássicos da história do cinema), cultura do pastiche, kitsch como orientação e aquelas tantas oitavas acima, sua marca mais original. Desta vez sem picotes (estréia no estilo?), o roteiro é dividido em capítulos que narram duas histórias mais ou menos paralelas, com uma penca de rabichos pelo meio (destaque para a espiã trapalhona de Diane Kruger e a maravilhosa historinha do herói de guerra ovacionado pelo povo alemão, apaixonado pela maior inimiga da sua amada pátria).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira história central é a da bela Shosana, única sobrevivente de um massacre judeu, dona de um cinema na França. A segunda, do bando Bastardos Inglórios, "sanguinários" dispostos a exterminar o nazismo com as estratégias mais primitivas ("o negócio é abater todos os uniformes nazi"; "só vale escalpelado"). A motivação para ambos os núcleos é a mesma, mas nenhum deles sequer desconfia da coincidência, o que rende momentos muito engraçados, sobretudo no desfecho - uma sucessão de confusões que, graças ao improvável sucesso, culmina numa espécie de justiça tardia para toda a civilização ocidental ainda assombrada pela ascensão de Hitler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descontado o primor do roteiro, repleto daqueles viciozinhos deliciosos de Tarantino, como concluir sempre com alguma gag exposta no primeiro terço do enredo, o filme chama a atenção por conseguir imprimir ao evento de horrores uma visão exclusiva (e original). A Alemanha nazista de Tarantino é o território de proliferação do kitsch, do bizarro, do freak, do estúpido, do nonsense e do gratuito. Tudo aqui rima com simulacro, absurdo - inclinação que potencializa ainda mais os préstimos da exploração da violência gratuita, colocada à serviço de uma história (História) que se alimenta desta mesma aviltante gratuidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Bastardos Inglórios&lt;/em&gt; apela para o pastiche como estilo de narrativa, o que fica bastante evidente já a partir do segundo capítulo*, sobretudo com os histrionismos de Brad Pitt no papel de Aldo, o chefe do bando (atuação que não agride, já que dialoga com a estética do filme). A 2ª Guerra Mundial aqui é refeita com base numa paródia (relativa) que consegue ser debochada, crítica e respeitosa ao mesmo tempo. Diferentemente de &lt;em&gt;A vida é bela&lt;/em&gt;, que imbeciliza a tragédia dos campos de concentração ao apostar num enredo fabular, Tarantino constrói uma versão inteligente que nos traz um Hitler histérico, um Goebbels medroso e um chefe da polícia nazista vaidoso e confuso. E já estava na hora de alguém sujar as mãos pra falar dessa gente com menos dados e mais rancor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Bastardos Inglórios&lt;/em&gt; ainda acerta as contas com o passado, apostando num desfecho apoteótico e insano, bem à Tarantino, que diverte ao mesmo tempo em que nos faz pensar sobre os rumos do mundo pós-Shoah**. E conseguir reler um tema de tamanha complexidade, sobretudo tão afastado do seu próprio universo, não é pouca coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Bonzíssimo&lt;/strong&gt; - mesmo sem a Juliette Lewis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Em tempo: os primeiros 20 minutos do filme já compõem o rol das melhores aberturas da história do cinema (alimento essa lista há anos). Muito, muito, muito bom. Magistral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;** Pra quem não sabe, Shoah é o termo hebreu que designa &lt;em&gt;catástrofe&lt;/em&gt;. Vem sendo utilizado no lugar de holocausto, que significa &lt;em&gt;sacrifício&lt;/em&gt;, por ser considerado mais adequado ao massacre perpetrado pelos nazistas e aliados contra os judeus (só fui saber disso na pós, quando estudos de testemunho da Shoah viraram uma das minhas obsessões, por isso a explicação).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-3146289541280720219?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/3146289541280720219/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/10/surpresa-das-boas.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/3146289541280720219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/3146289541280720219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/10/surpresa-das-boas.html' title='surpresa das boas'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-8251890234618276647</id><published>2009-10-21T04:59:00.000-07:00</published><updated>2009-10-22T09:52:33.280-07:00</updated><title type='text'>meus mais (parte dois)</title><content type='html'>:: &lt;strong&gt;Palmeiras Selvagens&lt;/strong&gt; (William Faulkner, 1939)*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Estamos entre a dor e o nada", sentencia uma das personagens centrais da narrativa, o médico e virgem Henry Wilbourne, de 27 anos. Charllote, a perturbada companheira, casada e mãe de duas filhas, ouve calada, atada aos próprios fantasmas. Tentando driblar os sofrimentos indizíveis desta paixão de verão, o casal exila-se numa praia, de frente para a natureza selvagem. Ilhados, então, apenas um e outro, potencializam ao máximo as feridas e exercitam alguns tipos cruéis de intimidade: rancor, ódio, mágoa, desencontros, desacertos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Palmeiras Selvagens&lt;/em&gt;, a história de (des) amor, é apenas uma das partes do romance de Faulkner. &lt;em&gt;O Velho&lt;/em&gt;, apelido do Rio Mississipi, compõe o restante da obra, recebendo o mesmo número de páginas. Deslocado da temática anterior, e estruturalmente recusando qualquer elo narrativo, o escritor esmiúça aqui a luta de um presidiário para sobreviver à furiosa enchente, após cair na água durante o translado de bote e ser tragado pela correnteza do dilúvio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aparentemente, não há conexão entre as duas fatias. Conhecido pela habilidade na arquitetura dos romances, pensados e erguidos a partir de sofisticados artifícios, Faulkner agora dispensa qualquer intersecção, recusando os manjados (e muitas vezes necessários) cruzamentos ao fim da narrativa. Não espere explicação, nem alento, sequer sugestão. Ainda assim, concluída a leitura, permanece uma impressionante sensação de que estamos lendo versões diferentes de um mesmo ato, o ato da resistência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autor (por excelência) das mazelas e idiossincrasias do sul americano, projeto central da sua ficção, Faulkner é especialista no retrato dos limites da experiência humana. Até quando resistimos? Até onde vai a nossa força? Quanto possuímos de fé? Somos corajosos ou acomodados? Em &lt;em&gt;Palmeiras Selvagens&lt;/em&gt;, anterior ao Nobel de 49, esta espécie de ética da persistência costura os grandes achados do texto, unindo, relativamente, as duas narrativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O presidiário que inspirou seu assalto em leituras de folhetins tenta desesperadamente manter-se vivo em meio à fúria destrutiva da natureza. O casal insólito (e proibido) luta para sobreviver diante das impossibilidades do contemporâneo. Charllote, aparentemente frágil, é quem mais insiste: "aguento meses seguidos de fome no estômago, mas não aguento um minuto sequer de fome no peito". Uns remam, literalmente, contra as forças da chuva. Outros, contra as forças internas. Para Faulkner, são todos uns desgraçados, mortificados por batalhas inglórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o tema da resistência insinua-se nas entrelinhas, não há quase nada de factual no plano aparente. O &lt;em&gt;visto&lt;/em&gt; não passa de uma sequência de cenas, historinhas, cotidianos. O ápice do drama, inclusive, está já na abertura do romance: o aborto de Charllote, que marca a consequente condenação de Henry, autor do feito, a 50 anos de cadeia, por homicídio. Na segunda narrativa, o auge da atividade ocorre quando o presidiário ajuda num parto, roçando certo contato com a trajetória do casal enclausurado, e desafiando as leis da lógica e do dilúvio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o primeiro texto parece determinado segundo leis trágicas, sobretudo pela plena consciência dos envolvidos na inviabilidade do projeto que tentam manter de pé, persistindo dia após dia no erro, &lt;em&gt;O Velho&lt;/em&gt; mantém certa dose de humor, característica do autor (evidente em &lt;em&gt;Enquanto agonizo&lt;/em&gt;**). Até mesmo pelo empenho bizarro do presidiário: chegar a qualquer lugar onde consiga se entregar à polícia e voltar à cadeia. Quando consegue retornar, finalmente, enfrenta uma horda de burocracia para se "alojar" porque é dado como morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De resto, pouquíssima ação, justificada num projeto ficcional calcado na reconstrução da vontade humana como uma pálida intenção diante das verdades do mundo. As personagens do autor estão sempre à deriva: da história, da natureza, dos desejos, da experiência, da vida. Se a enchente é obra do acaso, nos obrigando à entrega, o amor aqui também recusa o paliativo da escolha: imperativo, ele devora os sujeitos. Não temos, no fundo, a oportunidade de agir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Faulkner, o monumental está sempre no &lt;em&gt;entrevisto&lt;/em&gt;. O mundo quase sempre é sugerido como um espaço inabitável, embora tal sentença não se torne texto em nenhum momento. Há sempre algo maior que assombra a existência individual - por certo um resquício escamoteado das incertezas levantadas pelos anos de Guerra Civil, na construção do &lt;em&gt;ethos&lt;/em&gt; sulista. Talvez por isso não seja o fracasso que derrota o indivíduo faulkeriano, e sim a desistência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao passo que economiza na ação, esteticamente constrói uma obra majestosa (e o adjetivo não é gratuito). Especialista em escrever sobre nada, Faulkner narra com toda a categoria o insólito, descortina o corriqueiro, transforma cenas prosaicas em narrativas construídas à facão, num labirinto de escolhas cuidadosas e originais. Posicionar a humanidade entre a dor e o nada foi a forma encontrada aqui para dar voz a uma das máximas da sua civilização: estamos sozinhos, &lt;em&gt;somos&lt;/em&gt; sozinhos, do princípio ao fim. E a maneira como realiza tal empreitada, com frases sinuosas, recortes imprevistos, monólogos sem travessão e todo tipo de digressão, sobretudo as descritivas, esmaga qualquer escritor. Qualquer, mesmo. Mestre absoluto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Sei, sinto e reconheço a superioridade de &lt;em&gt;Luz em Agosto&lt;/em&gt;, romance de 1932, para a compreensão da obra do autor. É gritante a diferença, em relação a qualquer outra experiência literária, e eu mesma acho um dos livros mais bem escritos de TODOS os tempos. Ainda assim, mesmo bem menos ambicioso, não tão perfeito na mescla de tema e estrutura, não tão representativo da sua ética e dos seus dilemas, meu eleito sempre foi/será &lt;em&gt;Palmeiras Selvagens&lt;/em&gt;. Sem qualquer razão além da mais indesejada no cenário crítico: me fala ao coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;** Nunca consegui concluir &lt;em&gt;O som e a fúria&lt;/em&gt;, de 1929. Ainda espero triunfar na empreitada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-8251890234618276647?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/8251890234618276647/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/10/meus-mais-parte-dois_21.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/8251890234618276647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/8251890234618276647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/10/meus-mais-parte-dois_21.html' title='meus mais (parte dois)'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-5839108148788574903</id><published>2009-10-19T04:15:00.000-07:00</published><updated>2009-10-21T06:59:57.530-07:00</updated><title type='text'>resenha para um amigo</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;Sem medo do clássico*&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(versão do autor)&lt;/span&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;João Hernesto Weber pertence àquele rol de professores que marcam a trajetória dos alunos, seja pela ironia impressa nos debates orientados em sala de aula, seja pelo extenso conteúdo apresentado nas grades. Acompanhar seu pensamento, porém, já não é exclusividade dos freqüentadores dos embates literários brasileiros, circunscritos num universo de congressos, pesquisas e artigos científicos. O lançamento de &lt;em&gt;Tradição Literária &amp;amp; Tradição Crítica&lt;/em&gt;, sua mais recente coleção de ensaios, expande a experiência do autor para além dos limites da academia, reposicionando ricas discussões sobre o Brasil, a literatura daqui e sua crítica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A direção de Weber, importante frisar, é avessa a modismos teóricos de qualquer espécie. Se a universidade muitas vezes remaneja expectativas em função do filósofo estrangeiro em voga no momento, ele dispensa o hype e se debruça sobre a cartela habitual de preferências, com raízes bem fincadas. Pensando o processo de formação da nossa literatura, dialoga com Antonio Candido, Roberto Schwarz, Alfredo Bosi, pelos quais nunca deixou de nutrir certo “respeito-ternurinha”, como sugere já na escolha da epígrafe, de Carlos Drummond de Andrade. Analisando nossos pontos altos, recorre a ficções do porte de Machado de Assis, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos. Na base da paisagem, norteando o pensamento, multiplicando a profundidade, a sombra do filósofo alemão George Lucacks, autor de &lt;em&gt;Teoria do Romance&lt;/em&gt;. Weber é clássico, e &lt;em&gt;Tradição Literária &amp;amp; Tradição Crítica&lt;/em&gt; comprova a eternidade do olhar que lança sobre povo e nação, ficção e história, ordem e desordem - sempre na releitura dos seus eleitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estimulado pelo objetivo de relacionar literatura e sociedade, legítima missão à linhagem de Weber, e título de clássico recorrente ao longo do livro, o grupo de 14 textos compõe um sofisticado painel das discussões formativas mais relevantes da nossa historiografia crítica. A complexidade aqui está no intercruzamento, perseguido também, do pensamento brasileiro com as ficções mais profícuas da nação. Discutindo afastamentos e zonas de contato entre as teorias de Candido, Schwarz, Raymundo Faoro e outros tantos, em &lt;em&gt;Algum “desconforto crítico”&lt;/em&gt;, Weber revitaliza a obra de Machado de Assis, construindo sua própria Capitu, ao mesmo tempo em que remete às construções de Schwarz sobre as meninas do bruxo do Cosme Velho. Partindo do título do livro de poemas de Guilhermino César, também crítico e historiador, em &lt;em&gt;Arte de Matar&lt;/em&gt;, desconstrói o discurso contemporâneo das desconstruções, numa metateoria repleta de ironia, reivindicando a validade das análises marxistas que buscam relacionar literatura e sociedade. Clássico, sem dúvida, inclusive nas críticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando discute diretamente formação, seja crítica ou literária, Weber ratifica a potência de um pensamento que resiste mesmo diante das flutuações teóricas típicas do meio por onde transita. Sua compreensão da importância de Antonio Candido, bem como das relações tecidas entre o crítico e seus seguidores, ainda que distanciadas em tantas instâncias, ajuda a explicar não apenas os (des) caminhos da nossa literatura como também a própria consolidação da experiência intelectual brasileira. A riqueza da abordagem encontra-se nos desdobramentos infinitos: enquanto desvela a literatura por meio da estrutura social, e a própria sociedade por meio da ficção, Weber ainda incute significado nos desdobramentos da trajetória de cada um dos críticos com quem dialoga, ao longo dos ensaios. O Candido autor de &lt;em&gt;Formação da Literatura Brasileira&lt;/em&gt;, por exemplo, difere em muito do ensaísta de &lt;em&gt;Dialética da Malandragem&lt;/em&gt;, quando já revia os próprios vácuos teóricos. Lançar luz sobre tais nuances, imperceptíveis muitas vezes, é um empreendimento executado com cuidado (e raro respeito) pelo pesquisador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dotado de incisivo espírito crítico, até mesmo quando discorre sobre os seus mais caros companheiros de jornada, &lt;em&gt;Tradição Literária &amp;amp; Tradição Crítica&lt;/em&gt; oferece lições definitivas ao leitor sobre o que é ser brasileiro. Discute nossa formação, literária e crítica, apontando pontos culminantes e seqüestros impróprios; revê e relê nossos clássicos, incentivando o consumo permanente; apresenta novas entradas de leitura, expondo em muitas páginas abordagens diferenciadas e originais, sobretudo nas análises de Machado de Assis e Guimarães Rosa; homenageia um método de trabalho que permanece contemporâneo mesmo em meio à enxurrada de novidades, ao mesmo tempo em que se posiciona no centro dele, fazendo parte, agora ele próprio, Weber, de uma tradição que ajudou a esboçar, construir, pensar, analisar, consolidar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tradição Literária &amp;amp; Tradição Crítica&lt;/em&gt; interessa a qualquer brasileiro. Estudiosos e curiosos encontram aqui uma chance única de conhecer um olhar apurado sobre os atos mais definitivos da crítica e da literatura brasileiras. Ex-alunos e colegas têm ainda mais sorte: as 167 páginas de ensaios nos levam de volta às salas de aula, palco no qual o autor apresenta ao vivo as lições ofertadas aqui. Essa, sim, é a melhor parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jade Martins é doutora em Teoria Literária pela Universidade Federal de Santa Catarina.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* Texto publicado no caderno DC Cultura, do Diário Catarinense, em 17 de outubro.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-5839108148788574903?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/5839108148788574903/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/10/dc-cultura.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/5839108148788574903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/5839108148788574903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/10/dc-cultura.html' title='resenha para um amigo'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-2639030719512493047</id><published>2009-10-16T12:05:00.000-07:00</published><updated>2009-10-16T12:49:16.261-07:00</updated><title type='text'>like a flower, waiting to bloom...</title><content type='html'>"Virou-se então para a direita, em busca das vozes que soavam um pouco mais distantes do que quando atravessara deslumbrada o charmoso galpão. Bateu o rosto num emaranhado de samambaias que desciam do teto, presas por fios de nylon quase imperceptíveis, e teve a impressão de ouvir lamentos de despedida. Dobrando de novo à direta, e agora já quase no terraço que se abria para a rua, de lado para o mar, encontrou um grupo de oito ou nove pessoas bajulando-se num tilintar alegre de taças, envoltas em perfumes doces e vestidos suaves, trocando sutis palavras de agradecimento, preparadas para se servirem em bando de mais bebida, e logo retornarem. Espiou entre as plantas, avistou o grupo partindo e deteve o olhar sobre aquele que restou, ele, o garoto, quase o motivo para aquela noite, Tom, como poderia ter esquecido? Sem notar que estava sendo observado, ele saltou imediatamente para o parapeito do terraço, equilibrou-se com apenas uma mão, na outra segurava uma taça de champanhe, e espichou-se inteiro, recebendo de braços abertos a fresca brisa do início da madrugada. Os pés, enormes, ocupavam quase toda a extensão do parapeito, numa estreiteza de medidas que acentuava ainda mais a impressão de que tombaria a qualquer instante. Bastou um olhar demorado, porém, para logo reconhecer a velha administração competente dos riscos, peito aberto, queixo firme apontado para a frente, corpo grande e largo em total equilibrio, como o leme de um barco que jamais afundaria, seguro como só ele conseguia ser e parecer, sobretudo parecer. Estava mais gordo, ela reparou, embora tenha sido uma criança quase sempre acima do peso, por mais que corresse com a amiga pela praia até precisar se jogar na areia para acalmar os saltos do coração. Estava mais bonito também, como se os anos tivessem lhe arrancado as bochechas e os olhos infantis, como se a vida tivesse lhe presentado com um traçado mais fino, ângulos quase agudos agora, talvez até um olhar mais grave. Quando levantou uma perna, cambaleando em busca de um novo ponto de equílibrio, só pelo prazer de sentir aquele aperto no estômago, apenas para se sentir corajoso como nenhum outro, em guerra, sempre, quando brincou e se mexeu e pulou e quase saltou dali do alto, fingindo estar num murinho baixo de garagem, Nina percebeu que era o mesmo Tom, sim, não restava dúvidas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;(by myself)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-2639030719512493047?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/2639030719512493047/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/10/o-homem-da-vida-dela.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/2639030719512493047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/2639030719512493047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/10/o-homem-da-vida-dela.html' title='like a flower, waiting to bloom...'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-5180037177272366173</id><published>2009-10-15T12:39:00.000-07:00</published><updated>2009-10-15T14:41:22.961-07:00</updated><title type='text'>trechinhos</title><content type='html'>"O chacoalhar vagaroso e lento do táxi desviava sua atenção das lombadas frequentes. Enquanto o sono sussurrava palavras de consolo, sentia o desejo da conversa definitiva, antes tão vago, transformar-se em imperativo; diferentemente das outras vezes, o pensamento agora tomava a forma de decisão, à espera da maneira mais rápida e indolor de alcançar o mundo. Desde a chegada na cidade, reconhecia a necessidade daquela ordem penetrar de maneira irremediável dentro de sua intimidade; então, não dependeria mais de palavras de encorajamento nem ensaios em frente ao espelho. Seria logo, na manhã seguinte, e a nova dor originava-se justamente do caráter inadiável recém-impregnado na situação. Com os pensamentos um tanto desordenados, mais pelas últimas horas levadas diante do passado inacabado do que pela certeza cruel dos próximos passos, pagou o motorista e lhe desejou boa noite. Custou a abrir o pesado portão de ferro e procurou as partes secas do chão para evitar encharcar a sola do sapato na grama úmida de dezembro. Entrou em casa cuidando com o barro e se assustou com o relógio marcando quatro e trinta. Quatro e meia da manhã, quase cinco, já o outro dia, o dia que apagaria mais aquela luz. E se resolvesse tudo aquilo naquele instante? Não, não, não era possível. Embora tenha cogitado durante alguns segundos, olhos presos no telefone preto, coração batendo sem ritmo à procura da melhor maneira de dizer nunca mais, agora já era, já foi, desistiu do telefonema ao assumir que não estava completamente sóbria, nem completamente sã, com completamente equilibrada. Faltava-lhe estrutura para não se comover e segurança para se manter de pé, depois de todas aquelas taças, sobre os centímetros a mais da sandália. Pelo receio de pôr tudo a perder, a velha precipitação companheira dos seus momentos cruciais, no quais era tomada pela perigosa dificuldade de manter-se parada, à espera da hora certa de ir adiante, jogou-se na cama sem trocar de roupa, ainda com os restos da maquiagem. Não teve tempo de pensar em nada, apenas fechou os olhos e dormiu, embalada pela mistura de bebidas, pelo sono bom às vezes trazido pelo álcool, pelas tristezas que começavam a ir embora, pela valentia com que encarou o sorriso de canto de Daniel, por ela mesma, a própria Nina, que voltava a ser, ainda bem, voltava a ser aquela menina valente que se recusava a alimentar o sofrimento. Antes de cair no sono, prometeu, de si para si: jamais sentiria saudade dela mesma de novo. "&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;(ibid idem)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-5180037177272366173?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/5180037177272366173/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/10/trechinhos.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/5180037177272366173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/5180037177272366173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/10/trechinhos.html' title='trechinhos'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-1897449385754824713</id><published>2009-10-14T12:04:00.000-07:00</published><updated>2009-10-14T12:41:09.502-07:00</updated><title type='text'>letrinhas (por ora) engavetadas</title><content type='html'>"Talvez quando encontrasse um zero de onde recomeçar conseguisse enumerar com mais desenvoltura as coisas todas que continuavam à sua espera. Haveria de fazer planos também, afinal sempre os fizera, e talvez até algumas resoluções já estivessem tomando forma, ainda que timidamente: voltaria para o Rio de Janeiro, era lá o seu lugar; organizaria visitas mensais ao sul, onde já reencontrara aconchegos preciosos como um novo horizonte; retomaria a rotina das hípicas, reavendo ao menos aquele talento; escreveria sobre tudo aquilo, e escreveria sempre, o que quer que estivesse fazendo a cabeça falhar. Uma névoa, no entanto, quase lhe arrancava as certezas uma a uma: permanecia sem destino para a inquietação que crescia em velocidade constrangedora desde que vislumbrara de novo a pequena rua sem saída. Só sabia que era algo incontrolável, e que preenchia com fúria todos os outros planos, inadiável, imprescindível, a única sugestão capaz de dotar de alguma tranquilidade os anos futuros".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;(meu livro de gaveta)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-1897449385754824713?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/1897449385754824713/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/10/literatura-por-ora-engavetada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/1897449385754824713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/1897449385754824713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/10/literatura-por-ora-engavetada.html' title='letrinhas (por ora) engavetadas'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-8707980762386733789</id><published>2009-10-13T07:15:00.001-07:00</published><updated>2009-10-13T07:45:48.530-07:00</updated><title type='text'>diálogos nonsense no trânsito...</title><content type='html'>(para no farol, sol a pino, abre o vidro pra ouvir as propostas do ambulante. zero paciência.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer comprar um livro de piadas? Já estou na segunda edição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não estou pra piadas, moço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(o humor negro da vida é coisa espantosa!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Posso dizer uma última coisa? Juro que não é piada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(um sim rápido, de olhar baixo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é muito bonita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(!!!)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-8707980762386733789?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/8707980762386733789/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/10/dialogos-nonsense-no-transito.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/8707980762386733789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/8707980762386733789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/10/dialogos-nonsense-no-transito.html' title='diálogos nonsense no trânsito...'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-3903029857279716531</id><published>2009-10-08T12:42:00.000-07:00</published><updated>2009-10-21T05:11:03.342-07:00</updated><title type='text'>meus mais</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;Como discutir literatura é uma das missões deste blog, quase sempre substituída por incursões ficcionais ligeiras e biografemas inconclusos, preparei uma lista com a dezena de historinhas que me transformaram naquilo que sou hoje (pro bem e, principalmente, pro mal). Meus &lt;strong&gt;dez mais&lt;/strong&gt; foram lidos, relidos, vistoreados, devorados e pensados ao longo dos últimos anos, rendendo as impressões abaixo. Discípula obediente de Nelson Rodrigues, acredito piamente que o único prazer (intelectual) maior do que a leitura é a releitura. E, para finalizar, é sempre bom deixar claro: a escolha foi feita de súbito, desprezando, ao mesmo tempo, a isenção e o hype. Ou seja, as opiniões remetem apenas a sentimentos inexplicáveis e intensos, não a teorias literárias, "clássicos obrigatórios" ou teses de terceiros, embora às vezes a coincidência ocorra. Sem preocupação alguma além da satisfação, a única ordem aqui é liberdade. *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;:: &lt;strong&gt;Suave é a noite&lt;/strong&gt; (Scott Fitzgerald, 1934)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algo de trágico na trajetória do prodígio Dick Diver, médico que abandona a psquiatria para se casar com uma bela paciente, a milionária e esquizofrênica Nicole Warren. Nas três partes que compõe o romance, expostas em ordem não cronológica, quase tudo é impossibilidade, derrocada, fracasso - embora as três palavras não pontuem a narrativa, exemplo da sutileza do autor. Dick era um zé-ninguém que prometia tudo, sem cumprir nada. Nicole era uma garota que encontrava tudo à mão, menos o principal. Juntos, viveram a aventura de uma geração, perdida já nas primeiras linhas, esbanjando dinheiro, juventude e expectativas como se jamais fossem acordar no dia seguinte. Ao contrário dos romances anteriores, nos quais narrou com maestria as madrugadas iluminadas dos anos 20, &lt;em&gt;Suave é a noite&lt;/em&gt; é a obra da ressaca, a única que detalha a manhã seguinte aos excessos inevitáveis. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Os porres homéricos, a paixão proibida (e salvadora) do protagonista pela fútil Rosemary, a luta (inglória) de Nicole contra os fantasmas da infância, o estilão boudoir das intrigas e dos desfechos, os coadjuvantes perdidos em cenas hilárias e/ou tristes, os navios flutuando de um lado a outro, a imagem do imponente hotel nas bordas do mar azul da Riviera**, o deslocado duelo decidido entre um gole e outro, a vida que passa com excessiva rapidez, sem aceitar os freios da cautela e/ou do planejamento, corroendo sonhos e liberdades, furiosa e descontrolada, entregue à ruindade mais terrível de cada personagem. Ruindade porque descrença, preguiça, comodidade. Uma profusão de males, males que nascem de escolhas, as escolhas erradas da vida. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;O grande barato aqui, o mais tocante, é certa sensação compartilhada por quase todas as personagens do livro: olhar para trás e não gostar do que encontra; encarar o espelho e vislumbrar algo (muito) imprevisto. Diferentemente da civilização construída em seus outros três romances, &lt;em&gt;Este Lado do Paraíso&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Belos e Malditos&lt;/em&gt; e&lt;em&gt; O Grande Gatsby&lt;/em&gt;, o tempo passou em &lt;em&gt;Suave é a noite&lt;/em&gt;, e já não somos mais jovens, nem belos, nem contamos com um futuro repleto de páginas em branco. Há uma tristeza funda na constatação da melancolia. Mas há uma contrapartida típica da obra de Fitzgerald, um generalizado e infantil "dane-se, somos melhores, continuamos sendo melhores, porque tivemos coragem para viver isso". Mesmo que "isso" signifique uma grandiosa derrocada, talvez até pelo imperativo da queda. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Há certa afetação no texto, adjetivado e cheio de plumas, marca da poética do escritor, que entrou para a história americana justamente por adotar o contraponto estilístico do colega e inimigo Hemingway (com quem, inclusive, costumava comparar seus dotes nos lavabos da &lt;em&gt;high&lt;/em&gt;). Escrito em longuíssimos oito anos, enquanto o próprio Fitzgerald padecia entre clínicas contra o alcoolismo e visitas ao hospício da mulher Zelda, &lt;em&gt;Suave é a noite&lt;/em&gt; é formalmente irregular, bagunçado e muitas vezes, muitas mesmo, levado às pressas. Ainda assim, o resultado constrói um monumento de clima, frescor, legitimidade. As últimas cenas de Dick na Riviera, olhando o mar ao longe, órfão de afeto e de bebida, faminto da juventude que tanto temeu perder, continuam me deixando com os olhos molhados, mesmo após uma dúzia de releituras. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Derradeira incursão literária do autor, já que O&lt;em&gt; Último Magnata&lt;/em&gt; é obra póstuma, &lt;em&gt;Suave é a noite&lt;/em&gt; é todo Fitzgerald: as experiências, as marcas, o estilo, as dores, a cena, os defeitos, os alívios***. Mesmo se não fosse tão bom, só por isso já valeria a pena. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Este post deveria abarcar todos os &lt;strong&gt;meus mais&lt;/strong&gt;. Como me passei na análise, publicarei um por um. Nada mais justo: me recuso a me economizar, sobretudo para os meus favoritos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;** Sou tão devota que reproduzi, na minha primeira viagem à Europa, TODO o roteiro Cote d'Azur vivido pelo casal Dick e Nicole, com direito a fotos em cada uma das praias e uma sessão extra na pequena Saint Raphael, onde a família da moça construiu seu hotel. Sick, admito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*** Palavra de quem leu mais de dez biografias de Scott Fitzgerald, duas de Zelda Fitzgerald, a mulher dele, incontáveis perfis, dois livros sobre o casal e uma compilação de cartas trocadas. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Sick total, admito.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-3903029857279716531?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/3903029857279716531/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/10/meus-mais.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/3903029857279716531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/3903029857279716531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/10/meus-mais.html' title='meus mais'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-5924732540246477367</id><published>2009-10-06T14:30:00.000-07:00</published><updated>2009-10-07T07:33:05.665-07:00</updated><title type='text'>Charlie &amp; Lola</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Começou com um susto bobo: "Você escuta Nirvana?!?!". Era aniversário dela, e ele chegou ao pequeno bar central antes de qualquer convidado, inclusive da própria anfitriã, que comemorava 19 anos àquela noite. Não aceitou bebida nem cigarro. Ela achou aquilo um saco.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;...........................................&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(um) tudo (quase) desaparecendo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flores cor de rosa nas mesas, uma pequena cozinha encomendada na véspera, aquele vestido rodado de renda. Dúvidas, insistentes e variadas, uma penca delas. Gosto amargo de fim, suspiro de recomeço, velho prenúncio de desespero. Inevitável sofrimento, sussurrava a vida, irônica e surpreendente; dor ainda branda, rascunho apenas. O peso imenso das costas derrubava expectativas, atrasava a experiência, destronava sorrisos. Há dois meses sentia-se enfiada na rota errada, incapaz de explicar "porquês" e "quandos". Forgotten Boys com Charlie era uma maneira masculina de gritar seu basta. Ignorar os fantasmas, ou aceitá-los de vez, à revelia do cartesianismo dos chatos. Em menos de uma hora já experimentava a única madrugada tranquila daqueles meses imundos. Nunca nomeou os motivos: a cumplicidade se infiltrava sem qualquer resistência, dispensando o empenho, espontânea como todos os &lt;em&gt;legítimos&lt;/em&gt;. Ao fim das canções, atravessaram lado a lado as dunas molhadas. Sem qualquer palavrinha, embora fossem cheios delas, voaram de tão leves. Ali Lola entendeu o que era ser livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(um) tudo (quase) nascendo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre houve mais angústia ao lidar com princípios do que com fins. "Hábito", ela se defendia. Charlie refutava o argumento com a provocação de sempre: a zona de conforto de Lola não comportava a felicidade. Naquele dezembro, quando acordou e observou o inquietante entorno, lembrou-se dele, e da sugestão espinhosa: tudo se confirmara, de súbito, sem tabelas de planejamento, contrariando as mais incautas previsões. &lt;em&gt;Tudo&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;todas&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;sempre&lt;/em&gt;, nova série de definitivos. "Morte, nascimento, como reconhecer?" - a velha pergunta da infância. Os olhos arregalados denunciavam o susto (pavor?) diante da precisão da roda-viva, alheia às convicções, aos subterfúgios, aos esconderijos. A vida riu dela, e ela agora ria sozinha. "Me leva até o seu quarto pela mão"- ecos, pistas, palavras soltas. Vento frio, de congelar o estômago. Ventania que aquece o coração. Falta de fome, de norte, de escuro. Falta de costume. Perderam-se em outra noite esquisita. Ali Charlie acompanhou calado o tormento sorridente de Lola, vítima voluntária daquela felicidade assustada e livre. Leves, juntos, de novo, sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;...........................................&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele esteve lá em todas as necessidades: arrancos, tédios, dramas, dores, atropelos. Ela compartilhou cada pedaço de felicidade, raridade diante da velha mania de sorrir sozinha. Charlie hoje em dia finge que bebe. Lola ainda escuta Nevermind. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-5924732540246477367?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/5924732540246477367/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/10/charlie-lola_06.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/5924732540246477367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/5924732540246477367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/10/charlie-lola_06.html' title='Charlie &amp; Lola'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-963545534223315828</id><published>2009-09-30T11:28:00.001-07:00</published><updated>2009-09-30T13:34:19.892-07:00</updated><title type='text'>30 de setembro</title><content type='html'>É pra ser só alegria. Mas o luto fechado sempre ronda as escolhas mais difíceis. Uma promessa cantada, discursos em mesas de canto, fantasias inacessíveis, lembranças de roubos e horrores, talvez uma taça de vinho para acompanhar. Futuro demais para caber numa única taça. Desejo, sonho, neblina. Velha canção de ninar. O vestido floral balançando sob as árvores, um tantinho maior do que deveria. São os quilos a menos, são as dores a mais. Trinta dias inéditos, impossíveis até então. A vida sempre fez com que recuassem antes. Conseguiram enfim, mas conseguiram o quê? Sonhos, imagens, confissões - tudo girando já no primeiro abraço. O sorriso escapando, sem graça, brilhante, ansioso pela presença. Basta olhar, admirar de longe, reconhecer respirando o mesmo ar. Basta. Ninguém diz nada - por onde começar? Aquele banco desengonçado, entre carros atropelando a rotina, numa esquina que rima com encruzilhada. As últimas tantas horas alheias ao enredo principal, livres do peso óbvio e da felicidade inexplicável, da cumplicidade exclusiva e dos tormentos mais íntimos. Mas quem pediu paz? Olhares que se cruzam, aquele sorriso imenso que se abre. Sem dúvidas, sem angústias, sem faltas. Apenas aquela totalizante e suave saudade. Nenhum deles precisa falar. Está tudo ali, como sempre esteve. E morrerão, para sempre, os intervalos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-963545534223315828?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/963545534223315828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/09/30-de-setembro.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/963545534223315828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/963545534223315828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/09/30-de-setembro.html' title='30 de setembro'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-1494338267753163573</id><published>2009-09-29T10:23:00.000-07:00</published><updated>2009-09-30T13:23:57.748-07:00</updated><title type='text'>De braços abertos</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Hoje lembro e sinto saudade de nada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Vi o que vi, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;fiz o que fiz &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Paguei o preço de ter tido a lição&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O tempo é um professor sem pressa mas é exigente &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;E chega a hora de tornar a agir &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ficar mais claro, forte, mais inteligente...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;(&lt;em&gt;Diamante&lt;/em&gt;, Os The Dárma Lovers)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-1494338267753163573?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/1494338267753163573/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/09/de-bracos-abertos.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/1494338267753163573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/1494338267753163573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/09/de-bracos-abertos.html' title='De braços abertos'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-3251348620700768520</id><published>2009-08-14T12:56:00.000-07:00</published><updated>2009-08-14T13:01:31.976-07:00</updated><title type='text'>lições nunca ensinadas</title><content type='html'>"O que é grande no homem, é que ele é uma ponte e não um fim: o que pode ser amado no homem, é que ele é um &lt;em&gt;passar&lt;/em&gt; e um &lt;em&gt;sucumbir"&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tudo o que é reto mente. Toda verdade é sinuosa. O próprio tempo é um círculo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não pretenda ser feliz, mas verdadeiro".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;F. Nietzsche, o único autor legítimo de auto-ajuda. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-3251348620700768520?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/3251348620700768520/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/08/licoes-nunca-ensinadas.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/3251348620700768520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/3251348620700768520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/08/licoes-nunca-ensinadas.html' title='lições nunca ensinadas'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-9105906156849807196</id><published>2009-08-10T14:28:00.000-07:00</published><updated>2009-08-10T14:31:52.766-07:00</updated><title type='text'>pra entender o mundo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome. O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos. O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina. O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos. Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina. O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água. O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome. O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel. O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés.  Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso. O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala. O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;em&gt;Os Três Mal-Amados&lt;/em&gt;, de João Cabral de Melo Neto)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-9105906156849807196?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/9105906156849807196/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/08/pra-entender-o-mundo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/9105906156849807196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/9105906156849807196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/08/pra-entender-o-mundo.html' title='pra entender o mundo'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-9090453945006381099</id><published>2009-08-06T05:30:00.001-07:00</published><updated>2009-08-06T10:18:56.838-07:00</updated><title type='text'>Vá lá: www.tudosobrenelsonrodrigues.com.br</title><content type='html'>Tenho horror público a qualquer tipo de comemoração ensaiada, com data marcada para a saudade, inclusive aquelas (infelizmente) clássicas, como "10 anos de formatura", "15 anos da entrada na UFSC", "12 anos de mestrado". Simplesmente não vou. Mês passado, porém, tomada por um impulso de organização motivado por forças externas, resolvi, enfim, encontrar um abrigo virtual decente ao meu TCC, busca adiada há pelo menos 5 anos. Desde o lançamento, em abril de 2002, as 500 páginas orientadas pelo meu querido Clóvis Geyer ocupavam um cantinho escondido do portal do curso de Jornalismo da UFSC, de onde foi extirpado, sem dó, nas proximidades do último natal. O projeto, o site mais completo "do mundo" sobre Nelson Rodrigues, continua de pé, já que permanece como o principal, quiçá único, sítio virtual disponível sobre a obra do dramaturgo, folhetinista e jornalista (e tradutor fantasma, e dialoguista de quadrinhos infantis, e cronista de futebol, e memorialista, e polemista, e tantos mais). Enquanto escolhia entre os endereços disponíveis, refiz mentalmente os cálculos e percebi que em 2008 também completei 10 anos de entrada no curso. Sorri, feliz. Ainda assim, não senti nenhuma vontade de comemorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs: O site está publicado tal e qual 2002. Atualizações, imprescindíveis, estão prometidas para um futuro próximo. O link, aqui: &lt;a href="http://www.tudosobrenelsonrodrigues.com.br/"&gt;www.tudosobrenelsonrodrigues.com.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs 2: Tal furo já foi noticiado anteriormente em &lt;a href="http://1cronicapordia.blogspot.com/"&gt;1cronicapordia.blogspot.com&lt;/a&gt;, do meu menino.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-9090453945006381099?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/9090453945006381099/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/08/va-la-wwwtudosobrenelsonrodriguescombr.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/9090453945006381099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/9090453945006381099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/08/va-la-wwwtudosobrenelsonrodriguescombr.html' title='Vá lá: www.tudosobrenelsonrodrigues.com.br'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-6161168567360274799</id><published>2009-08-05T11:21:00.000-07:00</published><updated>2009-08-05T11:38:35.924-07:00</updated><title type='text'>3 versões para uma mesma sombra*</title><content type='html'>"O homem na rua moderna, lançado nesse turbilhão, se vê&lt;br /&gt;remetido aos seus próprios recursos – freqüentemente recursos&lt;br /&gt;que ignorava possuir – e forçado a explorá-los de maneira&lt;br /&gt;desesperada, a fim de sobreviver. Para atravessar o caos, ele&lt;br /&gt;precisa estar em sintonia, precisa adaptar-se aos movimentos do&lt;br /&gt;caos, precisa aprender não apenas a pôr-se a salvo dele, mas a&lt;br /&gt;estar sempre um passo adiante. Precisa desenvolver sua&lt;br /&gt;habilidade em matéria de sobressaltos e movimentos bruscos, em&lt;br /&gt;viradas e guinadas súbitas, abruptas e irregulares – e não&lt;br /&gt;apenas com as pernas e o corpo, mas também com a mente e a&lt;br /&gt;sensibilidade".&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(Marshall Bermann, &lt;em&gt;Tudo o que é sólido desmancha no ar&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,&lt;br /&gt;onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.&lt;br /&gt;Praticas laboriosamente os gestos universais,&lt;br /&gt;sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.&lt;br /&gt;Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,&lt;br /&gt;e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.&lt;br /&gt;À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze&lt;br /&gt;ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.&lt;br /&gt;Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra&lt;br /&gt;e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.&lt;br /&gt;Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina&lt;br /&gt;e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.&lt;br /&gt;Caminhas entre mortos e com eles conversas&lt;br /&gt;sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.&lt;br /&gt;A literatura estragou tuas melhores horas de amor.&lt;br /&gt;Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.&lt;br /&gt;Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota&lt;br /&gt;e adiar para outro século a felicidade coletiva.&lt;br /&gt;Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição&lt;br /&gt;porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan".&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(Carlos Drummond de Andrade, &lt;em&gt;Elegia 1938&lt;/em&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não acredito em honestidade sem úlcera".&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(Nelson Rodrigues)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* por ora, só sobrou disposição para falar através da boca dos outros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-6161168567360274799?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/6161168567360274799/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/08/3-versoes-para-uma-mesma-sombra.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/6161168567360274799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/6161168567360274799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/08/3-versoes-para-uma-mesma-sombra.html' title='3 versões para uma mesma sombra*'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-1165575159155854896</id><published>2009-05-14T11:16:00.000-07:00</published><updated>2009-05-14T11:21:03.461-07:00</updated><title type='text'>Perfis literários - Parte 3</title><content type='html'>Mais um, da série idealizada para o jornal &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Judiciário&lt;/span&gt;, da Associação dos Magistrados Catarinenses. Deu um trabalhão, sobretudo pela insistência em realizá-lo na forma de verbetes, mas é um dos que mais gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Pequenas lições de filosofia e equilíbrio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Salim Schead dos Santos já foi estudante de línguas, historiador formado, jornalista de pautas quentes, poeta premiado, juiz dedicado às causas sociais e professor universitário. Perambulou por incontáveis cidades, perseguiu objetivos de carro, ônibus, trem e avião, decidiu a vida de todo tipo de gente, julgando dos casos mais polêmicos aos enroscos mais triviais. Desembargador desde 2003, dedica-se agora a manter o equilíbrio mesmo num dos picos do poder. Um desafio fácil de vencer: desde os dias mais incertos da juventude, é acompanhado por uma ilustre figura, competente na construção de sua personalidade tranqüila, observadora e auto-consciente. O filósofo romano Marco Aurélio deu-lhe as mãos ainda na adolescência, quando conheceu o livro Meditações, até hoje em sua mesinha de cabeceira. A obra, baluarte da filosofia estóica, consolou o magistrado nos raros momentos de sofrimento, encarados sempre como experiências, e permitiu que reconhecesse mesmo as felicidades mais miúdas, tão difíceis de identificar. A convivência diária rendeu ao desembargador um rol particular de sabedorias, orientadas segundo o despojamento da doutrina ascética do romano, dispostas aqui em ordem alfabética, segundo princípios sugeridos e cultivados pelo filósofo. A seguir, algumas das lições mais preciosas de Salim Schead dos Santos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ARTE –&lt;/span&gt; Se Marco Aurélio aprendeu com Rústico o valor de leituras rigorosas, dispensando idéias gerais e palavras fáceis, seus próprios escritos sugeriram a importância da pluralidade estética. Comprador compulsivo de livros, o desembargador desvia boa parte do orçamento à aquisição dos preferidos: Drummond, Borges, Machado, Vargas Llosa, Flaubert, Balzac, Quintana, Bandeira, Rubem Braga. Gosta de crônica, poesia, romance, livros de ensaios – Carlos Fuentes é a companhia do momento. Ao elencar as maiores obras, confirma o gosto diverso: A morte de Ivan Ilitch, Ratos e Homens, Vidas Secas, José Saramago – de quem leu mais de uma dezena de títulos. Embora não dedique muito tempo à música, quase sempre aciona o som durante as análises de processos, às vezes música orquestrada, às vezes canções em língua inglesa. A cultura artística é complementada com visitas a museus, sobretudo em viagens ao exterior, área onde também já acumula eleitos: Portinari, Di Cavalcanti e Van Gogh, cuja biografia o impressiona, sobretudo pelo fracasso de não ter conseguido vender uma única tela em vida. É por meio da literatura, porém, que intensifica com mais paixão sua educação estética: “para mim, as leituras fora da área técnica são também formas de descansos”. Acumulando vários títulos ao mesmo tempo, Salim completa ao menos um livro por mês, já que “cada um satisfaz um tipo de curiosidade”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;CONSCIÊNCIA –&lt;/span&gt; O ofício da magistratura parece depender de quatro condições: vocação para a responsabilidade, busca de conhecimento fora das análises técnicas, compreensão humana e capacidade para resolver conflitos. Em uma palavra, consciência, consciência dos atos, na totalidade, e não apenas no restrito âmbito em que muitos mantêm suas ocupações profissionais. Da mesma forma que é proibitivo "julgar sem se preocupar com as conseqüências da decisão", é necessário “jamais impor seu ponto de vista sem se cercar de informações, tampouco agir por impulso”. Parte do genuíno interesse pelo outro Salim atribui à sua geração, construída a partir de passeatas de protesto, recusa à ditadura, palavras de ordem, poemas de Chico Buarque e peças de teatro interditadas. Os anos 60, garante, formaram uma personalidade calcada na responsabilidade social, e na busca do bem comum, um olhar ao mesmo tempo contemplativo e participante. Tal consciência, prerrogativa particular do seu conceito de verdade, estende-se à vida pessoal, num movimento circular. Com a fala mansa, escolhendo bem as palavras, explica que adoraria ter mais tempo para se voltar para dentro de si, primeiro degrau da felicidade, segundo sua lógica: “Eu gosto muito de entender as pessoas”. Neste universo, o bem-estar é parente do auto-conhecimento: ter consciência de si próprio, sua introversão, sua calma, sua tranqüilidade, é o princípio de uma jornada solitária que pode ajudar a modificar o próprio mundo. Um olhar para si caro também ao companheiro Marco Aurélio, que cresceu ao som das palavras do tutor: não recear o trabalho, tratar das suas próprias necessidades, meter-se com a sua vida, e nunca dar ouvidos à má-língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;FAMÍLIA –&lt;/span&gt; Em 2008, completou 34 anos de casamento. Sônia, paixão permanente, faz questão de frisar, era uma estudante de línguas quando se conheceram, na Universidade Federal de Santa Catarina. O encontro transformou sua vida e lhe entregou duas meninas, Juliana e Fernanda, e um neto, Samuel, garotinho de quatro anos que rouba parcela significativa de sua atenção. O casal vive ainda com três cadelas, Keli, da “terceira idade”, Kate, “adolescente”, e Phoebe, “ainda criança”, e dois canarinhos; todos juntos numa casa no Santa Mônica, um dos poucos bairros catarinenses que ainda preservam o clima interiorano. A família tranqüila de hoje lembra bastante aquela de onde veio, ele e mais seis irmãos, um deles falecido aos 24 anos. Lá, conheceu as diferenças, aceitando tanto a extroversão da mãe, sempre alegre e otimista, quanto a introversão do pai, mais recolhido. Se Marco Aurélio inicia suas meditações louvando o legado familiar, nossas heranças subjetivas, Salim compartilha com o amigo a mesma gratidão. Com a mãe, reconheceu a validade da máxima “querer é poder”, afastando a crença na sorte, esforçando-se para dar conta da vida. Anos depois, ainda recita Rui Barbosa, eternizando o diálogo materno: “Maior do que a tristeza de não haver vencido é a vergonha de não ter lutado”. Em casa, o menino de Criciúma vislumbrou ainda aquela esperança meio gratuita que surge quando o mundo parece desbotar, certa crença na superação: a irmã Ângela venceu o câncer sem tirar o sorriso do rosto. Ali encontrou também o primeiro herói, imbatível até hoje: seu próprio pai, "sereno, honesto, sério, sempre em busca do diálogo, dono de excelente compreensão humana". Sônia, anos depois, entregou-lhe o mesmo aconchego: com ela aprendeu inglês, com ela conheceu a fé, por ela deixa-se transformar cotidianamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;MORTE – &lt;/span&gt;Para o desembargador, “a vida é um caminho” – ponto alto de toda filosofia que tende a enxergar no universo pólos de constantes mutações, objetivo já das meditações milenares de Marco Aurélio. Em paz com suas escolhas, e crente da validade da própria trajetória, sem desalinhos ou excessos, considera muito bom seu atual estado de espírito: “tenho duas filhas queridas, amo minha mulher, possuo grandes experiências conjuntas e gosto do meu trabalho”. É pela satisfação, então, que "não encontra dificuldade para encarar a idéia da morte". Se a sociedade moderna faz questão de esconder nossas despedidas, enclausurando os casos de doenças fatais, vedando o corpo em caixões de luxo, o magistrado encara a finitude como parte do próprio fenômeno vida. Se pudesse sugerir sua ida pediria apenas que fosse, claro, com tranqüilidade – tranqüilidade apresentada por ele diante dos revezes e das felicidades. Mais uma importante lição do mestre: “Embarca-se, faz-se a viagem, chega-se ao porto: desembarca-se, então”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;PRESENTE –&lt;/span&gt; Viver cada dia como se fosse o último é uma das mais contundentes sugestões da filosofia estóica: “lembra-te que o homem vive só no presente, neste momento fugaz: todo o resto da vida é ou passado e já ido, ou ainda não revelado”. O posicionamento no presente, dispensando as sobras do passado e evitando planejamentos maiores para o futuro, garante dose extra de tranqüilidade ao magistrado, tão importante para a efetivação da sua experiência. Para fazer valer a eternidade do instante do momento, evita o rancor: "muitas decepções que tive, já esqueci, não vale a pena retê-las". Mas não deixa morrer a alegria: "Passar no concurso para juiz foi uma explosão de alegria". No fim das contas, tempera com intensidade, a intensidade do hoje, sua tão característica tranqüilidade. É a própria experiência da vida que defende, com unhas e dentes: “Não vejo mérito na omissão, nem naqueles tipos que passam a vida em brancas nuvens”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;RELATIVISMO –&lt;/span&gt; Nem o prazer é necessariamente um bem, nem a dor é necessariamente um mal – a sentença, uma das máximas sugeridas nas entrelinhas de Meditações, é seguida à risca pelo discípulo. Seu relativismo, que busca dar conta das situações de acordo com seus contextos próprios, aplica-se em primeira instância à profissão. Antes de tudo é preciso enxergar a lei de outra forma, buscando alternativas, não apenas seguindo dogmáticas pré-estabelecidas. Uma de suas grandes preocupações em relação ao mundo contemporâneo é justamente a proliferação dos radicais, peritos em abandonar o fator humano. Contra a dicotomização da realidade, vislumbra no excesso de rigor apenas o caminho mais fácil para solucionar problemas de muitas pontas: “não acredito em mocinho e bandido; todo o ser humano tem virtudes e defeitos”. Ele, claro, lança o olhar para as virtudes. Herói, assim, pode ser todo mundo, graças a deus: basta resistir, basta revelar equilíbrio em situações-limite. “Heróis não precisam ser autores de ações grandiosas”. Ele mesmo encara-se como um magistrado atento e inquieto, atento às transformações da sociedade, cada vez mais velozes, inquieto com certas leis, “afinal nossa legislação não dá efetividade aos direitos da saúde e do meio ambiente, por exemplo”. Por conta da maneira filosófica com que encara a atividade da magistratura, cultiva algumas desconfianças cuidadosas: “tenho bastante dificuldade para aceitar a prisão por dívida”. Foi por se preocupar tanto com a liberdade, os direitos daquele outro, seu interesse profissional maior, que acabou se envolvendo academicamente com Direito Penal, tema do seu mestrado, também na UFSC. “É uma área desafiante. Fico muito preocupado quando leio que 43% acredita que bandido bom é bandido morto”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;SIMPLICIDADE –&lt;/span&gt; Pessoalmente, Salim é um homem cordial e atencioso, sem qualquer vestígio da arrogância que acompanha alguns nomes do poder. Conversa sem pressa, e ouve com a mesma atenção com que explica suas verdades – quase sempre relativizadas de acordo com o contexto e o ouvinte. Pergunta, indaga, escuta: parece aprender ao menos um tantinho com qualquer fato da vida, inclusive os mais corriqueiros. Interessa-se, sempre, pelo outro, dando-lhe crédito em qualquer circunstância. Cultiva a simplicidade dos verdadeiros humildes, desconfia do poder como de fato desconfiaram os legítimos heróis. Luxo, facilidades, dinheiro, vaidade, sucesso – os duvidosos valores contemporâneos parecem não afetar em nada suas escolhas. Dispensa saídas noturnas, aceita a própria introspecção, tranca-se entre clássicos diversos e inúmeras publicações, aproveita a família nas horas vagas. Adora mesmo é viajar: “nunca estou cansando para colocar o pé na estrada”. Se pudesse modificar alguma coisa em si mesmo, seria um tantinho mais extrovertido. Se recebesse a chance de dobrar algum sentimento no mundo, multiplicaria a compreensão e a tolerância – aquele olhar para o outro, que nele aparece e se consolida de forma tão natural. Solidariedade aqui é palavra chave. Nesta tranqüilidade ativa, mais próxima de um olhar tolerante para as coisas do mundo e dos homens, jamais um refúgio dos resignados, como poderia parecer aos fracos, alimenta a alegria e dispensa as decepções. Depende de cada pessoa transformar angústia em alívio: “muitas vezes o tempo passa e você compreende a situação, daí já deixa de ser decepção”. Para o desembargador, o mundo gira, as filas andam, os imperativos modificam-se: “Na medida que a vida vai passando, a gente vai enxergando as coisas de maneira diferente”. Para os sábios, só vale protagonizar a cena quando se é sereno, simples; “não vergues, mas sê comedido”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;TRANQUILIDADE – &lt;/span&gt;Na opinião do desembargador, "felicidade é um estado de espírito onde você se sente tranqüilo, em paz com o mundo e com você mesmo". Não à toa, fora o pai, seu ídolos são dois inconfundíveis baluartes do pacifismo, Madre Tereza de Calcutá e Gandhi. A aceitação de si mesmo é fato que acompanha o desembargador desde a infância: sempre foi estudioso, mas nunca fez questão de ser eleito o primeiro da turma; conviveu com parcela significativa de extrovertidos, mas aprendeu a se compreender como um homem calado, quieto, caseiro, que tira mais prazer do recolhimento da leitura do que das festas encerradas apenas com o dia claro; cordato, calmo, flexível. "Sou mais bombeiro do que incendiário" – define. A atividade favorita reflete a aceitação do seu próprio sujeito, aquele si tão importante na construção da felicidade: be yourself. Resignado diante do fluxo da vida, aceita de bom grado até mesmo a velhice, fonte de pesadelos dos modernos. Sua meta é envelhecer tranquilamente, sem ressentimentos. Se a virtude está no meio termo, como preza a filosofia de Marco Aurélio, desembargador Salim está a poucos passos do paraíso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;VERDADE – &lt;/span&gt;Desde pequenino, apresentou inclinação à área das ciências humanas, descartando números e estatísticas. Sempre lhe inquietou a condição humana, bem como a maneira como se comporta cada indivíduo em seus momentos particulares de tensão. A verdade, como meta, objetivo, esteve presente desde que aprendeu a pensar, seja na biblioteca ao alcance das mãos, repleta de obras capazes de discutir a fundo os desejos humanos, seja nos primeiros passos profissionais, como o estudante de História que desejava desvendar o passado, ou como o jornalista em busca do retrato mais fiel da notícia. Encarar a profissão com os contornos vagos do imprevisível é outra característica do desembargador: "Direito é sempre um desafio". Formado em História, a magistratura invadiu sua vida como uma espécie de chamado, um projeto novo onde conseguiria colocar em prática noções próprias de justiça. Já em sua primeira comarca, de Camperê, no extremo oeste catarinense, recebeu a chance de exercitar sua maneira particular de buscar a verdade. Num processo sobre posse de terras, contrariou expectativas ao colocar frente a frente as 80 famílias invasoras e o proprietário, que pedia reintegração. O encontro, recurso utilizado com extrema parcimônia, foi produtivo para todos os envolvidos, revelando ao autor, já naquela estréia tumultuada, a importância de se trilhar o próprio caminho, ainda que muitas vezes nossas escolhas não sejam as mais ortodoxas. "Se você tiver essa preocupação com o outro, vai ser juiz". A trajetória até o posto de desembargador foi, sem dúvida, uma construção, edifício em que depositou tijolos ao decorrer de toda a vida, afinal ela é, como já sabemos, “um caminho”. No topo, reconhece a necessidade de responsabilidade – quanto mais, melhor. Ao contrário dos amantes da força, o poder o incomoda em demasia; considera-o uma missão, jamais uma benção. Conseguir identificar a decisão correta, a verdade jurídica, é uma preocupação constante, assalto na tranqüilidade tão perseguida pelo desembargador. Hoje, considera-se um profissional "preocupado com o ofício de fazer justiça". Afinal, como lhe sussurra Marco Aurélio todas as noites, a vida mortal nada pode oferecer de melhor do que justiça e verdade, autodomínio e coragem. E ele aprendeu bem a lição.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-1165575159155854896?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/1165575159155854896/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/05/perfis-literarios-parte-3.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/1165575159155854896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/1165575159155854896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/05/perfis-literarios-parte-3.html' title='Perfis literários - Parte 3'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-5120039827931186726</id><published>2009-05-10T12:25:00.000-07:00</published><updated>2009-05-10T12:55:32.002-07:00</updated><title type='text'>Passarinhos ao vento</title><content type='html'>Nunca gostei de Elizabeth Taylor. Não acho boa atriz, sequer bonita. Tem um pescoço curto que me irrita e coleciona trejeitos de intérprete amadora. Fora aqueles olhões em tom de violeta, realmente raros e estonteantes, nada mais me agrada ali. Ontem, porém, venci minha resistência ao assistir uma versão piratona de &lt;em&gt;Sandpiper&lt;/em&gt;, ou &lt;em&gt;Adeus às ilusões&lt;/em&gt;, como preferiu a tradução brasileira, sempre tão competente em escancarar as sutilezas já na chamada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sugestão partiu do pai, e como foi ele quem me criou esteticamente em tão variados sentidos, me entreguei à experiência despida de qualquer preconceito. Qualquer mesmo, inclusive os que sempre dirigi à mocinha modernosa da trama. Liz Taylor é Laura Reynolds, uma pintora um tanto libertina, mãe solteira e namoradeira, que vive numa casa belíssima numa pequena cidade do litoral da Califórnia. Seu menino, Danny, é considerado um tanto selvagem para os padrões locais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após matar um veadinho, para entender por que o homem é o único animal que mata por prazer, lição da mãe, Danny é obrigado pelo juiz do vilarejo a ingressar numa escola episcopal cheia de regras. Ele se apaixona pelo ambiente, repleto de meninos da sua idade. Laura, claro, se apaixona pelo pastor da escola, o correto pai de família Edward Hewitt, interpretado por Richard Burton, futura encrenca da vida de Liz Taylor. É correspondida, para desespero de ambos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moderno por arrancar os preconceitos da difícil história de amor nascida do casal extraordinário, fora dos padrões, o filme, de 1965, disseca as impossibilidades surgidas quando encontramos certo hiato. O hiato melancólico vivido quando estamos no momento exato com a pessoa errada, ou com a pessoa exata no momento errado. Muitos filmes já tocaram no assunto, mas poucos conseguem atingir o ponto mais profundo. Alguns retornos são impossíveis, alguns princípios nos foram passados sob véus de ingenuidade e maldade, algumas histórias são belas justamente porque compõem as entrelinhas da vida, aquilo que jamais se tornará texto, lauda, cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sandpiper&lt;/em&gt; aborda o fora da cena. O proibido mas não menos ético. O triste mas igualmente potente, forte. O legítimo, embora deslocado. Estão ali, na tela, os instantes de erro, mais do que os acertos; as confusões emocionais, mais do que as clarezas; os amores dúbios, mais do que as garantias. Tudo pode dar errado, a qualquer momento. Mas tudo pode dar certo também. Não basta acreditar, afinal o povo dali despreza a auto-ajuda de best sellers como &lt;em&gt;O Segredo&lt;/em&gt;. Basta viver. E isso Laura Reynolds, embora apressada e trapalhona, sabe fazer como ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filmaço, que ainda traz Charles Bronson num papel coadjuvante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-5120039827931186726?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/5120039827931186726/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/05/passarinhos-ao-vento.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/5120039827931186726'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/5120039827931186726'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/05/passarinhos-ao-vento.html' title='Passarinhos ao vento'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-7014252078175851485</id><published>2009-04-19T18:51:00.000-07:00</published><updated>2009-04-20T05:27:08.522-07:00</updated><title type='text'>Transformações, trânsitos, travessias.</title><content type='html'>Ontem uma borboleta amarela desafiou algumas leis ancestrais da natureza para se enfiar num quarto iluminado aqui de casa. Pousou imediatamente no meu ombro e ali ficou, por alguns segundos. Conversei, argumentei, expliquei, nada: ela permanecia paradinha, me desafiando. Depois de muita insistência, rodopiou entre as paredes cor de palha, ignorando as janelas abertas. Em poucos instantes, voltou para o meu ombro direito. Ficou horas assim. Quando enfim aceitou meu convite para abandonar o quartinho, pousou do lado de fora do vidro, decidida a me encarar com mais firmeza. À meia-noite ela ainda não tinha partido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;...........................................&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Gosto de borboletas desde criança, sobretudo as amarelas, símbolo clássico de properidade, saúde e transformação. Sou bastante desconfiada com as mudanças, também desde criança, quando elas geralmente traziam despedidas e interrupções. Depois que a coisa acontece, e a roda gira, é fácil: adaptação ou desespero. Como jamais cogitei a segunda hipótese, nunca tive alternativa. Antes, porém, quando a indefinição ainda nubla os olhos, é um tormento. Imagino milhões de possibilidades, todas incapazes de trazer um mínimo alento. Sempre sigo adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;.....................................&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Pois depois de um ano, redondinho, abandonei a Associação dos Magistrados Catarinenses, meu primeiro trabalho de carteira assinada pós-academia. Antes eu era doutoranda, pesquisadora, obcecada, professora, atrapalhada e quase nada de jornalista. Quando sentei naquela mesinha pela primeira vez, sabia que não ultrapassaria o limite de um ano, no máximo. Um ano permaneci - claro que a ilusão de "cumprir metas", outro vício de infância, ajuda a revestir as mudanças de certa permanência. A partir desta semana, sou editora-chefe de uma revista teen, a Its, mensal e com tiragem de 40 mil exemplares. Nada poderia parecer mais aconchegante neste momento. Mais bacana ainda foi ter sido indicada por alguém que sempre admirei, pelos textos bem escritos e pelas escolhas nada óbvias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;....................................&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Vida que segue.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-7014252078175851485?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/7014252078175851485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/04/transformacoes-transitos-travessias.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/7014252078175851485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/7014252078175851485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/04/transformacoes-transitos-travessias.html' title='Transformações, trânsitos, travessias.'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-6085648303627659662</id><published>2009-04-18T14:42:00.000-07:00</published><updated>2009-04-18T15:28:13.204-07:00</updated><title type='text'>O Signo da Cidade - Parte 2</title><content type='html'>O enredo é aparentemente banal: uma astróloga discute na rádio os problemas dos ouvintes, palpitando com a ajuda das constelações do firmamento. A idéia é quase simplória: apresentar a diversidade, de sujeitos, de desejos, de sofrimentos, reunida numa metrópole como São Paulo. Outros dados corroboram o pessimismo preventivo: Carlos Alberto Riccelli (lembram do boto?) na direção, o rebento do casal Lombardi-Ricceli num dos papéis principais, e o bufão Juca de Oliveira conduzindo um enredo cravado de situações limites. O resultado, porém, é tão transformador que me fez esperar esta estranha e definitiva semana correr para escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentei descobrir por que mexeu tanto comigo, lutei para absorver a frase abaixo, e devo ter absorvido apenas um punhado do belo significado, me empenhei em reconhecer os cantos mais escondidos do talento notório da escrita de Bruna Lombardi, a roteirista da história. Só hoje me arrisco a definir a complexidade tão bonita do filme: &lt;em&gt;O Signo da Cidade&lt;/em&gt; é sobre perda, sobre solidão, sobre experiência, sobre vida. Como se não bastasse, ainda conta com uma profundidade plena de sutilezas, tão difícil de encontrar no cinema brasileiro contemporâneo - salvo raríssimas exceções, como &lt;em&gt;O Céu de Suely&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descontados a beleza da Bruna Lombardi, o roteiro bem estruturado, as personagens interessantes e diferentes, a direção impecável e a trilha suave, triste e distante como um enterro na infância, escancara aquela força, impressionante e espontânea, típica dos sentimentos mais legítimos. Apresenta uma gente dilacerada, perdida entre opções incapazes de aconchegar. Sugere as saídas, aponta alternativas, reconhece a grandeza das falhas e a beleza dos desfechos mais infelizes. Insinua os abandonos obrigatórios, quando não se pode seguir adiante. Enquadra o sofrimento, mas jamais cai no pieguismo. Com maturidade e complacência, aborda a solidão, não a dos carentes mas aquela que nunca cura. Consegue desvinculá-la de uma idéia de tormento, e aproximá-la da ordem da condição. A solidão da condição humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, é até capaz de suspendê-la, com vagas sugestões que falhariam em mãos menos sensíveis. Em determinada cena, por exemplo, o moribundo tarado, pai da protagonista, implora para não morrer sem assistir à nudez de uma mulher, qualquer mulher, apenas mais uma vez. Uma enfermeira aceita despir-se para ele, num longuíssimo take que alterna a expressão alegre dele com o corpo mole e gordo dela. Sorriem os dois. Dífícil, muito difícil. E corajoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baita filme: duro, doce, triste. Como a vida de qualquer um.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-6085648303627659662?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/6085648303627659662/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/04/o-enredo-e-aparentemente-banal-uma.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/6085648303627659662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/6085648303627659662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/04/o-enredo-e-aparentemente-banal-uma.html' title='O Signo da Cidade - Parte 2'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-6447684610324977337</id><published>2009-04-12T18:52:00.001-07:00</published><updated>2009-04-12T18:52:41.191-07:00</updated><title type='text'>O signo da cidade</title><content type='html'>não é perda, é movimento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-6447684610324977337?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/6447684610324977337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/04/o-signo-da-cidade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/6447684610324977337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/6447684610324977337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/04/o-signo-da-cidade.html' title='O signo da cidade'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-4823593951166022036</id><published>2009-04-10T11:58:00.000-07:00</published><updated>2009-04-11T16:52:30.506-07:00</updated><title type='text'>Sobre limites e limiares</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;Durante toda minha pós-graduação, tomei contato com uma infinidade de teóricos, pesquisadores e pensadores que conhecia apenas de orelhada. Me encantei com filosofia, virei leitora obsessiva de Nietzsche, decidi me biografar como Roland Barthes, reli quase todo o Freud. Uma das minhas maiores surpresas, porém, aconteceu com as leituras de George Bataille, pensador francês ainda inédito na minha experiência, especializado em temas espinhosos: limites, paixão, intensidade, violência. Sua obra &lt;em&gt;O Erotismo&lt;/em&gt; foi como um conselho cúmplice sussurrado ao ouvido: diz muito sobre mim, sobre os meus, sobre o mundo. Abaixo, trechinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não temos sempre a força necessária para desejá-lo, nossos recursos esgotam-se, e às vezes o desejo é impotente. Se o perigo se torna muito pesado, se a morte é inevitável, em princípio o desejo é inibido. Mas se tivermos sorte, o objeto que tanto desejamos é mais suscetível de levar-nos a gastos desenfreados e arriscar-nos. Os diversos indivíduos suportam desigualmente grandes perdas de energia ou de dinheiro - ou graves ameaças de morte. Na medida em que podem fazê-lo (é uma questão quantitativa de força), os homens procuram as maiores perdas e os maiores perigos. É mais fácil acreditar no contrário, porque eles com freqüência têm pouca força. Quando conseguem tê-la, querem logo gastá-la e expor-se ao perigo. Aquele que tem a força e os meios se lança em gastos contínuos e expõe-se incessantemente ao perigo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(do livro &lt;em&gt;O erotismo&lt;/em&gt;, de George Bataille, esgotado)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-4823593951166022036?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/4823593951166022036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/04/sobre-limites-e-limiares.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/4823593951166022036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/4823593951166022036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/04/sobre-limites-e-limiares.html' title='Sobre limites e limiares'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-3912613874803003337</id><published>2009-04-07T17:03:00.000-07:00</published><updated>2009-04-07T17:27:49.135-07:00</updated><title type='text'>Experiência Zero</title><content type='html'>Durante toda a faculdade, alimentei algumas convicções sobre a minha profissão. A principal delas é que só abraçaria o ofício à moda antiga. De fato, todas as minhas inclinações tendiam ao jornalismo de ontem: textos longos, paixão por diagramação, desconfiança da Internet, absoluto fascínio pelo papel. Nunca cogitei televisão, jamais sonhei com assessoria, desconhecia por completo o universo do rádio - e sigo assim até hoje. Eu só não sabia ainda dos perfis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri minha verdadeira paixão jornalística por acaso, enquanto trabalhava no projeto editorial de uma revista que, infelizmente, definhou sem conhecer a luz. EOQE era o nome, e tinha um projeto gráfico respeitável. Eu coordenava os textos, e escrevia sobre o tema que bem entendesse, qualquer um MESMO, contanto que não fosse muito extenso, já que o formato era pocket. Optei pela parte das entrevistas - ping-pong ou texto corrido, tanto fazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns dias depois, fui conversar com o Alejandro Ahmed, que acumulava prêmios pela última coreografia do Cena 11, sem nenhuma pretensão de homenagear Talese. Mas quando sentei na frente do computador, após uma conversa divertida de mais de duas horas, descobri que aquela &lt;em&gt;coisa&lt;/em&gt; de que eu gostava tanto, e tentava a todo custo arrancar de dentro de mim, mesmo após os encontros mais desinteressantes, chamava-se perfil literário. Ali, decidi que assim seria. E assim será.* Abaixo, o resultado da minha mais legítima epifania profissional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* O que fazer com essa descoberta rende um post à parte...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Onze atos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A freqüência com que Sphex deixa sua casa para trabalhar vem aumentando muito nos últimos meses. Do pequeno prédio de inspiração modernista debruçado sobre a orla de Coqueiros, parte sempre à noite com a mochila carregada de equipamentos: mixer, fones de ouvido, toca-discos, cabos, cases e set lists de canções novinhas em folha. Suas especialidades, o minimal tecno e o minimal electro, embalam as madrugadas modernas de gente que insiste em amadurecer o underground mesmo numa ilha famosa pelo boi-de-mamão e o pirão d’água. DJ dos mais conhecidos em Santa Catarina, Sphex ainda arranjou outro jeito de arrancar o sono de seu público: “Será que algum dia ele deixa de dançar?”, perguntam-se uns e outros, entre drinques e barulhinhos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;.................................................&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sphex nem sempre foi o codinome de Alejandro. Há algum tempo, coisa de cinco anos, ele era apenas Alejandro Ahmed, bailarino na infância, coreógrafo desde a juventude, diretor artístico da companhia Cena 11 há 15 anos, famoso freqüentador de baladas alternativas em seus (raros) momentos longe da rotina da dança. Um cara que pisou o palco pela primeira vez aos treze anos, e desde então acumula prêmios sem precisar de nenhum malabarismo: os dois últimos foram no fim do ano passado, o Bravo! Prime de Cultura, por melhor espetáculo, e o Sérgio Motta Arte e Tecnologia, ambos para Pequenas frestas de ficção sobre realidade insistente. No palco, já é autor de grandes feitos: elaborou coreografias premiadas, ouviu elogios rasgados, conheceu críticas negativas, dançou com alguns de seus ídolos, polemizou com a própria nudez. Em quinze anos de trabalho, um norte prevaleceu, a “procura de honestidade”. Vem deste lema o seu maior orgulho: “a maneira como a companhia se organizou, sem concessão artística de qualquer espécie, e com certo grau de estabilidade”. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...................................................&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estabilidade, para Alejandro, é manter o mesmo objetivo, a honestidade, num percurso contínuo. Rima com equilíbrio, não com eternidade. Autor de oito espetáculos para o grupo, diretor de onze bailarinos, “chefe” de dezoito funcionários, parar de dançar já parece algo natural. Não pela barreira do corpo, já que o grupo prioriza técnicas menos espartanas, mas pelo próprio processo da maturidade: “vai chegar uma hora em que vou desejar usar a informação para outra coisa”. Seu futuro, acredita, é se tornar unicamente coreógrafo, arranjando e desconstruindo passos alheios. Enquanto não deixa a cena do palco, pesquisa e estuda e discursa sobre seus pontos favoritos em dança: o trato com o corpo, a espetacularização das coisas, as possibilidades de construção de um espetáculo de forma honesta. A compreensão dessas questões parece atender a um desejo mais que profissional em Alejandro: para ele, “a arte é uma estratégia de sobrevivência da espécie humana para compreender melhor a realidade”. Sem ela, sobraria apenas desespero. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;................................................&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das maiores lições de vida, ele recebeu no fim de 2005. A bailarina do Cena 11 Gica Alioto morreu de câncer aos trinta e dois anos de idade. A tristeza pelo imprevisto colocou-o diante de uma antiga pergunta, a dúvida que todos manejam nos momentos escuros: “O que eu faço enquanto estou vivo?”. Se a suposta resposta parece fácil, dança, a resposta que vem é menos profissional e mais aberta. Alguns fatos da vida afastaram Alejandro do espírito workaholic. Seu prazer é o prazer do cotidiano, das coisas miúdas e simples, de buscas outras e variadas. Dorme tarde, e pouco, aprecia doces e carne vermelha, sonha com um boteco próprio, gosta de comprar roupas e sapatos, prefere açúcar a adoçante, teme doenças e falta de grana, baixa música na Internet, detesta uva passa e beterraba, reza de vez em quando, fuma um cigarrinho e outro – embora tenha parado, com certo custo, há três verões, depois de treze anos de hábito. Não conta piada, mas relaxa fácil, garante. Bastam uns drinques e uma noitada agradável entre amigos. Mesmo encontrando razões para a vida fora do universo do palco, quase todos os seus amigos, coisa de “90%”, dialogam com suas duas paixões profissionais: ou são músicos ou são bailarinas. Por isso, garante, “tá sempre ligado”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;............................................&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vive sem café, sexo e álcool, principalmente se do lado de lá do balcão vier uma boa tequila. Política também lhe parece assunto sério, conceito em que consegue encaixar ele mesmo e o grupo: “não tem como não acreditar, a gente está inserido nela”. Já é cada vez mais possível viver de dança no Brasil, quase uma realidade, ainda que faltem uns tantos contornos até a construção de algo além da utopia. Familiarizado com as leis de incentivo, e patrocínios de toda ordem, assinala que “ainda não foi criada uma política cultural séria no país, o que não exclui grupos e bailarinos deste processo”. Suas referências em dança quase sempre rompem a barreira estética para se misturar à ética. Não à toa, perceber precariedades e definir o que dota ou não o homem de poder são algumas das buscas mais insistentes do bailarino, assaltando seus pensamentos até mesmo quando está diante daquelas três paixões inapeláveis.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;..................................................&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alejandro implica com a própria mania de querer sempre todas as coisas, ao mesmo tempo: músicas, roupas, livros, equipamentos, referências, paisagens. Atualmente, tenta administrar seu tempo com três atividades principais: dança, que treina e ensaia seis horas por dia; pesquisas sobre corpo e movimento, que fundamentam suas coreografias e seu olhar exclusivo sobre a arte; e música, quase toda buscada na Internet. A ânsia, porém, só acentua sua “tensão sob controle”, estado de espírito do momento: entre um e outro intervalo, lê poesia, sobretudo a de Augusto dos Anjos e Arnaldo Antunes, curte quadrinhos, seu herói é Wolverine, e ainda incursiona pelo universo dos videogames, passatempo antigo que influenciou Violência, espetáculo da companhia em 2004. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...........................................&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema começa a se delimitar quando a vocação para o abraço irrestrito alcança seus relacionamentos pessoais, sobretudo seus namoros. Parece difícil encontrar alguém disposto a avaliar antigos paradigmas: “todo formato precisa ser pensado do lado de dentro, e é uma pena que a maioria das nossas coisas tenha que se encaixar em padrões já existentes”. Ainda assim, o currículo sugere certa inclinação aos namoros longos, quase sempre com bailarinas. Embora a curiosidade torne a fidelidade uma busca difícil, a definição de uma boa união ainda conserva ecos românticos, como seu ideal de felicidade, que pede sobretudo paz e amor. Se as normas antigas já soam gastas, ainda é possível acreditar “num relacionamento que expanda a capacidade dos dois de viver bem no mundo”. Quem aceitar a causa, com a mesma energia com que Alejandro costuma agarrar tudo, tem vaga já num outro projeto, tão urgente quanto seus desejos imediatos: um filho, e no máximo em quatro anos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;.....................................................&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algum tempo está solteiro de novo. No apartamento modernista, construído em 1963 para ser um hotel, vivem apenas ele e a cachorra, Nina, outro exemplo de sua busca constante pela totalidade. Integrante do espetáculo Skinner Box, encenado pela companhia em 2005, a cachorrinha adestrada era apenas mais um participante temporário do Cena 11. Às suspeitas de estresse e maus tratos do antigo dono, Alejandro respondeu com impulso, levando-a para dividir com ele sua vista da praia da Saudade. Agora, tenta administrar as conseqüências: com quem deixá-la quando viaja?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;...............................................&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Morando sozinho desde o estabelecimento profissional da companhia, Alejandro não se mostra muito à vontade com os afazeres domésticos. Quase nunca cozinha e detesta lavar a louça, muitas vezes acumulada alguns dias sobre a pia. O que menos suporta, porém, é arrumar a mala, justamente uma das atividades mais corriqueiras de sua vida entre turnês e estréias. Quando vai a Berlim, cidade em que gostaria de viver caso precisasse abandonar o país, e onde já esteve quatro vezes, a primeira a convite de uma famosa companhia local, passa horas lutando para encaixar as peças fundamentais que se amontoam: parece-lhe impossível a receita dos práticos, para quem bastam três camisas, duas calças e um sapato. Alejandro teima em querer tudo ao mesmo tempo, e tudo ao mesmo tempo geralmente não cabe em nenhuma mala.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;.......................................................&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parte da dificuldade com a mala provém de sua paixão pela moda, em especial a alternativa e de bom design. Quem já o viu nas ruas sabe que a aparência parece ser uma de suas coreografias mais criativas. O cabelo já foi comprido, raspado e curto, pintado com quase uma dezena de cores: azul, verde, descolorido, laranja, vermelho, cinza... Juntamente com música, sobretudo vinil, roupa é o item que mais compra. Para sentir-se bem com o que veste, preocupa-se, sim, com o corpo, mas sem a neurose típica dos bailarinos e das modelos. Evita bebidas fermentadas, mas não as noitadas. Dorme seis horas em dias de semana, mas apenas quatro quando enfrenta a madrugada. Foge do cigarro, mas se está saindo com alguma garota que fuma, quem sabe? Para contrabalançar, pratica musculação, em média três vezes por semana, e dança, dança muito, dança sempre.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;..............................................&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é só a juventude dos seus trinta e seis anos que confirma o modo como Alejandro leva a vida. Suas nove tatuagens também gritam algumas verdades. Da primeira, uma pequena rosa negra nas costas, até a mais recente, variados estilos convivem numa harmonia paradoxal típica do bailarino: beleza e agressão, filosofia e cotidiano, elegância com rasgos. Há três anos, mais ou menos, uma frase certeira passou a ocupar seu braço esquerdo recordando no dia-a-dia a promessa de libertação de toda arte de respeito, seja a do Sphex, seja a de Alejandro: “Ainda há caos dentro de vós”. Ainda, não, para sempre. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;....................................................&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-3912613874803003337?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/3912613874803003337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/04/experiencia-zero.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/3912613874803003337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/3912613874803003337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/04/experiencia-zero.html' title='Experiência Zero'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-5971549837881608758</id><published>2009-04-05T14:25:00.000-07:00</published><updated>2009-04-05T15:13:12.004-07:00</updated><title type='text'>Nelson Rodrigues, o retorno.</title><content type='html'>Este mês completa um ano da minha defesa de doutorado no curso de Teoria Literária. Dito de outra forma, faz 365 dias que me RECUSO a destrinchar qualquer texto de Nelson Rodrigues, o jornalista, dramaturgo, ficcionista e polemista que me acompanhou de 2003 a 2008, lido, relido e trelido durante toda a minha aventura acadêmica. Antes disso, já tinha protagonizado também o meu TCC, no Jornalismo da UFSC, um site de 500 páginas humildemente chamado &lt;em&gt;Tudo sobre Nelson Rodrigues&lt;/em&gt;, e supervisionado pelo meu querido Clóvis Geyer. Só agora, depois de depositar o intempestivo trabalho de 500 páginas (também) nas prateleiras acadêmicas necessárias é que resolvi voltar a falar no assunto. Para comemorar o fim do período sabático, levei para a cabeceira &lt;em&gt;A menina sem estrela&lt;/em&gt;, crônicas autobiográficas do autor, compilação dos seus melhores textos - na minha modesta (e obstinada) opinião. Como muita gente me pergunta o objetivo da pesquisa, como se eu mesma fosse capaz de defini-lo, encaminho agora o texto de apresentação à banca, em 24 de abril de 2008. Já aviso de antemão que não há nada de jornalismo no projeto: &lt;em&gt;Nelson Rodrigues e sua cena - dramaturgia da dupla tensão, cinema da síntese &lt;/em&gt;é uma pesquisa teórica embasada em análises estéticas do teatro do autor, e suas posteriores adaptações para o cinema. Ainda assim, como todo bom jornalista adora Nelson Rodrigues, e só tenho amigos bons jornalistas, achei que talvez pudesse interessar. O texto inteiro da apresentação segue em pdf., lá embaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OBS: Um dos capítulos, acabei de saber, será publicado em breve, no livro &lt;em&gt;Para uma história cultural do teatro&lt;/em&gt;, organizado pelo crítico Edélcio Mostaço, professor de poética e dramaturgia na Udesc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Afinal, onde está Nelson Rodrigues?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Provavelmente todos nesta sala já ouviram falar de Nelson Rodrigues. Contista, jornalista, cronista, romancista, dramaturgo e polemista, Nelson Rodrigues vem protagonizando parcela significativa da história brasileira desde a década de 40. A primeira impressão é ululante: somos todos seus íntimos. Permanecem até hoje suas frases cortantes, seu desprezo à esquerda, seu pioneirismo em &lt;em&gt;Vestido de Noiva&lt;/em&gt;, sua coluna A vida como ela é..., suas máximas repetidas à exaustão: “a massa só serve para parir o gênio; depois que o pari, volta a babar na gravata”. Permanecem, sobretudo, suas adaptações, versões audiovisuais capazes de render uma nova película a cada ano. Provavelmente também todos nesta sala foram apresentados à sua obra através das telas de cinema, produtor de mais de vinte versões, ou das adaptações da TV Globo, com as séries A&lt;em&gt; vida como ela é... &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;Engraçadinha&lt;/em&gt;. Diante deste quadro, a questão é: até que ponto as versões audiovisuais nos ajudaram a conhecer de fato Nelson Rodrigues?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos maiores intérpretes do Brasil, sobretudo em suas tensões e seus desvios, Nelson Rodrigues parece ter dedicado seu olhar mais apurado à elaboração de seu teatro. Composto de 17 peças, iniciou em 1941, com &lt;em&gt;A mulher sem pecado&lt;/em&gt;, e foi concluído em 80, com &lt;em&gt;A serpente&lt;/em&gt;. Não houve tempo para seu projeto maior: uma autobiografia em nove atos. Concomitantemente às suas outras incursões ficcionais, e até mesmo jornalísticas, já que cobria editorias de polícia e esporte, as peças iam sendo criadas, lançadas, censuradas, amadas, discutidas, xingadas, mitificadas. Sempre polêmicas, como o autor. A dramaturgia de Nelson Rodrigues, porém, atualmente é pouco conhecida fora do círculo acadêmico – ao contrário do que acontece com suas crônicas do cotidiano, seu contos concisos, suas frases bombásticas, suas personagens já cristalizadas no imaginário nacional. Seu teatro costuma alcançar o público sobretudo através das típicas formas de arte do contemporâneo: o cinema e a televisão. E conhecer o dramaturgo Nelson Rodrigues através das versões cinematográficas de seu teatro, já podemos afirmar, quase sempre nos distancia ainda mais de sua poética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nelson Rodrigues e sua cena: dramaturgia da dupla tensão, cinema da síntese &lt;/em&gt;parte da tentativa de explicar um fracasso, o fracasso do cinema. Por que o cinema baseado em seu teatro quase nunca consegue dialogar de maneira efetiva com a autoria rodrigueana? Por que quanto mais se lê o seu teatro mais se descobre problemas estéticos e reduções simplistas nas adaptações? Por que quanto mais se conhece as suas peças menos se espera um novo lançamento? As respostas parecem explicar também as pechas, muitas contraditórias, tantas vezes incutidas em Nelson Rodrigues: tarado, pervertido, reacionário, moralista, imoral. Esta tese de doutorado, após pesquisa de cinco anos, iniciada ainda no mestrado, arrisca apontar algumas razões para o fracasso das adaptações cinematográficas, bem como busca explicar a cristalização de rótulos pouco esclarecedores das potências de sua autoria. Para explicar o fracasso do cinema, porém, partimos da tentativa de definir um sucesso, o sucesso do teatro rodrigueano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora quase nunca realizada no cinema brasileiro, a autoria dramatúrgica de Nelson Rodrigues ultrapassa conceitos ao se pautar na renovação, insinuando posições demarcadas num para-além dos gêneros, do tempo e da própria história. No universo desta pesquisa, sua relevância histórica é pensada em relação à modernidade poética que implantou de modo pioneiro na dramaturgia brasileira, bem como à completude do processo de formação do teatro nacional. Nelson Rodrigues foi, e isto já parece consenso, o grande modernista do palco brasileiro. Após a análise das dezessete peças, a unidade do teatro do autor pôde ser definida aqui como a marca de uma dupla tensão, responsável por sua tensão estética e sua tensão temática. O movimento de dupla tensão, centro de seu teatro, parece fazer da ambigüidade e do acúmulo o seu norte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais, &lt;strong&gt;&lt;a href="http://docs.google.com/Doc?id=dgmprhmb_0qpn55nfd"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-5971549837881608758?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/5971549837881608758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/04/nelson-rodrigues-o-retorno.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/5971549837881608758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/5971549837881608758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/04/nelson-rodrigues-o-retorno.html' title='Nelson Rodrigues, o retorno.'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-4269265072627436862</id><published>2009-04-04T14:38:00.000-07:00</published><updated>2009-04-04T15:26:59.473-07:00</updated><title type='text'>Perfis Literários - Parte 1</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;Em 2008, trabalhando há três meses na Associação dos Magistrados Catarinenses, inventei uma seção de perfis literários no jornal mensal da entidade, chamado &lt;em&gt;O Judiciário&lt;/em&gt;. A idéia era começar a treinar para um projeto que sempre quis elaborar, um livro de perfis com personalidades da cultura catarinense, aproveitando o tempo ocioso da jornada de trabalho, bastante vasto na época, para entrevistas infinitas e reescrituras persistentes. Rendeu oito perfis, sempre com personagens ligadas à área jurídica, mas não necessariamente magistrados, até a minha saída, nesta última semana. Renderia 800, sem dúvida, tamanha a disposição com que me meti no projeto. O saldo, embora pequenino, é polêmico: meu texto preferido é justamente o primeiro, publicado em setembro do ano passado. Abaixo, os passos da estréia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;No compasso do avesso, o triunfo da contradição&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Ele não sabe precisar o mês, o ano ou a rua: jamais esqueceu, porém, o sentimento de felicidade daquela tarde ensolarada em Laguna. Tinha apenas 15 anos, mas o imperativo de dirigir o jipe da família predominava nas obstinações épicas tão típicas da juventude. Após muita insistência, arrancou do irmão Leo, seis anos mais velho, as explicações teóricas para uma boa direção. Lutando para perverter deficiência em teimosia, Leo explicou o bê-a-bá com a paciência legitima dos professores preferidos dos pupilos. O menino ouviu com atenção e avistou a bela paisagem, preenchida ainda apenas por pescadores da comunidade local, despida de trio elétrico e cantoras de refrões repetitivos. Não contou tempo: segurou com firmeza o volante, repassou mentalmente uma a uma as coordenadas e pisou fundo o acelerador. Em dois minutos, inventou uma maneira nova de guiar, empurrando o pedal da embreagem com o pé esquerdo, driblando a pior seqüela possível da poliomelite da infância. Voltou dirigindo para casa, vencendo morros e descaminhos com a destreza dos experientes, sob os olhares atônitos e orgulhosos do irmão, reduzido agora à condição de caroneiro. Antes de perder de vista o Farol de Santa Marta, reconheceu pela primeira vez a sua vocação mais legítima: desbravar caminhos alternativos. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;....................................................................... &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;No palco do 1° Simpósio Judiciário &amp;amp; Imprensa, Lédio Rosa de Andrade é o único a dispensar o protocolo básico da magistratura: vestia camisa e calça, sem terno, sem gravata. O tema do painel era O direito à informação e a responsabilidade da imprensa, debate desenvolvido entre colegas e jornalistas. Seu discurso destoa do senso-comum, desconstruindo o óbvio, condenando à complexidade qualquer argumento simplório, abraçando a diferença com a mesma recusa à distância aparentemente imposta entre ele e o volante. As teimosias agora são ainda mais assertivas: “Não basta a vasta oferta de informação contemporânea se as pessoas não têm capacidade para compreender e discernir as nuanças”. Quase trinta e cinco anos depois, a fala já tempera com doçura a teimosia do menino motorista. Nas sessões e nas escolhas pessoais, ele é do contra - sabe e gosta disso. Como o jovem alheio a grifes e rock and roll, edificou vida e carreira num universo avesso às convenções. Desafiando o óbvio, chegou aos 49 anos como o segundo desembargador mais jovem da bancada do Tribunal de Justiça. Sempre “sem concessões”: é um dos poucos seguidores assumidos da cartilha do Direito Alternativo. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;....................................................&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Famoso pelo raro repertório, provoca polêmica ao negar corporativismos profissionais, mesmices intelectuais e conformismos diante da falsa objetividade na aplicação da lei. Constrói os próprios padrões, seja recusando o terno ou acelerando o pedal, apaixona-se pouco mas com alguma dose de desatino e convive em paz com sua série de violências secretas e arrependimentos recolhidos. Renega qualquer realeza, qualquer ditadura, qualquer messianismo – inclusive Jesus. Nunca teve heróis: “os grandes homens fizeram o que era para ser feito quando deveria”. Jamais será visto de joelhos numa missa, e recusa até mesmo as de sétimo dia. Embora não se considere radical, é encarado com radicalismo por alguns pares, sobretudo quando define como agiotagem um caso entre empresas, numa sessão de grupo de câmaras. Mesmo colecionando narizes tortos, a ascensão ao cargo de desembargador, segundo o caráter de antiguidade, trouxe uma acolhida favorável, a principal surpresa dos tempos recentes.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;........................................................&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Fora de combate, Lédio aparece com mais freqüência do que o desembargador: dispensa formalidades, sugere tratamento pelo primeiro nome e luta pela convenção do você ou tu, em vez do clássico senhor. Endurecido, sim, mas com ternura – como a frase de Che. Pensa bastante nas perguntas, sem fugir sequer das capciosas, e comenta imprevistos e melancolias sem pestanejar. Quase sempre encolhe os dedos sobre a palma da mão e observa as próprias unhas. É chorão, brinca, mas deveras quixotesco. Sabe retroceder, mas demora a reconhecer os erros. À semelhança da obstinação, liame das cenas anteriores, esconde por trás da fala mansa uma intensidade que transborda, alimento de suas múltiplas versões. Profissionalmente, a teimosia traveste-se de excesso, pressa e acúmulos, uma pulsão para a vida – diria Nietzsche. Ainda estudante de Direito, rompeu um contrato de enxadrista profissional apenas porque precisaria prorrogar alguns meses a formatura, caso abraçasse os tabuleiros. Já magistrado e mestre, abandonou a comodidade de juiz do interior e partiu para um doutorado em Barcelona, encerrando a temporada com um pós-doutorado. Na volta, não sossegou até retornar à graduação, então em psicologia. A enorme distância entre o pesquisador internacional no ápice e o universitário de uma instituição particular de uma pequena cidade do sul parece ter trazido apenas felicidade: a melhor amiga, uma turma nova, a teoria de Freud, um suspiro de juventude. Sem a universidade, impossível também a sua máxima: “Sem psicanálise, não existo mais”.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;................................................&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Lédio abraça as diferenças com a mesma convicção utilizada na longínqua campanha pela prefeitura de Laguna, antes de ingressar, “por acaso”, na magistratura. Sabe que, no fundo, as cenas mais preciosas da vida são sempre indefiníveis, indizíveis, protegidas de direção ou ensaios. Emocionalmente, contrastes e paradoxos parecem definir as escolhas mais intimas. Para um homem, por exemplo, defende o poder da delicadeza – uma força delicada, alguma bruteza bem dosada. Sua mulher ideal comporta força - é necessário independência, vida própria. Guarda alguma maturidade sobre o mundo feminino: já foi casado três vezes, e possui três meninas. Quando apenas o “carinho” parece capaz de “vencer a guerra”, a própria glória destila paradoxo. Por trás de tudo, em cenas cotidianas ou sessões do Tribunal, uma ânsia persiste em vôo cúmplice e rasante, a ânsia da diversidade: professor, magistrado, acadêmico, enxadrista. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;............................................................ &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Às vezes o peso do mundo verga-lhe as costas. É quando se tranca no apartamento apenas na companhia de literatura européia e música clássica. Sem acreditar em deus, nem “nada além do humano”, e vislumbrando na religião uma forma de neurose, acaba por alimentar a melancolia com migalhas do próprio hobby, a leitura, priorizando obras de dilemas éticos difíceis, Tolstoi e Dostoiéviski, e viagens aos pântanos da subjetividade, sobretudo quando divide assento com Freud, pensador favorito. Preferências estéticas difíceis, escolhas que atormentam. Quando se torna custoso contornar o mal-estar, uma imagem desbotada fatalmente retorna: menino, quatro anos ainda, puxado pela mãe assustada pelos corredores de uma associação de reabilitação, geograficamente distante, intimamente cúmplice dele e de cada uma das crianças deficientes ali sorrindo. Uma fotografia difícil de mostrar a alguém, inclusive à “meia dúzia” de raros íntimos, um eco da própria coleção de amigos mortos, “a maioria”. Talvez a memória explique sua defesa da tristeza como guia do estado de espírito atual. Talvez a convivência diária com a ela evoque ainda seu mais estreito contato com a morte, três anos atrás, motivado por um câncer de bexiga quase exclusivo dos fumantes. Desembargador Lédio não fuma, mas às vezes a paixão pelos contrastes paradoxais parece esticar a perna, promovendo o tombo em vez da glória.&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;............................................&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O pessimismo é sem desesperança, porém:“a gente sempre faz questão de acreditar no mundo”. Quando gira a chave na fechadura de casa, geralmente após expediente no Tribunal, o peso diminui. Embora protagonize sua estréia em apartamentos, distante dos quintais e das paisagens da infância, a cobertura de dois andares no centro da cidade parece ser onde se sente mais à vontade, mais livre, mais pleno. Ali estão sua coleção de conchas, trazidas da Indonésia, de Filipinas e outros cantos, ali estão seus livros, inúmeros, espalhados, ali está a cuia de chimarrão, companhia constante, ali está a gata – que se chama apenas gata, numa outra alternativa, digamos, pouco usual. Lédio gosta de solidão, talvez porque o xadrez, as artes e a leitura demandem certo recolhimento, quase um resguardo – rituais, embora não religiosos. A solidão quase nunca é obstáculo. A felicidade, inclusive, não lhe parece dotada de qualquer definitivo. Ao contrário, compartilha com Freud uma prática e complexa definição: felicidade é superar os conflitos e vencer o mal-estar. Orgulha-se de certa definição sobre si mesmo, no prefácio do último livro lançado: “pessimista da realidade, otimista da idéias”.&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;..............................................&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A presença do absoluto só serve para atrapalhar a humanidade. Para o desembargador, é necessário relativizar tudo, a começar pelas nossas próprias certezas. Nas questões técnicas, jurídicas, inclusive, a sugestão soa possível; no campo afetivo, é uma tormenta cotidiana – ainda assim, sente a sugestão como dever. Sua defesa para a erradicação do absoluto pode ser compreendida como uma elegia à diferença, um abraço sensato mas ainda pleno de contradições: “nas poucas vezes que me apaixonei, não parei para pensar um só minuto”. Na vida, então, tudo é debate, discussão. Preferindo paixão à calmaria, intensidade à freqüência, adota a gula como expectativa e sonho, remexendo o mal para compreender o bem, distanciando-se dos bons para diagnosticar as violências. Seu pior mal-estar, inclusive, o medo da morte, foi vencido num momento-limite, o limiar do câncer. Embora freudiano por opção, desembargador Lédio parece guardar dentro de si uma máxima de Nietzsche: dizer sim à vida.&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;...............................................................&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A maneira doce de falar, sempre entre sorrisos e simpatias, promove mais um contraste, agora com a fama de radical, pecha administrada pelo desembargador desde o ingresso na magistratura. Fica ainda mais difícil imaginá-lo bradando “verdades” com punhos cerrados e dedo em riste, reduzido em multidões partidárias, quando se observa a legitimidade de seu apreço pela arte. Prefere literatura à filosofia, “com convicção”, e passou 15 anos afastado da televisão aberta, alheamento às vezes negativo, capaz de distanciá-lo em milhares de milhas da sociedade – mais do que sua profissão permite. Em compensação, o apartamento atual comporta com alguns apertos cotas exorbitantes de literatura, música e livros de arte – se pudesse, empregaria todo o dinheiro em artes plásticas, sobretudo pintura. Como ainda não pode, investe em livros, e acumula centenas de títulos sobre artes plásticas, inclusive um original de arte russa do século XIX, apanhado após passeios virtuais na alta madrugada, luxo dos tempos modernos. Desembargador Lédio não fala uma palavra em russo, mas isso se torna apenas um detalhe diante da sua definição para a arte: “expressão da genialidade humana e sublimação de formas encontradas para fugir do sofrimento”. Talvez vislumbre nela a cura da tristeza; talvez esteja nela o segredo da viabilidade do mundo.&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;................................................&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Professor, magistrado, acadêmico, enxadrista. Político, talvez: acena a ânsia da diversidade, num novo vôo rasante. A recente alternativa, apenas esboço ainda, ensaio, ratifica a condição improvável do ingresso na magistratura. Da turma do fundão, Lédio era incapaz de conservar um caderno por mais de uma semana, rodava por falta, passava “arranhando” e dedicava todo o tempo à militância juvenil. Era candidato à prefeitura de Laguna quando contrariou todas as expectativas passando num concurso de magistratura. Recusando-se a dar as costas para a vida, e cansado das condições econômicas precárias, desfiliou-se (do PDT), e partiu para a judicatura. Fazendo valer o eterno retorno de Nietzsche, agora cogita o retorno aos palanques. Endurecido pela vida, sim, mas com a ternura típica dos alternativos.&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;..............................................&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-4269265072627436862?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/4269265072627436862/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/04/drops-inedito.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/4269265072627436862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/4269265072627436862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/04/drops-inedito.html' title='Perfis Literários - Parte 1'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4834931131279806304.post-1263590908029302554</id><published>2009-03-29T15:24:00.000-07:00</published><updated>2009-03-29T15:34:53.158-07:00</updated><title type='text'>smell like teen spirit</title><content type='html'>Um pouquinho do frescor de &lt;em&gt;Suave é a noite&lt;/em&gt;, de Scott Fitzgerald, relido onze vezes. O romance abastece minha cabeceira há dez anos, desde que um calouro salvador sugeriu a leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Na escura grua do táxi , fragrante com o perfume que comprara em companhia de Nicole, ela tornou a encostar-se, grudando-se nele. Dick beijou-a sem prazer. Sabia que ali havia paixão, mas não havia sombra disso nos olhos dela, nem na boca; só uma leve espuma de champanhe no hálito. Ela se encostou mais, desesperada, e mais uma vez ele a beijou e gelou com a inocência do beijo dela, com o olhar que no momento do contato via atrás dele a escuridão da noite, a escuridão do mundo. Ela ainda não sabia que o esplendor é uma coisa do coração; assim que compreendesse isso e se fundisse na paixão do universo, ele poderia tomá-la sem perguntas nem arrependimentos".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4834931131279806304-1263590908029302554?l=jadices.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jadices.blogspot.com/feeds/1263590908029302554/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/03/smell-like-teen-spirit.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/1263590908029302554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4834931131279806304/posts/default/1263590908029302554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jadices.blogspot.com/2009/03/smell-like-teen-spirit.html' title='smell like teen spirit'/><author><name>jade.martins.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09390544572229472846</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-aplN4Kza7iU/TYNh06mIIYI/AAAAAAAAAMI/9r0KwmN2Afc/s220/IMG_0250.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry></feed>
